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Philip Goldberg, o separatista da Bolívia

19.09.2008
 
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Philip Goldberg, o separatista da Bolívia

Numa entrevista exclusiva à TV Brasil, nesta quarta-feira (17), o presidente Lula criticou a ação dos golpistas na Bolívia e elogiou a decisão do governo boliviano de expulsar Philip Goldberg, o embaixador-separatista dos EUA. De forma diplomática, mas incisiva, ele afirmou:

“Se o embaixador fazia reuniões com a oposição, o Evo está correto em mandá-lo embora. Papel de embaixador não é fazer política dentro do país... Aqui no Brasil, uma embaixadora americana, num jornal brasileiro, respondeu a uma crítica que tinha feito ao Bush. Mandei o Celso Amorim chamá-la e dizer que não era admissível ela dar palpite sobre uma entrevista do presidente da República... Isto não é de hoje. É famosa a interferência das embaixadas americanas em vários momentos da história do nosso continente. Então, eu acho que houve um incidente diplomático. Se o embaixador estava tendo ingerência política, o Evo está correto”.

“Tio Sam é bom de garfo”

A entrevista de Lula, assim como a resolução da União das Nações da América do Sul (Unasul) de manifestar total apoio ao governo constitucional de Evo Morales, sinaliza uma nova fase nas relações entre esta sofrida região e o “império do mal”. Desde as idéias do “Destino Manifesto” e da “Doutrina Monroe”, no século XIX, os EUA consideram a América Latina um quintal de seus interesses econômicos e geopolíticos. James Monroe, presidente ianque entre 1817-1825, ficou famoso ao declarar que a “América é dos americanos”. Seu secretário de Estado, Willian Evarts, foi mais explicito na visão imperialista durante um encontro com banqueiros em Nova Iorque:

“A América para os americanos. Ora, proporia com prazer um aditamento: para os americanos, sim senhor, mas bem entendido, os americanos do norte. Comecemos pelo nosso caro vizinho, o México, de quem já comemos um bocado em 1848. Tomemo-lo. A América Central virá depois, abrindo nosso apetite para quando chegar a vez da América do Sul. Olhando para o mapa, vemos que aquele continente tem a forma de um presunto. O Tio Sam é bom de garfo: há de devorar este presunto. Isto é fatal, isto é apenas uma questão de tempo”. Philip Goldberg, conhecido por suas ligações com a CIA, é um adepto dessa visão. Lula sabe disso, só não quis ser mais direto.

Experiência em conflitos separatistas

Logo após ser indicado embaixador em La Paz, em 2006, o cientista político Luiz Alberto Moniz Bandeira, autor de várias obras sobre a política imperial dos EUA na América Latina, alertou que Goldberg daria dor de cabeça ao governo Evo Morales e investiria na divisão do país. No artigo “A balcanização da Bolívia”, ele advertiu: “Esse diplomata tem experiência em conflitos étnicos e tendências separatistas, que irromperam no Leste Europeu após a desintegração da Iugoslávia”. Ele lembrou que o “diplomata” trabalhou na questão da Bósnia, no Departamento de Estado, foi assistente do embaixador Richard Holbrook, o artífice da desintegração da Iugoslávia, e foi chefe da Missão dos EUA em Prístina, Kosovo, onde orientou a separação da Sérvia e Montenegro.

Para o renomado escritor, o separatismo faria parte dos planos estratégicos dos EUA, inclusive visando o controle de reservas de petróleo. No caso de Santa Cruz, principal foco da conspiração golpista contra Evo Morales, a região possui 2,8 trilhões de pés cúbicos de gás dos 26,7 trilhões de reservas provadas da Bolívia. “Se somadas às prováveis reservas, o volume sobe para 48,7 trilhões de pés cúbicos”, descreveu. Moniz apontou, então, que Goldberg fora escolhido a dedo pela administração Bush para “conduzir o processo de separação de Santa Cruz de la Sierra, em meio à exacerbação das tensões étnicas, sociais e políticas, aguçadas pelo choque de interesses econômicos das distintas regiões da Bolívia”. O seu presságio, infelizmente, agora se confirma!

O bordão da mídia golpista

Documento escrito por quatro deputados do Movimento ao Socialismo (MAS) relata vários fatos ocorridos nos departamentos da região leste que comprovam a ingerência política do “diplomata” com o objetivo de desestabilizar o governo Evo Morales e de dividir o país. O texto lembra que “no dia 13 de outubro de 2006, os EUA enviaram à Bolívia, como embaixador, Philip Goldberg, um especialista em fomentar conflitos separatistas”. Segundo os parlamentares, depois que Evo Morales venceu as eleições presidenciais de 18 de dezembro de 2005, os partidos tradicionais e as elites sofreram um duro golpe e Philip Goldberg se encarregou de reorganizá-los.

O texto mostra que o embaixador ianque organizou uma ampla coordenação de empresários do leste, com a participação dos donos da mídia privada e de políticos do movimento Podemos. A mídia se encarregou de manipular a sociedade, difundindo que o narcotráfico estava crescendo no país e que o governo era corrupto e culpado pela violência. O bordão foi que “Evo dividia a Bolívia”. A partir deste clima de desestabilização, ele se reúne, em maio passado, com o golpista Jorge Quiroga e acerta a convocação do referendo revogatório dos mandatos públicos. Em junho, ele viaja aos EUA para, segundo os deputados, definir um plano junto às agencias publicitárias visando desenvolver a guerra suja que

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