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CUBA: os desafios de um grande povo “ilhado”

17.10.2008
 
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CUBA: os desafios de um grande povo “ilhado”

Chico Buarque, cronista das esperanças políticas do seu tempo, ao falar sobre as suas viagens a Cuba, registrado no terceiro DVD da série retrospectiva de sua obra, ironiza: “antigamente, o passaporte brasileiro dizia: válido para todos os países com exceção de Cuba. Dá vontade de ir, né? ”

Por Frei Gilvander Moreira

Chico Buarque, cronista das esperanças políticas do seu tempo, ao falar sobre as suas viagens a Cuba, registrado no terceiro DVD da série retrospectiva de sua obra, ironiza: “antigamente, o passaporte brasileiro dizia: válido para todos os países com exceção de Cuba. Dá vontade de ir, né? ”

Até bem pouco tempo, voltar ao Brasil após uma visita a Cuba podia custar alguns aborrecimentos. O próprio Chico Buarque foi protagonista de um fato que acabou virando manchete nos jornais. O jornal “Folha de São Paulo”, no dia 21 de fevereiro de 1978, trouxe a seguinte notícia: “CHICO VOLTA DE HAVANA E É DETIDO. Chico Buarque, sua mulher Marieta Severo, o escritor Antonio Callado e sua mulher Ana Arruda foram detidos ao chegar, na manhã de ontem, em aviões diferentes, no aeroporto do Galeão. Como foi divulgado pela imprensa, Chico Buarque e Callado integraram o júri de um prêmio literário em Havana, Cuba, na semana passada. Como eles, fizeram parte desse júri o jornalista Fernando Morais, também brevemente detido ao chegar em Congonhas, sábado, e o escritor Inácio de Loyola, que presumivelmente ainda não regressou ao País. O Brasil não tem relações diplomáticas com Cuba, mas um advogado ouvido ontem no Rio opinou "não haver nenhum crime em se visitar um país”. A Polícia carioca apreendeu a bagagem dos detidos, e ambos foram avisados de que serão convocados para novos depoimentos.”

Afora os constrangimentos, nem mesmo na época da ditadura militar era crime visitar Cuba. No entanto, falar de Cuba, do socialismo e do grande líder revolucionário Fidel Castro ainda causa muito constrangimento e indignação. A mídia, geralmente, desfila um rosário de preconceitos acerca do regime político cubano e da história da Revolução. Todavia, mesmo correndo o risco de causar constrangimentos e indignação, retornando agora ao Brasil, após passar nove dias em Havana, quero assumir o compromisso e a responsabilidade de compartilhar a experiência de conhecer de perto a resistência e a determinação desse povo que luta contra o capitalismo e contra o imperialismo criminoso dos Estados Unidos da América.

Abaixo destaco alguns aspectos presentes no modo de vida em Cuba e que, no meu entendimento, são relevantes para pensarmos no socialismo hoje para uma vida melhor em sociedade. Eis, abaixo, dez pontos que dão um panorama de nove dias em Cuba: primeiras impressões; o impacto já ocorre na chegada; a relação de Cuba com os demais países da América Latina; contra o bloqueio, muita criatividade; exercício do poder em Cuba; sistema de Saúde socialista; telenovelas brasileiras em Cuba; cristãos em Cuba; produção de alimentos e economia cubana.

1) Primeiras impressões

De 19 a 28 de dezembro (de 2006) realizei um sonho de mais de 20 anos: pisar no solo sagrado de Cuba e conviver alguns dias com os cubanos, esse povo heróico que defende ainda nos dias atuais o socialismo, mesmo quando para muitos a única resposta possível para a humanidade é a chamada democracia burguesa e o capitalismo.

Antes de emitir qualquer opinião sobre Cuba acredito ser relevante ter em mente dois aspectos fundamentais: o primeiro, a localização estratégica da ilha que fica a apenas 150 km do maior império da atualidade. Esta é a distância que separa Cuba do estado da Flórida nos Estados Unidos. O segundo aspecto é o fato de o país ter sofrido, e continuar sofrendo, ao longo de sua história, permanentes tentativas de invasão , exatamente em vista de sua posição estratégica na entrada do golfo do México.

Cuba é uma ilha de 110.000 Km2, 20% do estado de Minas Gerais, estreita e comprida, assemelhando-se a um jacaré. Com 11 milhões de habitantes é uma ilha encantada por sua beleza natural e encantadora pelo seu povo. Cristóvão Colombo, ao chegar em Cuba, em 1492, já afirmara: “Esta é a terra mais bela que olhos humanos viram.”

Nos dias atuais, pode-se afirmar que em Cuba, além de vermos coisas que nossos olhos nunca tinham visto antes, vamos sentir uma grande nostalgia diante de tantos objetos antigos que fizeram parte do nosso cotidiano em um tempo em que nossas vidas eram bem mais simples e livres do atual estresse em que vivemos nos dias atuais. Vamos nos deparar com coisas totalmente inusitadas e criativas: táxis em bicicletas, carros remendados com madeira e plásticos, ônibus construídos sobre antigas carretas, chamadas “camelos”. Tudo isso permite àquele povo resistir, com intrepidez e dignidade ao criminoso e diabólico bloqueio estadunidense. Convivem, no mesmo cenário, recursos materiais limitados, tão abundantes nos paises ocidentais, com o que há de mais moderno e avançado na criação humana. Seja nas ciências, nas artes, nos esportes, os cubanos destacam-se sempre.

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