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Obrigado, Camarada Fidel!

19.02.2008
 
Obrigado, Camarada Fidel!

Depois de quase 50 anos de liderança heróica, Fidel Castro Ruz se demite como Presidente da Cuba, tendo sobrevivido numerosas tentativas de assassínio pela CIA, tendo enfrentado décadas de um bloqueio económico desumano, tendo construído um válido exemplo de um modelo sócio-económico alternativo para o futuro, enquanto fornece substanciais programas de ajuda humanitária nos países em desenvolvimento.

Fidel Castro Ruz vai entrar nos anais da história como Herói da Humanidade. Entrou triunfalmente em Havana em Janeiro de 1959 depois de uma campanha de guerrilha de dois anos contra o governo inconstitucional do ditador Fulgêncio Batista.

Herdou um país pobre e atrasado, com uma população analfabeta, o quintal dos EUA cujos ricos e poderosos trataram Havana como um bordel e a ilha como um campo de recreio. Fidel Castro fechou os casinos, limpou Havana, organizou a ilha e começou a implementar um governo socialista progressivo que providenciou serviços públicos de qualidade e abriu oportunidades para todos os cidadãos.

Os Estados Unidos da América, porém, tinha outras ideias; organizou e financiou a invasão da Baia dos Porcos em Abril de 1961, invasão que foi destruída pelas forças de Castro. Washington nunca o perdoou. O bloqueio económico seguiu em 1962, uma tentativa de estrangular o país.

Conforme Fidel Castro resistiu e sobreviveu numerosas tentativas de assassínio perpetradas pela CIA, a Cuba e a sociedade cubana resistiram e sobreviveram, apesar de todas as tentativas de sabotar o modelo. Cuba foi devolvida aos cubanos. Foram instalados excelentes sistemas de educação e cuidados de saúde, foram garantidos como direitos básicos acomodação, emprego, actividades de lazer, transportação, energia e pensões, além de bens básicos.

Em 1963, Fidel Castro

Obrigado, Camarada Fidel!
lançou a internacionalização do modelo cubano, exportando programas de cooperação nas áreas de educação, cuidados de saúde e desenvolvimento sem qualquer interesse de retorno económico. Hoje, Cuba apoia quase 30.000 trabalhadores na área de saúde em quase 70 países, enquanto um programa de formação médica com 19 faculdades de medicina na África, e a Escuela Latino Americana de Medicina, em Cuba, frequentada por 9.000 estudantes de vários países, forma os médicos e enfermeiros de amanhã. Todas estas iniciativas são financiadas por Cuba. Nenhuma destas iniciativas é noticiada na média tendenciosa ocidental.

Fidel Castro se demite, sabendo que a sua Revolução e sua implementação bem sucedida de um modelo viável irão sobreviver, sabendo que forneceu à Humanidade um exemplo brilhante de aquilo que pode ser feito para ajudar milhões de pessoas, providenciando serviços públicos e não se preocupando apenas em sempre fazer lucro.

Num mundo em que o capitalismo monetarista está cada vez mais a espremer a alma da humanidade, onde gigantescas corporações estão gradualmente tomando controlo das rédeas da riqueza e dos meios de produção, Cuba aparece como um oásis, demonstrando que é possível construir um modelo socialmente progressivo com poucos recursos e demonstrando quão contagioso pode ser a visão e vontade de um homem, em fornecer programas de desenvolvimento social gratuitamente, que ajudaram as vidas de tantas milhões de pessoas pelo mundo fora ao longo de meio século.

Poderá ainda não ver a implementação do seu modelo numa escala mundial mas isso não importa. Lançou a semente e entra na sua reforma, Estadista mundial sénior, mundialmente respeitado e sabe que amanhã é precisamente estas sementes que irão derrubar o monstro do capitalismo monetarista. Iluminou o caminho. Abriu uma porta.

Nunca nada disso será esquecido, nem nunca deverá ser. E por isso tudo, Camarada Fidel, obrigado!

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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