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Freira italiana assassinada na Somália. Quem tem a culpa?

18.09.2006
 
Freira italiana assassinada na Somália. Quem tem a culpa?

A tentativa de apaziguamento de Bento XVI foi rejeitada por vários influentes quadrantes do mundo islâmico. Desde a Irmandade Muçulmana Egípcia, até aos ayatollahs do Irão, passando pelo Hamas que governa a Palestina autónoma, todos dizem que a declaração do Papa, deste domingo, não foi o pedido de desculpas que continuam a exigir. E a crise aberta com as palavras do Sumo Pontífice, no dia 12 de Setembro, numa universidade alemã, pode já ter feito a primeira vítima fatal.

Dois homens armados mataram uma feira italiana e seu guarda-costas na entrada de um hospital em Mogadiscio, capital da Somália. O país, situado no chifre da África, vive em estado de anarquia desde que senhoras da guerra destituíram um ditador em 1991. Recentemente, fundamentalistas islâmicos tomaram o controle da capital, impondo regras restritas à população.

Irmã Leonella foi baleada quatro vezes nas costas quando entrava em hospital para mulheres e crianças onde trabalhava, situado na violenta região norte de Mogadiscio. O guarda-costas teve morte imediata. A irmã Leonella ainda sobreviveu até ao bloco operatório com ferimentos no peito, estômago e costas. O corpo de Leonella será enviado a Nairobi, no Quênia, antes de seguir para a Itália, comunicou A Tarde On Line.

A freira falava somaliano fluentemente e tinha 65 anos. Ela trabalhava no hospital desde 2002, segundo funcionários do hospital, que quiseram permanecer anônimos, com medo de represálias. Como muitos estrangeiros, a freira costuma viajar pela Somália com um guarda-costas.

Uma pessoa foi presa, e buscas estavam sendo realizadas para encontrar um segundo homem, informou o chefe da segurança da milícia islâmica que controla a cidade, Yusuf Mohamed Siad.

Siad disse também que o assassinato pode estar relacionado às declarações do papa, mas afirmou não ter certeza de nada. "Eles (os dois homens que mataram a freira) poderiam estar incomodados com o discurso do papa, coisa que deixou furiosa toda a comunidade muçulmana ao redor do mundo", disse.

O atentado aconteceu horas após um clérigo somaliano condenar a atitude do papa Bento XVI. "As palavras do papa foram não só erradas como irresponsáveis", disse o xeque Nor Barud.

"Eu tenho certeza que os assassinos estavam furiosos com o discurso do papa", disse uma das muitas pessoas que presenciaram o incidente.

Um porta-voz do Vaticano chamou o acontecimento de um "episódio horrível". "Esperamos que seja um fato isolado", declarou o reverendo Federico Lombardi. Ele espera que o ódio que os muçulmanos estão sentido passe após o discurso feito pelo papa neste domingo. Em sua primeira aparição pública desde o desencadeamento da atual crise com a comunidade muçulmana, o pontífice lamentou a fúria gerada e disse estar "profundamente desgostoso".



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