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Colômbia sofre de "genocídio" sindicalista

17.08.2007
 
Colômbia sofre de "genocídio" sindicalista

Colômbia sofre de "genocídio" sindicalista


Quando os atiradores chegaram para matar Rodolfo Vecino, ele não foi encontrado. Em vez disso, sua mulher, seu guarda-costas e amigo estavam no carro blindado que corria pela estrada no Norte da Colômbia no ano passado.


Anastásia Moloney

Quando os atiradores chegaram para matar Rodolfo Vecino, ele não foi encontrado. Em vez disso, sua mulher, seu guarda-costas e amigo estavam no carro blindado que corria pela estrada no Norte da Colômbia no ano passado.
Dois atiradores em motocicletas abriram fogo nove vezes contra as janelas negras do carro, mas os passageiros escaparam ilesos.
Três dias depois, Vecino - membro da direção do USO, sindicato de trabalhadores de petróleo da Colômbia - recebeu uma ameaça de morte por mensagem eletrônica, dizendo que ele e outros sindicalistas tinham 20 dias para deixar suas casas e "evitar problemas".

"Recebi muitas ameaças de morte por telefone, fax e e-mail de grupos paramilitares durante os anos", diz Vecino. "Certa vez, tentaram até seqüestrar meus filhos quando saíam da escola".


As ameaças contra Vecino são uma história comum na Colômbia.


A situação dos sindicalistas do país não passou despercebida entre democratas nos EUA, que dizem que o governo de Bogotá deve fazer mais para reprimir esses assassinatos. A questão tornou-se importante obstáculo ao fechamento de um acordo de comércio bilateral com Washington, descarrilado por escândalos internos e violações de direitos humanos.


"A Colômbia ainda é o país com maior número de sindicalistas mortos no mundo, e isso é preocupante", diz Harry Reid, líder da maioria do Senado.


Carlos Rodríguez, presidente da Federação de Sindicatos Central da Colômbia, maior confederação trabalhista do país, acredita que as preocupações democratas são bem fundadas.
Membros do sindicato, diz ele, enfrentam perseguição diária pelo país e são impedidos de desempenhar atividades legais do sindicato, inclusive negociações coletivas.

Susan Lee, diretora do programa das Américas da Anistia Internacional, concorda. "Os sindicalistas da Colômbia estão recebendo uma mensagem clara: não reclamem das condições de trabalho nem façam campanha para proteger seus direitos porque vocês serão silenciados, a qualquer custo".


Desde 1987, mais de 2.500 sindicalistas foram assassinados na Colômbia -um "genocídio", segundo Rodríguez. Como medida de segurança, ele, como dezenas de outros líderes sindicalistas, anda em carro blindado com quatro guarda-costas.


Um recente relatório da Anistia salienta que seis entre cada 10 sindicalistas assassinados no mundo são colombianos. Até agora neste ano, 20 membros de sindicatos foram mortos no país, na maioria professores e funcionários da saúde.


Entretanto, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, alega que durante sua presidência o número de sindicalistas assassinados caiu em 74%.


Os membros dos sindicatos tornaram-se presas do conflito armado interno da Colômbia, onde ser taxado de simpatizante ou colaborador da guerrilha coloca o civil em risco.


"Os sindicalistas muitas vezes são considerados parte da oposição ou da insurgência, em outras palavras, contra o Estado, o que os torna alvos dos paramilitares", explica Rodríguez. "Um professor em uma comunidade rural que fala de democracia e de direitos humanos freqüentemente torna-se suspeito de ser simpatizante da esquerda e alvo de grupos paramilitares".


A maioria dos assassinatos de sindicalistas na Colômbia foi atribuída a paramilitares de direita que operam listas negras e cerca de 5% por agentes de segurança do Estado, diz Rodríguez.


Apesar da desmobilização de cerca de 31.000 combatentes paramilitares, como parte de um frágil acordo de paz com o governo de Uribe, os sindicalistas ainda são alvos de milícias.
Críticos americanos também levantaram a questão de ampla impunidade na Colômbia. Poucos são processados por crimes contra sindicalistas. "Denunciei as ameaças de morte e fiz várias reclamações às autoridades, mas não fizeram nada", diz Vecino.

Parcialmente em resposta às demandas democratas, o procurador-geral da Colômbia prometeu aumentar os recursos destinados à solução de milhares de casos não resolvidos de sindicalistas assassinados.


Sindicalistas colombianos visitaram os EUA nos últimos meses para esclarecer sua situação precária.


"Democratas, inclusive Al Gore (ex-vice-presidente americano) e sindicatos americanos vêm escutando cuidadosamente as nossas preocupações e sabem sobre os problemas que enfrentamos. Eles nos disseram que, enquanto essa situação crítica continuar e não for feito progresso de verdade, não aprovarão o acordo comercial", diz Rodríguez.


Tradução: Deborah Weinberg

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