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A guerra dos snipers

19.07.2017
 
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Na história da humanidade, as guerras quase sempre serviram para nações mais poderosas se apossarem das riquezas das mais fracas. As exceções seriam as guerras de libertação nacional dos povos da África, Ásia e América Latina e possivelmente a da União Soviética contra a invasão nazista.

Elas, as guerras, se tornaram realidade quando os argumentos políticos que justificariam a submissão de um grupo econômico por outro, não são mais eficientes.

O general prussiano Carl Phillip Gottlieb Von Clausewitz (1780/1831) sintetizou essa mudança na sua famosa assertiva, publicada no livro "Da Guerra" (Von Kriegs), de que "a guerra é a continuação da política por outros meios"

Sendo, portanto, quase sempre um choque de interesses econômicos em conflito, a guerra acaba sendo vencida pelo lado mais forte.

Isso implica na utilização de grandes recursos tecnológicos e na mobilização de milhões de homens, sobrando pouco espaço para algum tipo de ação individual.

Por isso mesmo, quando um personagem, por alguma razão, consegue se destacar nesse meio, ele se transforma num verdadeiro herói.

É o caso dos franco atiradores, que os americanos tornaram conhecidos como os "snipers" e que pela sua ação, ajudaram a abalar a moral do inimigo, na medida em que agiam sempre de uma forma oculta.

Duas dessas figuras ficaram famosas e como não poderia deixar de ser, acabaram por ver suas façanhas transformadas em filmes de sucesso.

O primeiro e mais famoso desses 'snipers' foi uma mulher: Lyudmila Pavlichenko. Estudante de História da Universidade de Kiev, em1942, ela se alistou no Exército Vermelho e recusando a destinação para qual normalmente encaminhavam as mulheres - a enfermagem - atuou na infantaria.

Com seu rifle semi-automático Tokareve SVT-40, Lyudimila foi responsável pela morte de 500 inimigos, sendo 309 reconhecidos oficialmente, inclusive 36 "snipers" alemães.

Promovida a major, ela ganhou a Estrela de Ouro de Heróis da União Soviética.

Dizem que além da pontaria, Lyiudimila se destacava pela paciência em esperar o momento certo para atirar. Uma ocasião teria ficado imóvel durante incríveis 18 horas até chegar o momento certo para usar seu rifle.

Antes do final da guerra, visitou os Estados Unidos e foi a única militar da União Soviética recebida na Casa Branca pelo presidente Roosevelt e sua mulher Eleanor.

Curiosamente, ela foi homenageada pelo cantor de música country, Woody Guthrie, com a canção Miss Pavlichenko.

A história de Lyiudimila Pavlicenhenko, que morreu em 1974, aos 58 anos, está contada no filme russo-ucraniano de 2015, A Batalha de Sebastopol, de Sergei Mokritskiy, com Yuliya Peresild.

O "sniper" americano foi Chris Kyle, considerado o atirador mais letal da história militar dos Estados Unidos, com 255 mortes, dos quais 160 confirmadas pelo Pentágono. Chris Kyle, ao contrário de Lyiudimila, que agiu numa guerra defensiva contra um invasor estrangeiro,   participou da invasão norte-americana do Iraque.

Sua história foi contada num grande filme de Clint Eastwood de 2014, O Sniper Americano baseado nas suas memórias, relatadas no livro The Autobiography of the Most Lethal Sniper in U.S Military History.

Bradley Cooper viveu o papel de Kyle no filme, que foi o maior sucesso de bilheteria no ano de sua produção.

Embora o filme possa ser criticado pelo seu tom patriótico e até racista em certos momentos, não dá para não perceber como o diretor trata o seu personagem, transformado num homem solitário, incapaz de retornar à uma vida normal quando retornou do Iraque, bem diferente do que se espera de um herói americano

Marino Boeira é jornalista, formado em História pela UFRGS

 


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