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A Justiça uruguaia decretou prisão para ex-ditador Alvarez

17.12.2007
 
A Justiça uruguaia decretou prisão para ex-ditador Alvarez

A Justiça uruguaia decretou esta segunda-feira (17) a prisão para ex-ditador Gregorio Alvarez (1981-1985) por violação dos direitos humanos cometidos durante a ditadura (1973-1985), informa AFP.

Desde 12 de novembro pesava sobre o ex-repressor o pedido de indiciamento como co-autor do delito de desaparecimento forçado, em 1978, de presos políticos, que posteriormente teriam sido executados. O pedido da justiça também diz respeito aos capitães de navio Jorge Tróccoli e Juan Carlos Larcebau.


Gregorio "Goyo" Alvarez teve participação ativa no golpe de Estado de 1973 e se converteu no símbolo da ditadura que assolou o país até 1985.
Nascido em Montevidéu, em 26 de novembro de 1925, atingiu a patente de general aos 45 anos e, em 1971, dirigiu a repressão contra a guerrilha urbana do Movimento de Libertação Nacional Tupamaros, surgido nos anos 60 como um grupo político-militar clandestino inspirado na revolução cubana de 1959.


Na madrugada de 27 de junho de 1973 encabeçou o "piquete" das Forças Armadas que, sob presidência de Juan María Bordaberry - indiciado com prisão em 2006 e preso em casa desde janeiro de 2007 -, invadiu a sede do Congresso e dissolveu o Parlamento, impondo uma ditadura que se prolongou por 12 anos.

Entre 1978 e 1979 ocupou o cargo de comandante-em-chefe do Exército.
Considerado o homem forte do regime, Alvarez deu, em 1981, um golpe de Estado dentro do outro, forçando o Conselho de Segurança Nacional - que resistia a ele - que propusesse seu nome para a presidência e a entregasse a ele em 1º de setembro.

Dessa forma contrariou a vontade da cidadania, que, um ano antes, declarou, em um plebiscito, seu desejo de voltar à democracia e deu um novo impulso à repressão, período durante o qual foram registradas mais de 50 execuções e 140 desaparicimentos, segundo organizações humanitárias.


Depois de perder parte do apoio militar, negociou um cronograma eleitoral que permitiu eleições legislativas e presidenciais em novembro de 1984, vencidas pelo candidato do Partido Colorado (centro-direita), Julio María Sanguinetti.Alvarez se afastou em 12 de fevereiro de 1985, cedendo o poder ao presidente da Suprema Corte de Justiça, Rafael Addiego.

Recentemente declarou, em uma entrevista, ter certeza de que vai morrer na prisão e anunciou que, atrás das grades, falará de todos os temas que marcaram a história obscura de seu país.


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