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A luta de um povo, um povo em luta!

19.12.2007
 
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A luta de um povo, um povo em luta!

Terça-feira, 18 de Dezembro de 2007


"Li com grande interesse sua carta ao líder das FARC, Manuel Marulanda. Partilho consigo um impulso humanitário para dar fim ao encarceramento de prisioneiros políticos na Colômbia.


Contudo, vamos ser claros, com princípios e realistas acerca disto. A liberdade dos presos políticos das FARC está dependente de um qui pro quo – a libertação dos combatentes da resistência das FARC nas masmorras do Estado colombiano.


A sua intervenção dramática e altamente publicitada concentrou a opinião pública mundial nos prisioneiros mantidos pelas FARC, mas deixou de mencionar a situação dos presos políticos do governo colombiano, torturado e brutalizados por um Presidente cujos mais próximos associados no Congresso estão à espera de julgamento pelas suas ligações antigas aos esquadrões da morte paramilitares e aos narcotraficantes.


Vamos começar de novo, Presidente Sarkozy. Se quiser ser um mediador honesto ou um líder humanitário consequente deve actuar imparcialmente com um espírito de reciprocidade. Até agora o senhor actuou de uma maneira injusta (one-sided), a qual não conduz a uma resolução positiva do intercâmbio de prisioneiros. Nos seus curtos e altamente publicitados apelos o senhor não actuou com boa fé e imparcialidade.


Por exemplo: no princípio de Dezembro apelou 'solenemente' às FARC (especificamente ao seu secretário, Manuel Marulanda) para que libertasse unilateralmente os seus prisioneiros incluindo Ingrid Betancourt sem qualquer apelo paralelo ao Presidente Uribe para libertar os seus prisioneiros e aqueles mantidos nos Estados Unidos.

O seu apelo assemelhou-se mais a um truque publicitário vazio de substância e de solenidade teatral. Pensa você que o mais sagaz e lendário líder guerrilheiro da América Latina seria intimidado pela sua retórica que coloca o ónus 'da vida' de Ingrid sobre os ombros de Marulanda? A sua dupla moralidade colonial não convenceu ninguém e certamente não avançou o processo de negociações. O seu posicionamento ético pode deliciar alguns ex-maoistas de meia idade transformados em filósofos de novela em Paris, mas não tem cabimento ao tratar com revolucionários sérios e consequentes.


Deixe-me sugerir que, uma vez formou tamanha relação carnal com o seu 'bom amigo' Presidente Bush, volte o seu encanto para ele e diga-lhe para devolver os dois líderes da FARC à Colômbia como parte da troca de prisioneiros pelos três operacionais estado-unidenses da contra-insurgência que estão numa cadeia da FARC. Reciprocidade, Sr, é o sine qua non de quaisquer negociações entre iguais.


Em segundo lugar, você fez um pronunciamento público de condenação aos 'métodos' e 'objectivos' das FARC, mas não de Uribe. Isto certamente não é um modo de começar negociações.

Dá a impressão de que Uribe é um político democrático, o que vai em sentido contrário de relatórios das Nações Unidas, colombianos, Organização dos Estados Americanos, Organização Internacional do Trabalho, organizações de direitos humanos, os quais documentam que a Colômbia é o lugar mais perigoso do mundo para jornalistas, sindicalistas, advogados de direitos humanos e líderes camponeses por causa dos terrorismo patrocinado pelo Estado.

É presunçoso da sua parte, Presidente Sarkozy, questionar as credenciais morais das FARC uma vez que você e o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Kouchner, deram o seu apoio incondicional ao Estado de Israel apesar do facto de eles manterem mais de 10 mil presos políticos, a maior parte dos quais foi brutalmente torturada e muitos nunca terem sido acusados oficialmente ou levados a tribunal. Um regime como o seu, cujo ministro dos N. Estrangeiros endossa o estrangulamento económico (corte de alimentos, remédios, água e electricidade) de um povo inteiro em Gaza e o banho de sangue americano no Iraque, não tem autoridade moral para dar lições quanto a 'métodos' e 'objectivos'. Vamos ao ponto, Sr. Presidente.

As FARC nem mantém 10 mil presos políticos como o seu aliado, o Estado judeu, nem invade e coloniza países independentes como o seu 'bom amigo' Presidente Bush. Assim, tendo levantado o véu da hipocrisia gaulesa, vamos voltar-nos para algumas das questões reais que confrontam a abertura das negociações.


Local das negociações


A insistência das FARC sobre uma localização específica não é uma escolha de paisagem, mas uma garantia da sua segurança face aos numerosos rompimentos de acordos com o regime Uribe. Presidente Sarkozy: a sua insistência, na verdade exigência, foi 'prova fotográfica' da sobrevivência de Ingrid Betancourt levou ao mais recente exemplo da deslealdade fundamental de Uribe. Os emissários que transportavam as 'provas' para si, via Venezuela, foram presos e encarcerados, violando grosseiramente um entendimento implícito de salvo conduto entre o senhor mesmo, o Presidente Uribe e o Presidente Chavez.


No período 1984-1990, a FARC alcançaram um entendimento com os Presidentes Betancourt e Gaviria no sentido de dar uma oportunidade ao processo eleitoral. Muitos antigos membros das FARC, com outras pessoas progressistas e grupos de esquerda, formaram a 'União Patriótica' (UP).

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