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O grito de Independência, um grito de batalha

18.07.2010
 
Pages: 123
O grito de Independência, um grito de batalha

"Aqui não haverá tiranos nem anarquia enquanto eu respire de espada em mãos" (Simón Bolívar).

Estamos em marcha pela dignidade da pátria. A Batalha pela independência não terminou e entrou já em sua etapa decisiva.

Não podemos proclamarmos livres quando a política de dominação de um império nos subjuga e nos submete com a cumplicidade apátrida das oligarquias e, nos aprisionam as desumanas correntes da escravidão neoliberal.

Um país ocupado militarmente não é independente. Não podemos declararmos soberanos quando a força militar de uma potência estrangeira enche de bases o território pátrio e, pisoteia a dignidade nacional. Eis como e a bandeira dos EUA ondeia sobre nossa América sua ameaça e sede de espólio. Mas, sim, podemos declararmos povo em luta pela liberdade!

Estamos já na batalha. Com Bolívar nos iluminando: "todos os povos do mundo que tem lutado pela liberdade têm exterminado por fim seus tiranos".

A justa causa dos povos não pode ser derrotada. A espada de batalha do Libertador, agora em mãos do povo, abrirá os caminhos da esperança e triunfará na contenda pela definitiva emancipação.

Temos hoje a insígnia com es três cores do bicentenário como símbolo da luta e como homenagem aos libertadores que sonharam a Grande Nação de Repúblicas, escudo de nosso destino, aos que nos deram pátria pensando na humanidade e se sacrificaram nos campos de batalha para dignificar os homens e mulheres americanos.

Como duzentos anos atrás "em Bolívar está a emancipação". Essa certeza espalhada sobre o céu de América pelo prócer Camilo Torres, deve ser a divisa de nossa campanha na alvorada doSocialismo e da Pátria Grande que ilumina o Continente e a América Insular. A colheita amorosa dos libertadores concebida para os povos não pode ser usurpada nem um minuto a mais pelos herdeiros de Satander e sua perfidia; deve ser desfrutada pelos destinatários originais: nossos povos. O sangue dos libertadores não adubou os campos de batalha para fazer mais ricos aos ricos nem facilitar novas correntes coloniais, mas para redimir o soberano que é o povo.

Rendemos tributo nesta comemoração ao inca Tupac Amaru, ao comuneiro José Antonio Galán, ao negro José Leonardo Chirinos e a todos os esquartejados pela criminal opressão da coroa espanhola. Honra à jovem Policarpa Salavarrieta arcabuzada pelos terroristas pacificadores encabeçados por o general espanhol Paulo Morillo. Glória eterna a Francisco José de Caldas, Camilo Torres Tenório, a Francisco Carbonel e, a todos aqueles que supliciados nos patíbulos, nos mostraram com seu exemplo o caminho da liberdade.

Aos precursores de nossa independência, Miranda, Nariño e Espejo, nosso reconhecimento eterno. Desenterremos esses grandes patriotas, tirando-os das covas comuns do esquecimento nas quais foram confinados pela mentirosa historiografia dos que desviaram o rumo da pátria, para que continuem na batalha.

Ainda ressoava o eco da vitória de Ayacuho quando entalhou a contra-revolução na ambição sem medida da oligarquia crioula pelo poder político ilimitado. Ela encontrou na Doutrina Monroe intriga e alento permanente para dividir o território e despedaçar a obra legislativa bolivariana que colocava o interesse comum por encima do particular.

Tal como o prognosticou o Libertador, a oligarquia nascente não tardou em buscar um novo amo. Atacou a concepção bolivariana da unidade dos povos em uma Grande Nação, apoiada no sofisma da Doutrina Monroe, usada como ponto de apóio para assaltar o poder e lograr seu miserável sonho de substituir os vireis na opressão. Essa Doutrina era o disfarce da ambição sem controle do Destino Manifesto, cuja essência consistiu em anexar repúblicas, saquear recursos e, submeter os povos politicamente.

Assim, traiu a grandeza trocando a possibilidade do surgimento de um novo poder continental que fosse equilíbrio do universo e esperança da humanidade, pela submissão a uma potência estrangeira. Só lhes interessava assaltar o poder político com a ajuda externa para acrescentar suas fortunas pessoais e pôr-as a salvo da revolução social. Obedientes a seu novo amo desmobilizaram, por conveniência recíproca, o Exército Libertador, único garante da independência e das conquistas sociais, assim como força dissuasiva das ambições neocoloniais do governo de Washington.

Os agressivos líderes no Norte, inspirados sempre no cálculo aritmético, possuídos pela ambição de erigir sua prosperidade sobre a base do espólio dos povos do sul, não podiam tolerar a implantação do plano estratégico de Bolívar no Congresso de Panamá que contemplava a formação de uma liga perpétua das nações antes colônias espanholas, presidida por uma autoridade política permanente, com um exército unificado concebido para a defesa e para a campanha da libertação das ilhas de Cuba e Porto Rico, consideradas por Washington, apêndices de seu espaço continental.

Mortificava-os a idéia do Libertador de fazer efetiva a cidadania hispanoamericana entre povos irmãos, o estabelecimento de um poder político inimigo da escravidão, e sobretudo, o propósito de impulsionar um regime de comércio preferencial que fizera prevalecer a cláusula de nação mais favorecida para as repúblicas irmãs coligadas.

Todas essas medidas pensadas pelo Libertador Simón Bolívar para preservar a independência e a dignidade das nações hispanoamericanas se interponham como fortificação inexpugnável frente às insólitas pretensões do Destino Manifesto, inventado pelos fundadores do império para auto-legitimar o espólio.

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