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Falece o escritor José Saramago

20.06.2010
 
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Falece o escritor José Saramago

O escritor José Saramago, primeiro e único Prêmio Nobel de Literatura de língua portuguesa, faleceu, em sua casa de Lanzarote, aos 87 anos, por causa de leucemia crônica, segundo confirmaram fontes da família. A morte ocorreu pouco depois das 13 horas (hora peninsular), quando o escritor se encontrava em sua residência canária, acompanhado de sua mulher e tradutora Pilar del Río.

"Nossa única defesa contra a morte é o amor", disse numa ocasião José Saramago, a quem não só o amor ajudou a combater essa morte que o levou. Também o fizeram os numerosos romances que escreveu ao longo de sua vida e que foram reconhecidos com o Prêmio Nobel em 1998.

De origem humilde, Saramago se dedicou à literatura porque não lhe agradava o mundo que lhe tocou viver. Seus romances encerram reflexões sobre alguns dos principais problemas do ser humano; fazem o leitor pensar, o abalam e comovem. Seus personagens são cheios de dignidade.

Nascido em 16 de novembro de 1922, em Azinhaga, uma aldeia de Ribatejo (Portugal), José de Sousa é mais conhecido pelo apelido de sua família paterna, Saramago, que o funcionário do Registro Civil acrescentou ao inscrevê-lo. Quando tinha dois anos, sua família se mudou para Lisboa, mas nunca rompeu seus laços com Azinhaga.

Ainda que tenha sido um aluno brilhante, teve de abandonar o ensino secundário, ao terminar o primeiro segmento, ante a falta de meios econômicos de seus progenitores. Antes de dedicar-se plenamente à literatura e de converter-se num dos melhores romancistas do século XX, Saramago trabalhou em oficios como os de serralheiro, mecânico, editor e jornalista. Foi diretor adjunto do "Diário de Notícias" de Lisboa.

Seu maior sonho

Mas seu maior sonho era ser escritor. Em 1947, publicou seu primeiro romance, "Terra de pecado". Por essa época, ascendeu nele a consciência política que sempre o acompanhou e que o levou a filiar-se, em 1969, ao Partido Comunista Português. Após um longo silêncio de quase vinte anos, durante o qual ficou sem publicar, porque não tinha "nada para dizer", Saramago se arriscou na poesia, entre 1966 e 1975, e publicou "Poemas possíveis", "Provavelmente alegria" e "O ano de 1993".

Como disse, quando Alfaguara, sua editora espanhola, publicou sua "Poesia completa", em 2005, nunca foi "um poeta genial", nem "um grande poeta". Apenas se considerava "um bom poeta". Em 1977, veio à luz o romance "Manual de pintura e caligrafia", ao que se seguiram o livro de contos "Quase um objeto" (1978) e a obra teatral "A noite" (1979).

Seus romances encerram reflexões sobre alguns dos principais problemas do ser humano; fazem o leitor pensar, o abalam e comovem

Nos anos oitenta, voltou ao teatro com "Que farei com este livro?" (1980), o relato "Levantado do chão" (1980 - Prêmio Cidade de Lisboa) e o livro de viagens "Viagem a Portugal" (1981). Com essas obras, Saramago já assentara as bases para esse mundo próprio que foi construindo livro após livro, e em 1982 alcançou a fama mundial com "Memorial do convento", que lhe valeu o Prêmio do Pen Club Português, galhardão que voltou a ganhar em 1984 com "O ano da morte de Ricardo Reis", também reconhecido com o Prêmio Dom Dinis da Fundação Casa de Mateus.

A partir daí, seu prestígio se foi consolidando com títulos como "Jangada de pedra" (1986), levada ao cinema, em 2002, pelo diretor holandês George Sluizer e protagonizado por Federico Luppi, Icíar Bollaín e Gabino Diego; a peça teatral "A segunda vida de Francisco de Assis» (1987); e "História do Cerco de Lisboa" (1989).

Em 1991 publicou o romance "O evangelho segundo Jesus Cristo", muito criticada pelo Vaticano e objeto de um polêmico veto em 1992, que o retirou da lista de candidatos ao Prêmio Literário Europeu, para o qual fora seleccionado por um juri do Pen Club de Portugal e pela Associação de Críticos Literários Portugueses. Apesar de tudo, esta obra recebeu o prestigioso Prêmio da Associação de Escritores de Portugal (1992). Nesse último ano, obteve o Prêmio Faliano de Literatura com seu romance "Uma terra chamada Alentejo". Os problemas que teve em Portugal o levaram, em 1993, a mudar sua residência para a Espanha, especificamente para a ilha canária de Lanzarote, acompanhado por sua segunda mulher, a jornalista espanhola Pilar del Río, tradutora do escritor.

Seus últimos anos

Apóss publicar sua quarta obra de teatro, "In nomine Dei" (Grande Prêmio de Teatro da Associação Portuguesa de Escritores), passou a formar parte do Parlamento Internacional de Escritores. O ano de 1995 foi especial para ele, com a obtenção do Prêmio Camões para o conjunto de sua obra e a publicação de "Ensaio sobre a cegueira", primeiro livro de sua trilogía sobre a identidade do indivíduo, que continuou com "Todos os nomes" (1998) e encerrou-se com "Ensaio sobre a lucidez" (2004).

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