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Líbia deixa em vigor a pena de morte para búlgaras e palestiniano

19.12.2006
 
Líbia deixa em vigor a pena de morte para búlgaras e palestiniano

Um tribunal da Líbia condenou hoje à morte cinco enfermeiras búlgaras e um médico palestiniano acusados de terem infectado deliberadamente com o vírus da Sida centenas de crianças no país. Os réus são acusados de, no final da década de 90, terem terem infectado 426 crianças no hospital de Bengahazi com o VIH. A acusação pedia a pena de morte.


Presos há sete anos, os réus tinham sido condenados à morte num primeiro julgamento em Maio de 2004. Mas o Supremo Tribunal da Líbia ordenou um segundo processo, que começou em Maio deste ano.

A sentença de hoje era esperada com expectativa pela comunidade internacional, especialmente pela União Europeia, que considera os réus inocentes e reclama há muito a sua libertação.
George Joffe, um especialista do Magrebe da Universidade de Cambridge, considerou que a sentença de morte hoje decretada era previsível politicamente e “não teve nada a ver com os factos do caso” .

“Não estou surpreendido. Penso que agora vão começar as verdadeiras negociações, para encontrar um meio de compensar as famílias das crianças infectadas ou para perdoar às enfermeiras” .
Segundo o professor, há duas razões para a pena de morte. Por um lado dá ao presidente líbio, Moammar Kaddafi, muito mais poder para negociar as compensações. Em segundo lugar é um modo de satisfazer as famílias de Benghazi. Agora há um preço a pagar, disse. 

 “Depende do que a comunidade internacional está preparada para pagar. Mas ainda não é claro como será. Poderá ser na forma de compensação humanitária” .

 
Hoje, à porta do tribunal, uma multidão de familiares mostrava fotografias de crianças mortas ou doentes com sida. Uma mãe, com o retrato da filha, disse aos jornalistas que pretendia justiça e não indemnizações. “Não estamos à venda” , lia-se nalgumas fotografias.

A polícia teve que disparar para o ar para dispersar as pessoas e permitir a entrada no tribunal do advogado de defesa. Um representante do governo da Bulgária também esteve presente no julgamento.

Os réus clamaram inocência quando do primeiro julgamento e dizem que as más condições de higiene foram as verdadeiras causas da epidemia de Sida no hospital de Benghazi. A defesa diz que eles na altura foram vítimas de tortura.

A comunidade científica internacional diz que a aparição do vírus da Sida em Benghazi ocorreu anos antes da chegada dos seis réus e que a epidemia resultou das más condições de higiene.

SIC


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