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E se Golias viesse?

20.05.2007
 
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E se Golias viesse?

Ano passado foram amplamente divulgadas na internet fotos de crianças israelenses escrevendo mensagens nos mísseis que seriam lançados contra as posições palestinas no Líbano. Crianças e adolescentes, usando batom e lápis de desenho, aparentemente descontraídas, escreviam mensagens nos petardos e conversavam com os soldados. Ao lado, seus pais acompanhavam a visita ao front, certamente orgulhosos de verem seus filhos se instruindo na arte da matar, indiferentes à dor que possam causar.

Li no site do Observatório da Imprensa nota intitulada " Hamas usa sósia de Mickey em campanha contra Israel ". Militantes do Hamas estariam usando uma réplica do ratinho símbolo da Walt Disney Company "para divulgar mensagens da dominação islâmica [sic] e da resistência armada para o público infantil em um programa da emissora de TV al-Aqsa chamado Pioneiros do Amanhã ". A imitação do Mickey se chama Farfour.

por Fernando Soares Campos

Este foi o trecho da matéria que mais chamou a minha atenção:

"O programa conta também com a participação de crianças, cantando hinos sobre a luta contra Israel – que há muito tempo vem reclamando que os canais palestinos incitam ódio ao povo israelense. David Baker, porta-voz do primeiro-ministro israelense Ehud Olmert, afirmou que `não há nada cômico sobre ensinar novas gerações de palestinos a odiar israelenses´. Mark Regev, porta-voz do ministério do Exterior, acusou os palestinos de não assumir o compromisso de parar de incitar ódio contra Israel. `As crianças aprendem que matar judeus é algo bom´, diz."

Ano passado foram amplamente divulgadas na internet fotos de crianças israelenses escrevendo mensagens nos mísseis que seriam lançados contra as posições palestinas no Líbano. Crianças e adolescentes, usando batom e lápis de desenho, aparentemente descontraídas, escreviam mensagens nos petardos e conversavam com os soldados. Ao lado, seus pais acompanhavam a visita ao front, certamente orgulhosos de verem seus filhos se instruindo na arte da matar, indiferentes à dor que possam causar.

Baseado naquelas fotos, acredito que qualquer porta-voz do Hamas poderia dizer que ali "as crianças aprendem que matar palestinos é algo bom". Pelo visto, crianças de ambos os lados são vítimas dos senhores do ódio e da intolerância, da ganância e da prepotência.

A globalização do medo

Hoje, o conflito no Oriente Médio é tratado pela grande imprensa brasileira apenas através das notícias frias, relatando as atrocidades, porém geralmente transformando vítimas em culpados. Nota-se que os intelectuais e mesmo artistas, escritores e figuras notórias em geral evitam abordar o assunto em artigos de opinião.

Em 2003, para editar um documentário que estava produzindo para exibição no 3º Fórum Social Mundial, o cineasta-publicitário Kais Ismail solicitou apoio de uma universidade da Grande Porto Alegre, a qual lhe cedeu as instalações e equipamentos de uma ilha de edição. O documentário se intitularia "Palestina em lágrimas". Ao término do trabalho, Kais pediu autorização da universidade para inserir no vídeo um agradecimento à direção da instituição; esta, no entanto, respondeu que colaboraria, mas negou-se a aparecer como colaboradora.

Em 2004, Mohamad, brasileiro-palestino, 22 anos, primo-irmão do Kais Ismail, foi assassinado na Palestina com 30 tiros de M-16 (metralhadora americana), disparadas por sionistas estrangeiros que obedecem às ordens dos comandantes israelenses. Mohamad foi agredido de tal forma que o seu braço esquerdo foi decepado a tiros. Kais foi entrevistado por uma emissora de televisão brasileira. A primeira pergunta do entrevistador foi: "O seu primo era terrorista?", ao que o entrevistado respondeu: "O meu primo, certamente, não era um garoto que corria varrer as ruas para que os tanques de guerra passassem e arrasassem tudo, pelo contrário, o que ele fazia, era tentar barrar estes tanques e defender sua família, desde criança, atirando pedras."

O publicitário Kais ainda nos informa: "No último programa do Fantástico (Rede Globo) do mês de novembro de 2004, foi exibida uma matéria que, como num passe de mágica, fez com que toda a imprensa não tocasse mais no assunto e curiosamente procurei agora, há pouco, no site do Fantástico a matéria do dia 28.11.2004 e não encontrei nada". Sumiu! Escafedeu-se!

Já imaginou uma "Faixa do Piauí"?

Aqui neste Brasil de todo mundo, a maior miscigenação do Planeta, a gente fica indignado com o que fazem com as populações pobres, que, nos grandes centros urbanos, são empurradas para os morros e alagados, onde se aglomeram em favelas que não oferecem as mínimas condições de habitabilidade. São ambientes insalubres, onde falta de tudo: segurança pública, escolas, postos de saúde, áreas de lazer e até mesmo acesso independente às residências. Também acompanhamos as marchas dos sem-terra, forçando a barra para ocupar latifúndios improdutivos, apesar de formados por terras férteis, com muita água e estradas para o escoamento das produções.

Já ouvi muita gente do povo perguntando sobre a guerra no Oriente Médio, pessoas que dizem não entender como é que se briga tanto por uma terra que, em grande parte, não passa de desertos aparentemente inóspitos. O nosso povo é assim mesmo, está acostumado a "ver" a fartura de terras produtivas em nosso país, mesmo que, relativamente, concentrada nas mãos de poucos.

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