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Colômbia: Uribe Narcotraficante

19.11.2006
 
Pages: 123
Colômbia: Uribe Narcotraficante

Miguel Suárez *]

Logo após a ordem de captura ditada pela Corte Suprema de Justiça, no passado 8 de novembro (2006) contra três parlamentares uribistas, testas-de-ferro do narcotráfico e, em seguida de que, no último 18 de outubro (2006), a pedido do Pólo Democrático Alternativo, se desse um debate parlamentar sobre o mal chamado "Processo de Paz" com os narcotraficantes, um temor generalizado se estendeu no meio da narco-oligarquia colombiana.

Todos querem lavar as mãos e aparentam ser gente honorável, em muito baixa voz e, em termos muito gerais, se atrevem a condenar a infiltração pela máfia do que eles chamam classe dirigente.

Ameaças vão e vêm e, até pelas rádios, se tem escutado em meio ao desespero dos narcotraficantes e seus testas-de-ferro.

O narcotraficante Diego Vecino, em nome de seus sócios do cartel de Medellín, ameaçou diretamente a oligarquia colombiana dizendo que "Quando respondamos ante a justiça, vamos dizer toda a verdade, porém, a Colômbia deve estar preparada."

Outra ameaça, e desta vez direta contra o narcotraficante Álvaro Uribe Vélez, proveio de um dos testas-de-ferro mais importantes dos narcotraficantes e a quem, segundo a imprensa internacional, os narcotraficantes haviam escolhido como o próximo presidente da Colômbia, o senador Álvaro Araujo, um dos congressistas mais próximos de Uribe, e testa-de-ferro do narcotraficante Jorge 40, que sentenciou, numa reunião secreta na Casa de Nariño, a sede de governo na Colômbia:

"Se vêm por mim, vem pela ´Conchi´(sua irmã, a chanceler María Consuelo Araujo) e pelo presidente Uribe".

O atual ministro do Interior e da Justiça Carlos Holguín, visivelmente nervoso, confirmou a ameaça de Araujo.

Ante o pânico generalizado apareceu o Messias, quem, paradoxalmente, num ato de homenagem nos 120 anos da Corte Suprema de Justiça, totalmente descomposto e com voz ameaçadora disse que "Se alguém tem algo contra mim, que o diga".

Pois bem, aqui vamos repetir.

O pai de Álvaro Uribe Vélez, Alberto Uribe Sierra, foi um narcotraficante detido com fins de extradição para os Estados Unidos, em 1982, porém, graças às manipulações de Álvaro filho, foi deixado em liberdade, logo, segundo o relata o mesmo Álvaro Uribe, foi dado de baixa pelas FARC-EP, dizem isso, por suas ações narcoparamilitares.

O jornalista Joseph Contreras, em seu livro El señor de las Sombras - Biografía de Álvaro Uribe, diz que "é muito conhecido que o helicóptero que transladou o cadáver de Álvaro Uribe, pai do atual Presidente da oligarquia colombiana, da fazenda familiar a Medellín, era uma aeronave que pertencia ao Cartel de Medellín e a Pablo Escobar", especificamente.

Ao enterro do fazendeiro, segundo o jornalista Fabio Castillo, assistiu o então presidente da República, Belisario Betancourt Cuartas, e boa parte do creme e da nata da sociedade antioquenha, em meio a velados protestos dos que conheciam os vínculos de Uribe Sierra com a cocaína.

Algum tempo depois, o helicóptero Huges 500, de matrícula colombiana HK 2704X, de propriedade da família de Álvaro Uribe, foi encontrado no maior laboratório de cocaína descoberto na Colômbia, chamado Tranquilandia. Ao ser perguntado sobre o caso, Uribe, visivelmente alucinado, respondeu com a infantil desculpa de que o "aparelhinho" se havia perdido e se esqueceram de denunciar a perda.

Por parte de sua mãe, a senhora Laura Vélez, tem Álvaro Uribe Vélez relação familiar com o conhecido "clã dos Ochoa".

Segundo o parlamentar Gustavo Petro, Santiago Uribe Vélez, irmão de Álvaro Uribe Vélez, coordenava as ações do grupo denominado "Os Doze apóstolos", desde 1994 ou antes, e durante suas ações permanecia no carro, com uma metralhadora Ingram e pendente dos informes que recebia por rádio. O grupo paramilitar tem em seu haver 50 assassinatos cometidos entre 1993 e 1994. Santiago mantinha estreitos vínculos com Pablo Escobar Gavíria.

Em março de 1980, o presidente desse período Julio Cesar Turbay o nomeou como diretor do Departamento de Aeronáutica Civil, e sua administração se distinguiu por entregar autorizações de vôo e permissões para construir aeroportos aos narcotraficantes, segundo relata o investigador Fabio Castillo, no livro Los jinetes de la cocaína.

Por outra parte, as relações de Álvaro Uribe com os grandes capos do cartel de Medellín, como Pablo Escobar, estão bem documentadas.

Em fins de 1982, Uribe foi descartado da prefeitura de Medellín pelo presidente da época, Belisario Betancourt, devido a suas relações com os chefes do cartel de Medellín, especialmente com Pablo Escobar, os irmãos Ochoa e Geraldo Rodríguez Gacha.

Durante seu curto período como prefeito desta cidade, dedicou-se abertamente a promover atividades publicitárias do capo Pablo Escobar.

O jornalista Fernando Garavito, que foi obrigado a sair do país por contar a verdade ao mundo sobre Uribe e suas relações com a máfia, conta que, numa ocasião, estando Fabio Ochoa Vásquez, o capo do narcotráfico conhecido como "el caballista", numa exposição cavalar na cidade de Armênia, em companhia do narcotraficante Gonzalo Rodríguez Cacha, se acercou um indivíduo desalinhado, com óculos escuros, a quem o narcotraficante Fabio Ochoa chamou em voz alta como "Varito" e que, logo após, os capos do narcotráfico conversaram animadamente com o indivíduo, que era nada mais nada menos que Álvaro Uribe Vélez.

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