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Exclusivo FARC: PRAVDA.Ru entrevista Raúl Reyes

18.09.2006
 
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Exclusivo FARC: PRAVDA.Ru entrevista Raúl Reyes

Prezado Timi, antes de me dedicar a responder sua importante entrevista, permita que lhe expresse o saúdo cordial e revolucionário dos Comandos, guerrilheiras e guerrilheiros das FARC-Exército do Povo. Da mesma forma, gostaríamos de cumprimentar as leitoras e leitores desse prestigiado Jornal.

Abraço bolivariano para ti e seus internautas.

Raúl.

1. Qual a situação atual entre o Governo da Colômbia e as FARC-EP?

Neste momento não existe nenhum canal de comunicação entre Governo da Colômbia e as FARC-EP. O Presidente Uribe está dedicado a sua política de guerra consistente em utilizar todos os recursos do Estado junto aos mais de três bilhões de dólares, que o governo dos Estados Unidos, aportou para bancar o Plano de liquidar as FARC pela via militar. Nesse contexto de guerra total, o governo colombiano nega a existência do conflito interno expressando assim, uma inexplicável contradição. As FARC são povo em armas, surgiram em 1964 como oposição política ao Estado e ao Governo colombiano, em resposta às políticas de exploração, desemprego, ausência de liberdades e negação dos direitos do povo e dos trabalhadores. Lutamos pela conquista do poder, queremos construir a Nova Colômbia livre de exploradores e sem explorados, onde impere a Justiça Social, a democracia, se respeite a dignidade de nosso povo e a soberania da Pátria. Mantemos vigente a proposta de que o governo retire a força pública dos dois municípios, Florida e Pradera, no Estado do Valle del Cauca, para poder aí assinar o Acordo Humanitário que permita a liberação de mais ou menos 600 pessoas privadas da liberdade por problemas derivados do conflito interno, e que atualmente estão em poder do Governo e das FARC-EP. Infelizmente, o senhor Uribe se opõe a aceitar o despejo dos municípios porque privilegia as saídas de força e acredita no triunfo militar sobre a guerrilha revolucionária das FARC.

2. Poderia dizer-nos algo sobre os programas sociais nas áreas controladas pelas FARC-EP?

Em primeiro lugar, ratificamos que as FARC-EP têm presença ativa e permanente, praticamente em todo o território nacional, por meio de organizações de massas, populares, do Partido Comunista Clandestino, o Movimento Bolivariano pela Nova Colômbia, através das quais influímos com nossa concepção revolucionária em defesa dos interesses da população desamparada pelo Estado e os governos. As unidades guerrilheiras participam na construção de caminhos, pontes, estradas de chão, reparação e construção de escolas, postos de saúde, redes elétricas, aquedutos e programas de produção agropecuária, entre outros. Igualmente, organizam brigadas de saúde gratuitas nas que participam médicos, enfermeiros e odontólogos, oferecendo assim, socorro à população enferma e desamparada pelas entidades estatais. Escutam com muita atenção a qualquer pessoa, seja que for, quando pede orientação ou manifesta alguma queixa ou problema. Ninguém sae dos acampamentos de mãos vazias, pois sabemos que se nos procuram é porque acreditam em nós, porque vêm em nós a Autoridade do Estado Alternativo e não devemos nem podemos jamais enganar ou mentir para ninguém. Nos alegramos quando as pessoas ficam como mais leves ao ver que as escutamos e ajudamos a diminuir suas angustias e necessidades. Trata-se de ir aos poucos criando seres humanos novos, justos e fraternos.

3. A futuro, quais as perspectivas da solução política do conflito e a conversão das FARC-EP em partido político?

No Programa Agrário dos Guerrilheiros das FARC, lançado como Plataforma de Luta em Marquetalia, em 20 de Julho de 1964 e, corrigido e ampliado na Oitava Conferência de Guerrilheiros em 1983, afirmamos:

“… Por isso as FARC-EP têm-se constituído em uma organização política militar que recolhe as bandeiras bolivarianas e as tradições libertárias de nosso povo para lutar pelo poder e levar à Colômbia ao exercício pleno de sua soberania nacional e fazer vigente a soberania popular. Lutamos pelo estabelecimento de um regime democrático que garante a Paz com Justiça Social, o respeito dos Direitos Humanos e um desenvolvimento econômico com bem-estar para todos os que vivem na Colômbia”.

Todo isto é possível que seja alcançado pelo povo colombiano quando possa retirar de seu caminho o maior e pior empecilho: a guerra infame que o Império Norte-americano e o Governo colombiano desde há anos mantêm na Colômbia. Ou seja, quando as partes em conflito, com vontade política respondam ao clamor nacional pela Paz com Justiça Social.

4. É verdade que os paramilitares foram desmobilizados?

Na Primeira Magistratura do país há um narco-paramilitar e, para completar, também fascista. A farsa dos supostos diálogos com os paramilitares, patrocinada por ele é para legalizar os capitais do narcotráfico e, cobrir com o manto da impunidade os crimes de Lesa Humanidade cometidos por essas hordas de assassinos que têm massacrado o povo colombiano.

5. Será que o Governo está disposto a apostar-lhe à busca da Paz, já que a guerra não tem dado resultados?

A resposta a essa importante pergunta lhe corresponde ao Governo. Não há pior cego que aquele que não quer ver!

6. De que maneira ajudaria à busca da Paz, negociar entre as partes em conflito um Acordo para o Intercambio Humanitário?

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