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Abaixo de Vigilância

17.07.2013
 
Abaixo de Vigilância. 18544.jpeg

Por Pär Ström

Tradução Anna Malm* - Correspondente de Pátria Latina na Europa

Introdução a Esse Documento

As revelações a respeito das escutas e vigilâncias dos Estados Unidos que Edward Snowden apresentou no verão de 2013 (junho-julho) não deveria surprender ninguém. Fundamentalmente as similaridades são muito grandes com o que de há muito se tinha revelado quanto ao sistema de vigilância Echelon, a respeito do qual eu escrevi um capítulo no meu livro "Övervakad"-"Abaixo de Vigilância" (Liber 2003), já agora com edição esgotada.

Aqui, nesse documento o atual capítulo será apresentado. Esse texto contém, entre outras coisas, fascinantes descrições de testemunhos de "desertores" quanto a capacidade do programa Echelon. Aqui também se encontrará um outro capítulo do livro "Abaixo de Vigilância", nominadamente um que se refere as suspeitas de que os serviços secretos americanos teriam providenciado a construção de uma "porta-dos- fundos"  no programa de codificação, e no sistema operativo da Windows. [..mas aqui e agora o que vai ser apresentado é o capítulo a respeito do Echelon do livro "Abaixo de Vigilância". O capítulo a respeito da porta-dos-fundos também será traduzido ao português, sendo depois disso então aqui apresentado separadamente, dentro de cerca de umas duas semanas - Nota da tradução]

 

O original suéco do livro "Abaixo de Vigilância" - um "best seller" foi descrito na Suécia com as seguintes palavra de um exponente da crítica especializada:- "Pär Ström apresenta de uma maneira muito facilmente comprensível a complexa natureza de controle que a moderna técnologia IT possibilita."

 

Esse documento poderá ser distribuido e citado livremente com a condição de que não se modifique seu conteúdo e de que as fontes sejam claramente dadas.

 

Capítulo Echelon

 

Índice

 

Echelon - o global sistema de vigilância

A espionagem econômica ajuda o sistema empresarial americano?

"Sim, nós espionávamos vocês"

Espionagem contra "Greenpeace", Amnestia Internacional e políticos

Os internautas suécos se enroscaram na rede do Echelon?

Afinal, quais são os recursos do Echelon?

Dá para se proteger do Echelon?

"Secreta cyberpolícia sem direitos de försvar para o indivíduo?

Porta-dos-fundos - traidores em programas comuns

A surpreendente história do Codificador AG

Visitas místicas de "consultantes técnicos" americanos

Apelo ao patriotismo

Quando o parlamento suéco descobriu enfraquecimento de codificações

Fontes abertas de códigos, única garantia contra "porta-dos-fundos"

 

[Obs.: a paginação do original suéco não corresponde a paginação da tradução em português. Entretanto, os cabeçalhos e as rúbricas são mantidas e apresentadas em destaque. Então aqui apresenta-se o capítulo Echelon com suas subdivisões como indicadas no índice acima.]

 

Echelon - O Global Sistema de Escuta-Vigilância/Espionagem

 

Por Pär Ström

Tradução Anna Malm

 

"Sem controle jurídico ou político Echelon torna-se numa forma de polícia cibernética secreta sem tribunal, juri, ou qualquer outro direito que permita que o indivíduo se defenda."

 

James Bamford

"Body of Secrets" - "Corpo de Segredos"

 

Echelon é um muito abrangente e potente sistema para vigilância de comunicações eletrônicas. Ele tem cobertura global e vigia entre outras coisas conversas telefônicas, fax-es, e-mail, telex, conferências através de videos, assim como normal rádio comunicação - i princípio cobrindo todos os tipos de comunicação eletrônica. Os dados variam mas foi dito que o sistema tem capacidade de absorver três bilhões [3.000.000.000] de mensagens por dia.

 

M. Newsham foi uma empregada do Echelon que acabou por "desertar". Ela trabalhou durante dez anos para diversos fornecedores de instrumentos de escuta para a NSA (Agência Nacional de Segurança- National Security Agency). Essa é a mais poderosa organização dos serviços secretos dos EUA, tão secreta que a sigla NSA a muito vem sendo expressada como "No Such Agency"- "Não Semelhante Agentura".

 

Em dois anos M. Newham foi uma dos responsáveis pela rotina diária de gerenciamento da rede de datores da estação-Echelon Britânica, em Menwith Hill. Então, aqui agora mostra-se como ela descreveu a situação numa entrevista para o jornal dinamarquês "Ekstra Bladet"- "A Folha Extra", numa curta série de artigos de quando o jornal tentou catografar o uso do sistema Echelon). Nessa entrevista ela disse que:-  

 

"A vigilância tinha uma precisão fantástica. Podíamos apontar para uma particular pessoa ou organização e controlar/vigiar toda a comunicação eletrônica - em tempo real - todo o tempo. Isso acontecia sem que a pessoa tivesse qualquer chance de descobrir. A maior parte da informação mandava-se depressa para uma outra estação, com a ajuda da imensa capacidade digital que nós tínhamos.

 

Tudo se passava sem nenhuma ordem judicial [...]. É como um motor de procura da Internet. Se pode procurar por um número específico, pessoa ou conceito, e assim se apresenta tudo o que se relata com o que foi estipulado para a procura."

 

Echelon é construido por uma gigantisca rede de instrumentos de escuta de diversos tipos. Entre outras coisas, por imensas antenas parabólicas situadas em bases em todos os cinco continentes, satélites (deve tratar-se de uns 120), sistemas de escuta em navios que cruzam ao longo das costas marítmas dos países que estão sendo vigiados/espionados, dispositivos de escuta em cabos submersos (um tal foi descoberto em 1982) e antenas em embaixadas e consulados.

