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Obama mudará relação dos EUA com a América Latina, crê Lula

20.01.2009
 
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Obama mudará relação dos EUA com a América Latina, crê Lula

O novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que toma posse nesta terça-feira (20), deve mudar o relacionamento do país com a América Latina. A avaliação é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acredita que o momento político americano é também uma oportunidade para o fim do bloqueio econômico a Cuba.


"Os Estados Unidos, durante muito tempo, tiveram uma política equivocada para a América Latina", afirmou Lula em seu programa semanal de rádio. " É importante que Obama faça um sinal para Cuba. É importante que o bloqueio seja desobstruído para que Cuba possa ter uma vida normal como todos os países, tendo relação com todos os países", apontou.


Leia abaixo a íntegra do programa desta segunda-feira:


Olá você em todo o Brasil. Eu sou Luciano Seixas e nós estamos começando agora o programa de rádio do presidente Lula, o Café com o Presidente. Olá, presidente. Como vai, tudo bem?


Tudo bem, Luciano.


Presidente, nesta terça-feira, dia 20, toma posse o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. O mundo inteiro acompanha com atenção esse momento. E no Brasil, qual é a sua expectativa em relação a essa posse?


Aqui no Brasil nós acompanhamos também com muito interesse a posse do presidente Obama. Afinal de contas, não é em todo momento histórico que um país, importante como os Estados Unidos, elegem um negro para presidente da República. Isso por si só é um fato extraordinário. Mas o que é importante é que o Obama toma posse num momento delicado da política externa e da política interna americana. Do ponto de vista da política interna você tem a crise financeira, que nasceu dentro dos Estados Unidos, e está causando danos sobretudo para as pessoas mais pobres, no campo da habitação.

Segundo: ele vai viver um problema sério que é o problema do Oriente Médio, que está se agravando. Ou seja, o Clinton tentou resolver, o Bush tentou resolver. O dado concreto é que o acordo no Oriente Médio depende muito da política americana. Nós tentamos criar o Grupo de Annápolis para ver se colocávamos outros países em negociação. Não deu certo ainda, só fez uma reunião. A segunda reunião que era para ser feita em Moscou ainda não aconteceu. Mas esse é um problema que o Obama vai ter dizer com muita competência se quer efetivamente a paz no Oriente Médio, ou não. A terceira coisa, que eu acho que o Obama precisa fazer, é a questão do acordo da OMC (Organização Mundial do Comércio), a Rodada de Doha. Nós estivemos por um milímetro para fazermos o acordo.

No último momento não havia mais, eu diria, disposição política do governo americano de fazer porque estava o Bush no final de seu mandato, mas eu penso que era importante que o presidente Obama tomasse outra vez a iniciativa para que nós pudéssemos concluir o acordo de Doha, porque seria uma ajuda enorme nesse momento de crise para os países mais pobres, sobretudo aqueles que têm a agricultura como base de sua economia. Esses são os fatos importantes e por isso a minha expectativa. Aqui no Brasil, nós certamente vamos continuar com a boa política que temos com os Estados Unidos. Ela é histórica e eu penso que o Obama, se quiser, pode aprimorar essa relação com o Brasil, aperfeiçoar porque se os Estados Unidos são o país mais importante do mundo, o Brasil é o país mais importante da América Latina.


E com relação a América Latina de uma forma geral, presidente, a posse do presidente americano Barack Obama muda alguma coisa nesse relacionamento?


Eu acredito que deva mudar e deve mudar muito, veja, porque os Estados Unidos durante muito tempo tiveram uma política equivocada para a América Latina. Ora, no tempo da Guerra Fria havia aqui na América Latina apenas grupos revolucionários ou comunistas, ou seja, depois teve a participação americana em vários golpes aqui na década de 60 em quase todo o Continente.

 E eu penso que agora o Obama tem que olhar agora para a América Latina com o olhar democrático, com um olhar desenvolvimentista, com um olhar de um país importante como os Estados Unidos que pode ajudar os países periféricos, sobretudo da América Central e do Caribe. Acho que é importante que o Obama faça um sinal para Cuba, ou seja, não há mais nenhuma explicação científica, política para que continue o bloqueio.

É importante que isso seja desobstruído para que Cuba possa ter uma vida normal como todos os países, tendo relações com todos os outros países. Acho que o presidente Obama vai ter de ter uma política especial para a América Latina, ou seja, não é possível que os Estados Unidos, em algum momento, não tenham uma política, eu diria preferencial na sua relação com a América Latina.


Presidente, em relação a questão do clima, com a chegada do presidente Obama muda alguma coisa?


Eu acredito que sim. Estou torcendo para que mude, sobretudo se a gente levar em conta que os Estados Unidos ainda não assinou o acordo de Kioto, que é muito importante para que a gente possa cuidar da questão climática, ou seja, nós temos que diminuir a emissão de gás de efeito estufa, nós precisamos fortalecer a matriz energética limpa e o Brasil tem um potencial extraordinário com o etanol. Os Estados Unidos também têm um potencial, só que o potencial produzido a base de milho, que não é interessante para a economia, ou seja, pode ser interessante em algum momento para os Estados Unidos, mas no ponto de vista da economia e do preço dos alimentos não é importante produzir etanol a base de milho, mas sim de outro produto da cana, ou de terceira geração.

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