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Impulso de hegemonia dos Estados Unidos no mundo

18.09.2008
 
Pages: 123
Impulso de hegemonia dos Estados Unidos no mundo

By Gaither Stewart

(Roma) É um paradoxo que o americanismo, do qual os estadunidenses são tão ciosos, seja fonte de antiamericanismo pandêmico ao redor do mundo. Precisamente o mesmo americanismo do qual os estadunidenses se vangloriam gera uma antipatia mundial em relação a eles. E, nos dias de hoje, não apenas em relação ao governo dos Estados Unidos, mas em muitos lugares - começando com o Iraque, como testemunhado por escritores de blog de lá - essa antipatia, esse ódio, estão voltados contra estadunidenses em geral.

"Temos ódio dos estadunidenses!"

É de indagar se há algum grande equívoco em cena. Será uma questão cultural? Uma falta de informações verdadeiras a respeito do americanismo e do que ele significa? São os estadunidenses simplesmente incompreendidos no mundo?

O que possa ser, as naturezas do americanismo tal como entendido pela maioria dos estadunidenses e tal como percebido e experimentado por não-estadunidenses são tão diametralmente opostas que, por vezes, os dois conceitos parecem dizer respeito a diferentes épocas históricas e diferentes locais geográficos; os estadunidenses e os outros parecem habitar mundos diferentes.

Muito bem, então o que é ele, esse americanismo? De minha perspectiva privilegiada, experimento formas de americanismo principalmente no contexto de tendências hegemônicas, globalização intimidadora, arrogância, militarismo e imperialismo dos Estados Unidos da América.

Um exemplo conspícuo, arrogante, é a construção de mais outra base militar dos Estados Unidos na velha cidade de Vicenza no norte da Itália, onde (anacronicamente) soldados estadunidenses em roupa militar correm em ritmo lento pelas ruas de pavimento de pedra do centro da cidade, como se fosse tempo de guerra, como se fossem deles, passando por catedrais e arquitetura de Palladio, dando voltas e esquivando-se entre mulheres e crianças.

Essa exibição militar é uma forma de o americanismo tornar-se antiamericanismo na Europa. Nesse caso particular a insistência em tornar a pequena e subordinada Itália num porta-aviões a serviço dos Estados Unidos imperialistas já alienou muito do norte da Itália.

Ao falar, entretanto, de americanismo, não tenho em mente apenas o militarismo estadunidense e suas guerras preventivas! Pois há algo no patriotismo exagerado do próprio torrão natal que as outras pessoas de fora experimentam em primeira mão.

Essas outras pessoas que conhecem bem os Estados Unidos detestam os Estados Unidos superpatrióticos, Amerika über alles — os especialistas estrangeiros e jornalistas e acadêmicos e cientistas residentes nos Estados Unidos, até aqueles estrangeiros nas artes, atraídos por um dos admiráveis aspectos da "América" — nos dias atuais cada vez mais difícil de encontrar — isto é, a velocidade e os altos tetos concedidos às idéias novas.

Até turistas não-estadunidenses deslumbrados do tipo que visita a Disneylândia e Las Vegas, que pouco sabem da vida estadunidense, instintivamente vêem a agitação superpatriótica de bandeiras, a entoação do hino A Bandeira Coruscante de Estrelas dos Estados Unidos como expressões vulgares de americanismo. Finalmente, tais visões de mundo coincidem com o americanismo identificado, analisado e criticado por um grupo pequeno, mas crescente, de estadunidenses conscientes.

As implicações da palavra americanismo haviam de há muito pervagado em minha mente antes de, recentemente, eu ter ouvido essa palavra usada num programa italiano de entrevistas com referência às guerras externas dos Estados Unidos. Meu pensamento espontâneo foi, OK, mas isso é muito redutivo. A coisa é, uma vez que você use a palavra só naquele contexto, é como abrir a caixa de Pandora; você tem que estar disposto a dar o próximo passo e perquirir o que o americanismo realmente é.

Je vous demande pardon! se começo imediatamente a debruar em excesso ao longo das orlas. Minha desculpa é que o tema é ameaçadoramente amplo demais para ser abarcado num único artigo. Ainda assim, digressões por vezes levam inevitavelmente direto ao cerne do assunto. Ou, para usar a velha expressão dos marujos italianos, avanzare di ritorno — avançar retornando. E, por falar nisso, o primeiro parágrafo anterior já localiza o alvo.

ONDE PROBLEMAS SE DERRETEM COMO GOTAS DE LIMÃO

"Em algum lugar, acima do arco-íris

Muito acima
Há uma terra acerca da qual ouvi

Uma vez numa canção de ninar."

A imagem excessivamente doce, excessivamente otimista retorna como um leitmotiv. Ao mesmo tempo repele e atrai, a terra da qual ouvi falar, a terra que existe apenas nas imagens dos sonhadores. O que tenho em mente é um tema favorito, o famoso ir-à-guerra-pelo "estilo de vida estadunidense," o qual, para mim, sublinha as persistentes reivindicações dos Estados Unidos do monopólio da moralidade.

O que é ela, a moralidade estadunidense? Essa retidão? Ela é nossas raízes religiosas na fábula dos colonos puritanos, aquelas pessoas super-religiosas que, em sua desventura eram intolerantes, talvez também praticantes do incesto e racistas logo transformadas em chauvinistas dogmáticas que muito cedo rotularam seus dissidentes e os que pensavam diferente de bruxas e demônios.

Pré-americanismo! O mesmo americanismo então iniciado o qual, hoje, promove os direitos dos ricos se tornarem mais ricos, dos fortes de tripudiar sobre os fracos e o desdém por, e o esmagamento de, qualquer coisa que cheire a social em nosso país, reais sindicatos de trabalhadores e, queira Deus que não, assistência universal de saúde.

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