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Palestina: 61 anos de seguidas nakbas (tragédias)

19.05.2009
 
Pages: 12
Palestina: 61 anos de seguidas nakbas (tragédias)

Neste 15 de maio o mundo lembrou, pela 61ª. vez consecutiva, como a Palestina foi riscada do mapa e seu povo massacrado por imigrantes judeus de diversas partes do planeta que para lá acorreram, sob o manto do colonialismo imperialista britânico, muitos deles fugitivos de perseguições sofridas na Europa e outras nações ocidentais.

Tudo aconteceu num período que se estende de 1946 a 1948, culminando com a declaração unilateral e ilegal de um estado judaico sobre terras e cadáveres de milhares de palestinos mortos e perto de 800 mil expulsos, mais da metade da população palestina da época, tornada refugiada e hoje contada em mais de 4 milhões, a maior população refugiada do mundo nos dias de hoje e a que mais tempo assim permaneceu em toda a história humana.

Esta catástrofe – este é o significado da palavra árabe Nakba – se deu poucos meses, a considerar o início de seu recrudescimento, em 1946, da descoberta pelo mundo incrédulo das múltiplas tragédias provocadas na Europa pela 2ª. Guerra Mundial, dentre as quais a assombrosa perseguição e matança dos europeus de fé judaica. Como se não bastasse, a humanidade presencia nova tragédia, desta vez contra os palestinos, perpetrada justamente pelas maiores vítimas da tragédia européia, os judeus, que promovem a maior e mais rápida limpeza étnica de que se tem notícia, marcada pela barbárie e crueldade premeditadas muitos anos antes.

Não há como entender a catástrofe do povo palestino sem entender o nascimento de seu algoz, que vem à luz por meio de uma agressividade genocida promovida por um conjunto de homens e mulheres que até hoje se julgam um povo especial, que atua por mandato divino.

Olhando para trás, remontando aos finais do século retrasado e início do passado, passando pelas décadas que antecederam o triênio da catástrofe palestina, de 46 a 48, e neste pontuando as quase mil povoações, aldeias e cidades palestinas varridas do mapa, destacando-se os massacres sem precedentes promovidos em Deir Yassin, Kibya, Lod, Ramleh, Samouh, Kafr Kasem, e chegando às últimas duas décadas e meia, manchadas pelos massacres de crianças, mulheres e velhos desarmados e indefesos em Sabra e Shatila, Jenin e Gaza, parece nada ter mudado nas mentes daqueles que se acreditam eleitos pelo divino.

Aos que viram tanques e toda maquinaria de guerra sitiando e matando em Gaza, há poucos meses, com soldados israelenses – homens e mulheres – de quipá e Tora, o livro sagrado dos judeus, rezando diante do banho de sangue, não pareceria tão distante a seguinte passagem bíblica velho-testamentária: "Quando tiverdes atravessado o Jordão entrando pela terra de Canaã, afastareis do vosso caminho todos os moradores do país e destruireis todos os seus ídolos de pedra, e todas as suas imagens fundidas e destruireis todos os lugares elevados: e expulsareis os moradores da terra e residireis nela porque eu vo-la dei para que seja a vossa propriedade (cap. 33, vers 50 a 53 ). Porque tu és povo santo para Jeová, o teu deus. Jeová, o teu deus te escolheu como povo especial, mais do que todos os povos que estão sobre a terra (cap. 7, vers 6). E destruíram a fio de espada tudo o que havia na cidade; homens e mulheres, moços e velhos, até os bois, as ovelhas e os burros." (cap. 8, vers 24 e 26 (...) Subiu logo Josué e todo Israel com ele de Eglon a Hebron e combateram esta (...)matou tudo o que tinha vida, como Jeová, deus de Israel, lhe tinha ordenado.(cap. 10, vers 34 e 40).

Israel nasce do escárnio sionista, aliado do imperialismo britânico. Do lado sionista a liderança e limpeza étnica eram promovidas pelos grupos terroristas Haganah, Irgun e Stern, cumprindo aos britânicos desarmar os palestinos, prende-los e tortura-los e impedir que se organizassem.

Além de assassinar milhares de palestinos, as organizações terroristas sionistas perpetraram crimes contra as próprias autoridades mandatárias britânicas, culminando com o grotesco assassinato, promovido pela banda terrorista Stern, do secretário geral da ONU, conde Folke Bernadotte. E é da estrutura organizacional destes grupos terroristas que nasce o futuro estado judaico e seu exército. Todos os seus dirigentes e comandantes militaram nestes grupos terroristas e atuaram nos massacres de palestinos.

E como que dando seqüência ao mandato divido velho-testamentário, a escolha da dirigência israelense segue a trilha de sangue palestino. O comandante direto de grande parte dessa barbárie na Palestina neste período, inclusive do massacre sem precedentes de 254 moradores, quase todos mulheres e crianças, em Deir Yassin, Menahem Béguin, por exemplo, tornou-se primeiro ministro de Israel.

E todos os que governaram o estado judaico desde então tomaram parte, direta ou indiretamente – quase todos diretamente – destes massacres e dos que vieram a seguir: Chaim Weizman, Ben Gurion, Moshe Sharett, Levi Eshkol, Yiagal Allon, Golda Meir (arrecadou fundos para as bandas terroristas e comparou os palestinos e árabes em geral a baratas), Yitzhak Rabin, Shimon Peres, Menahem Begin, Benjamin Netanyahu, Ariel Sharon (massacrou no Líbano, em 1982, tendo ganho notoriedade e cassado pelo mundo todo devido aos massacres de Sabra e Shatila) e Ehud Olmert.

Rigorosamente todos cometeram crimes contra os palestinos e de lesa humanidade, todos foram acusados em cortes internacionais, inclusive na ONU, e sempre foram eleitos e reeleitos dirigentes de Israel.

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