Pravda.ru

Mundo

Piedad Córdoba: Crônica de uma noite de lembranças

18.04.2010
 
Pages: 12
Piedad Córdoba: Crônica de uma noite de lembranças

Senadora colombiana Piedad Córdoba: “gostaríamos que os refugiados estivessem conosco nessa busca pela paz pela Colômbia”.

A sala da Universidade de Genebra estava cheia para escutar a senadora colombiana, os presentes a receberam com um forte aplauso de boas vindas. O prefeito da cidade de Genebra, Remy Pagani, lhe deu as boas vindas, em nome do poder executivo da cidade. A senadora surpreendeu-se de ver na sala, a alguns sobreviventes da UP, que estiveram juntos com ela no parlamento, e nas ações pela paz na Colômbia. Gostaríamos que vocês estivessem conosco, disse dirigindo-se aos presentes, muitos refugiados, imigrantes colombianos, suíços, no meio da multidão. Córdoba reconheceu ao ex-senador da UP Hernán Motta, à ex-presidente da UP, Ainda Avella, e a outros tantos rostos familiares da luta na Colômbia - “pareceria repetitivo, mas devo lhes dizer que a situação da Colômbia piorou, em relação a como vocês a deixaram quando partiram”.

A senadora fez um apanhado, pelos assassinatos a sangue frio, os mal chamados “falsos positivos”, os grampos do DAS, a infiltração paramilitar nas instituições, o êxodo forçado, o financiamento mafioso das campanhas políticas, em fim, ao ouvi-la as imagens e as más recordações nos invadiram, e muitos na sala não puderam evitar as lágrimas.

O que é um falso positivo, informação para estrangeiros?

Consciente que muitos europeus na sala necessitavam de uma explicação sobre esta modalidade de execuções extrajudiciais, a senadora ilustrou como a política de recompensas que o governo gerou e no qual Juan Manuel Santos, atual candidato do regime e ex-ministro da guerra de Uribe, promoveu nos militares para mostrar resultados vitoriosos da política estatal, para ganhar promoções na cúpula militar, o que na realidade foi a implementação sistemática de assassinatos contra jovens pobres de Soacha e outras regiões, que foram assassinados e apresentados como guerrilheiros mortos em combate. Para os presentes ficou claro que as famosas cifras de guerrilheiros mortos em combate foram insufladas em detrimento da vida de jovens pobres assassinados pela política estatal.

A negativa sistemática do conflito e o nascimento de Colombianos e Colombianas pela Paz

“Nessa negativa do conflito colombiano por parte do governo, nasce a organização Colombianos e Colombianas pela Paz, que considera que a solução do conflito colombiano passa pelo reconhecimento do mesmo. Empenham-se em negar a existência do conflito social, político e armado apesar das cifras e dos horrores que temos escutado. Na Colômbia escandalizam-se quando falo dos fornos crematórios com que os paramilitares fazem desaparecer suas vitimas”. A senadora mostra para o auditório os diversos testemunhos de paramilitares, aos quais teve acesso. Lembremos que a senadora visitou, nas prisões, os chefes paramilitares extraditados aos EUA e na Colômbia.

“Por exemplo, o paramilitar conhecido por o 'Iguano', contou-nos na prisão de Cúcuta, antes de ser extraditado, como funcionam os fornos crematórios. A própria revista Semana revelou uma foto deles. Os fornos foram construídos no Norte de Santander, ali teve gente cremada viva, e isso foi comprovado e ninguém pode negar. O 'Iguano' é um homem pobre, que participou com tal maestria no genocídio cometido em Urabá, que foi enviado ao Norte de Santander, desta vez como chefe. Seu testemunho é indescritível e não dá para explicar como chegamos a tanto horror, como utilizar os famosos lagos com crocodilos para fazer desaparecer as pessoas. O “Iguano” informou que somente ele, havia matado 5.900 e até agora só pode confessar 132. Nestes números aparecem sindicalistas, intelectuais, defensores dos direitos humanos, opositores políticos, e todo aquele que seja acusado de pertencer à guerrilha”.

“Com estes depoimentos, tivemos acesso a informação privilegiada sobre quem está por trás dos paramilitares, quem são os seis patriotas de quem fala Castaño, quem são os financiadores e instigadores do paramilitarismo. O relato de o “Iguano” tem somente quatro meses, assim, estou falando do presente na Colômbia. Em Colombianos e Colombianas pela Paz, desde o intercâmbio epistolar com as FARC-EP e ELN, temos nos comprometido com o intercâmbio humanitário e na busca de caminhos para a solução política, dois momentos foram muito difíceis, o bombardeio no Equador, e a operação Xeque, que poderiam ter feito perder a confiança da insurgência nas gestões pela libertação dos prisioneiros de guerra, principalmente no ambiente do predomínio do resgate militar, e a forma como a mídia informa parcialmente ao país, escondendo deliberadamente a realidade. Estes caminhos, que exploramos desde a sociedade civil, tem se estendido, os estudantes se engajando, e outros setores muito importantes da sociedade colombiana”.

Depois da marchas organizadas pelo governo contra o seqüestro, iniciou-se uma guerra contra nós, onde nos insultaram e intimidaram, mas com tudo isso, a paz na Colômbia não tem volta, custe o que custar. Em Colombianos e Colombianas pela Paz somos conscientes de que na Colômbia há partidários das libertações sem contraparte, e outro setor que comparte o intercâmbio humanitário. Pronunciamo-nós contra o seqüestro, temos enviado cartas à insurgência sobre isso, que vocês podem ler no nosso site de internet. Temos contribuído para o

Pages: 12

Loading. Please wait...

Fotos popular