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O Novo Presidente da Colombia é um Criminoso Milionário

19.08.2010
 
Pages: 123
O Novo Presidente da Colombia é um Criminoso Milionário

Por Miguel Urbano Rodrigues*

Opinião: Subitamente, em Washington, Londres, Berlim e Paris, uma chuva de elogios caiu sobre a Colômbia. Um Estado policial, neofascista, mascarado de democracia, surgiu nas manchetes dos jornais de referência e no discurso dos estadistas do Ocidente como modelo para a América Latina.

Alvaro Uribe, o presidente que terminou o seu segundo mandato, foi nomeado co-presidente da comissão internacional criada pela ONU para levar adiante o inquérito sobre o ataque israelense à Flotilha da Liberdade. Simultaneamente, a prestigiada universidade de Georgetown, em Washington, convidou-o para dirigir, como catedrático, um curso de formação de dirigentes políticos.

Na posse de Juan Manuel Santos, seu sucessor, compareceram 16 chefes de Estado, na maioria da América Latina. Não faltou o príncipe herdeiro da Espanha. Durante dias o novo presidente foi saudado pelos grandes media ocidentais como um talentoso político democrático com um projecto inovador, decidido a imprimir à Colômbia uma orientação diferente da uribista, introduzindo no pais reformas profundas.

Todos estavam conscientes de que mentiam.

O discurso de Santos é diferente, mas a politica de terrorismo de estado vai prosseguir sob os aplausos dos EUA e da oligarquia mais reaccionária da América Latina.

Para a Casa Branca a Colômbia actual é uma democracia quase exemplar. O presidente foi também saudado com particular entusiasmo por Israel, intimo aliado.

Uma hipocrisia inocultável foi o denominador comum na apologia do herdeiro de Uribe pelos príncipes do capital.

De repente simularam esquecer o currículo de Juan Manuel Santos (1).

O sucessor de Uribe é um aventureiro da política e um criminoso cujas palavras mansas escondem um passado tenebroso.

JMS foi o principal responsável, como ministro da Defesa, do ataque pirata da força aérea e do exercito colombianos ao acampamento de Sucumbios no Equador, realizado com a cumplicidade do Pentágono, da CIA e da Mossad israelense em Fevereiro de 2008. Nesse bombardeamento morreram o comandante Raul Reyes, responsável pelas Relações Exteriores das Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia - Exército Popular, duas dezenas de combatentes da organização, e três jovens mexicanos que ali se encontravam . O presidente do Equador, Rafael Correa, respondeu ao acto de barbárie rompendo as relações com o governo de Bogotá e a Justiça equatoriana exigiu a extradição de Juan Manuel Santos para ser julgado como primeiro responsável pelo crime. O processo não foi avante porque Uribe alegou incompetência do tribunal do Equador para julgar o seu ministro.

Transcorrido um ano, tive a oportunidade de falar em Caracas com um jovem que assistiu ao bombardeamento e à posterior descida no acampamento de tropas aerotransportadas. Não esqueci o relato que ele fez da matança dos guerrilheiros, feridos, que tinham sobrevivido ao bombardeamento. Contrariamente ao que os media noticiaram, morreram combatendo.

O processo foi agora arquivado porque, sendo chefe de Estado, JMS goza de impunidade, mas julgo útil recordar que ele se orgulha de ter sido o autor intelectual da chacina de Sucumbios.

O ALVO: AS FARC-EP

Dos presidentes do México, do Peru, do Chile eram esperadas as homenagens a Santos.

Mas, estranhamente, presidentes como Lula, Cristina Kirchner, Mauricio Funes e Fernando Lugo não somente aderiram ao coro de elogios como manifestaram o seu apoio à chamada política de «segurança democrática» iniciada por Uribe e cuja continuidade foi defendida pelo novo presidente.

Mais, aproveitaram a oportunidade para criticar as organizações insurgentes e sugerir que as FARC-EP e o ELN abandonem a luta e se integrem no sistema, aceitando dialogar com Santos nas bases por este definidas.

Particularmente inesperada foi a posição assumida por Hugo Chavez. O presidente da Venezuela deslocou -se a Santa Marta, no Caribe colombiano, e, na casa onde Bolívar faleceu, trocou abraços com Santos, assinou acordos e assumiu compromissos que, pela forma e pelo conteúdo são chocantes.

Compreende-se que Chavez pretenda normalizar as relações com a Colômbia após a ruptura resultante da ultima provocação de Uribe (2) . Mas usou uma linguagem muito infeliz ao referir-se às organizações revolucionárias que combatem o estado neofascista colombiano, sugerindo na pratica que se submetam às exigências de JMS. Colocou as FARC-EP e o ELN no mesmo plano dos bandos criminosos do paramilitarismo e dos cartéis do narcotráfico.

AS FARC têm afirmado repetidamente a sua disponibilidade para dialogar com o governo sobre a necessidade de paz no país.

Mas qual é o conceito de dialogo de Santos, exaustivamente exposto durante a campanha eleitoral e no seu discurso de posse?

Três são as suas condições para o diálogo com as FARC:

Deposição prévia das armas; libertação imediata de todos os presos em seu poder; e «renuncia ao narcotráfico».

Que significam essas exigências?

Que Santos não quer dialogar; exige, sem o dizer expressamente, a capitulação incondicional das FARC-EP.

Se a guerrilha depusesse as armas previamente, ficaria à mercê do Poder oligárquico.

Cabe lembrar o genocídio político dos anos 80.

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