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O cristão novo

19.05.2017
 
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Ele está por todos os lugares, fala sobre tudo, mas acima de tudo, forma com outros iguais um grupo muito atuante na política, é o Cristão Novo.

Devem existir também entre os defensores da direita, onde talvez sejam até a sua maioria, mas, como não freqüento estes grupos, os encontro com mais assiduidade na esquerda.

Não perdem seu tempo lendo Marx, Lenin ou Trotsky.

Para que, se eles já sabem tudo.

No passado, eles eram mais encontrados no Partidão, onde ditavam a lei e "cagavam" regras. Caso você manifestasse um interesse menos ideológico e mais físico pela sua camarada de ativismo político, você estava tendo um desvio de comportamento que logo o enquadrava na condição de burguês.

Hoje, eles estão no PT e no PSOL, mais ainda no segundo, que pretende recuperar a pureza de comportamento que os petistas perderam ao longo de sua vida, felizmente.

Outro dia, escrevi um artigo sobre a necessidade de defender a candidatura de Lula em 2018, mas "mantendo um pé atrás".

Como, com um pé atrás, reclamaram alguns, indignados?

Devemos ter os dois pés pra frente, disseram,aproveitando a minha metáfora para uma leitura diferente.

Não adiantou explicar que era uma forma de cobrar do Lula que ele faça alguns arranjos  necessários para governar, mas não tantos como ele e a Dilma fizeram no passado.

Talvez, eles tenham razão.

Que a hora seja de união total.

As diferenças, resolvemos depois.

Unidos, venceremos.

Difícil discutir com os cristãos novos.

Estava quase concordando com eles, quando leio o novo lema pregado por Slavoj Zizek, na introdução do seu livro Problema no Paraíso - Do Fim da História ao Fim do Capitalismo - Divididos Venceremos.

Que os cristãos novos não nos ouçam, mas eles, com a ânsia que têm em obter uma unidade de pensamento entre todos, certamente se dariam mal nos primórdios da Revolução Soviética, quando todos brigavam com todos e continuaram assim durante os primeiros anos da URSS.

Talvez, o problema tenha sido, não essas discordâncias ferozes entre os revolucionários (Trotsky, Kamenev, Zinoviev, Kirov, Stalin) mas a vitória da unanimidade conseguida a ferro e fogo por Stalin.

Uma velha piada diz que as esquerdas só se unem na cadeia. Talvez, em vez de um demérito, seja a sua grande força.
Marino Boeira é jornalista, formado em História pela UFRGS

 


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