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Diferentes visões sobre o Tibete

18.04.2008
 
Diferentes visões sobre o Tibete

A mídia ocidental quer apresentar os tumultos havidos no Tibete como resultante de insurgência espontânea de uma população submetida a anos de opressão religiosa e cultural por um regime impiedoso. Fortemente contrastante é a opinião que os repórteres do “Financial Times” (FT), Richard McGregor e Jamil Anderlini, colheram dentro da China, segundo a qual os manifestantes tibetanos são manipulados pelo dalai-lama para dividir o país.

Este contraste de visões cria um profundo ressentimento que ameaça prejudicar as Olimpíadas 2008 de Pequim, em agosto. É a opinião do FT, que entrevistou, entre outros, cidadãos chineses instruídos, artistas e empresários bem-sucedidos de Pequim.

Na Universidade Renmin, por exemplo, há uma forte convicção de que a China fez grandes esforços para desenvolver o Tibete e garantir a liberdade religiosa, depois dos primeiros anos do regime comunista. E que os países ocidentais querem ignorar esses avanços, favorecendo uma visão "romântica" do remoto reino no Himalaia. A posição oficial nada romântica do governo, que considera o dalai-lama um "monstro de face humana e coração de animal", não parece exagerada aos chineses entrevistados. Segundo eles, enviar o exército foi "a única reação" possível. Por trás de tudo, ao cidadão chinês importa a questão da soberania que vai além do apoio ao partido e toca o cerne da identidade nacional. [1]

Bastante mais grave é a denúncia do escritor estadunidense Gary Wilson. Em dois artigos recentes (“Por Trás da Campanha Anti-Olimpíadas na China” e “O Tibet e a Celebração do Levante da CIA de 10 de março”) ele afirma que o que está o ocorrendo no Tibet vem sendo preparado há tempo. Segundo ele, o “Movimento Popular pelo Levante do Tibet”, estabelecido com foco nas Olimpíadas, marcou para 10 de março a data inicial para o levante, em cuja programação houve grande movimentação entre o embaixador estadunidense na Índia e o dalai-lama. Wilson revela ainda uma intensa articulação de membros da CIA, a sempre atenta inteligência dos EUA, com os levantes.

Não se pode esquecer o papel preponderante exercido pela NED, National Endowment for Democracy, agência de apoio ao expansionismo dos EUA, no financiamento do grupo do dalai-lama e outras organizações tibetanas no exílio. A NED também é importante base de apoio, em diferentes regiões do planeta, ao grupo Repórteres sem Fronteiras (RSF). Coincidentemente, os protagonistas dos atos isolados que marcaram o acendimento da tocha olímpica, na Grécia, eram três homens que, detidos pela polícia grega, revelaram-se cidadãos franceses, todos empregados da RSF. Estes fatos, somados ao acervo do jornal inglês “Financial Times”, permitem uma boa desmistificação “visão ocidental” do Tibet.

Sidnei Liberal

[1] http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/fintimes/2008/03/20/ult579u2411.jhtm


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