 

A acima mencionada Menwith Hill na Grã-Bretanha é um dos mais importantes centros-de-junção, com umas 30 giganticas-antenas parabólicas que se parecem com bolas de golfe, um imenso poder de computação, assim como no mínimo três cabos-principais  de fibras ópticas ligados a rede telefônica britânica (isso de acordo com R.G. Morris, chefe da "Emergency Planning"- "Planos de Emergência" para a Telecom britânica).  Um outro nó central, ou seja um outro centro de junção-função é o quartel-general da NSA, no "Fort Meade", no estado americano de Maryland.

 

O nome do sistema de vigilância/escuta/espionagem não é oficial. Os países participantes nunca admitiram sua existência. Foi por isso que um debate perdurou quanto ao fato do Echelon realmente existir, ou se seria só um boato. Entretanto, nos últimos anos as provas da existência do sistema tornaram-se cada vez mais conclusivas. e agora pode-se mesmo dizer que a União Européia, EU na sigla inglesa, decidiu a coissa.  Há uns anos atrás o Parlamento Europeu organizou um comité para investigar a questão, a então denominada - "Comissão Temporária para o Sistema de Escuta Echelon". O resultado final foi que Parlamento Europeu, em setembro de 200, tomou uma resolução (A5- 0264/2001) onde se declarava entre outras coisas o seguinte:

 

_ "Já não há mais nenhuma dúvida quanto a existência de um tal sistema", mesmo que se tenha duvidado se a capacidade do sistema seria tão grande quanto apresentado pela mídia.

 

_ De que "não haveria nenhuma dúvida quanto ao objetivo desse sistema ser privado e comercial comunicação, e não comunicação militar".

 

_ Que a escuta de mensagens privadas é uma séria intervenção quanto a integridade pessoal, a qual é garantida no artigo 8 da Convenção Européia a respeito dos Direitos Humanos e das Liberdades Fundamentais (e que só se poderão por de lado abaixo de muito precisamente especificadas situações, como por ex. defesa da segurança nacional).

 

_ Que se pode admitir que  Echelon vai contra os princípios da defesa da vida particular, como definida pelo Tribunal Europeu [Tribunal Europeu para os Direitos Humanos em Strasbourg, observação do autor]"

 

Em pelo menos três países europeus - França, Bélgia e Holanda - os parlamentos dos respectivos países também tomaram resoluções onde se constatava a existência do Echelon. Na sua resolução o Parlamento Europeu deu um número de recomendações. Por ex. esse recomenda as empresas dentro da União Européia a usar um programa com "fonte-codificada aberta", porque essa seria a única maneira de guardar-se contra o uso cibernético da chamada "porta-dos-fundos". Além disso ainda se encoraja os EUA assim como a Grã-Bretanha, a reciprocamente entrar num acordo quanto a usar regras próprias para a defesa da vida privada das pessoas, e dos segredos empresariais, mesmo para os moradores e empresas de outros países.

 

O pano de fundo desse cenário é que as proibições quanto a espionar seus próprios cidadãos se circinscreve através de que dentro do ramo da cooperação-Echelon espiona-se nos cidadãos e instituições de outros países e depois trocam-se as informações. A Grã-Bretanha e a Alemanha são também encorajadas a exigir garantias, como uma condição para que os serviços secretos dos EUA continuem suas atividades dentro dos territórios desses países, de que essas atividades não seriam contra o estipulado pela Convenção Européia.

 

 

 

Espionagem Econômica Ajuda as Empresas Americanas?

 

Echelon é usado de uma maneira que certamente é comprendida pela maioria das pessoas na nossa cultura como sendo éticamente correta, como por exemplo na luta contra o terrorismo, comércio ilegal de armas, e outras formas de criminalidade pesada. Se o sistema só fosse usado dessa maneira, talvez ele não se apresentasse como tão controversial.

 

Entretanto, há muito que aponta para o facto da realidade ser menos agradável. Assim se exprimiu Carlos Coelho de quando presidente do comité-Echelon do Parlamento Europeu. "Se você tem um instrumento e pode ganhar privilégios por usar esses instrumentos, sendo que ninguém iria disso se aperceber, você iria usá-los? Há fortes indicações de que Echelon é usado para espionagem industrial e vigilância de pessoas que não pensem como o estabelecimento poderia desejar, assim como de declarados oponentes políticos do poder, e de outras organizações.

 

Aqui, abaixo da rúbrica "Espionagem Econômica Ajuda as Empresas Americanas?, apresenta-se um estudo mais aprofundado da espionagem industrial e outros tipos de espionagem econômica. No "Departamento de Comércio"* americano há uma secção que no começo se chamava mais ou menos em português como "Secção de Informação e Contacto" (Office of Intelligence Liaison). Em 1996 essa secção passou a denominar-se "Secção de Assistência ao Executivo".

 

Diz-se que seu objetivo seria o de canalizar informação comercial, resultado de uma atividade de escuta/vigilância/espionagem, ao setor industrial americano. Também se diz, mas sem se apresentar provas, que essa informação é principalmente mandada para empresas americanas fornecedoras e parceiras da NSA, e outros orgãos da atividade de inteligência dos serviços secretos. Essas empresas são em muitos casos grandes contribuintes para as campanhas políticas , o que é compreendido como um laço de dependência recíproca entre as empresas e os políticos ativos no governo.

 

Duncan Campbell, um jornalista de investigação da Escócia, dedicou uma grande parte da sua vida a compilar informação a respeito do Echelon. Ele foi, entre outras coisas, contratado como perito da questão pelo Parlamento Europeu.

 

Em seu famoso relatório para o Parlamento Europeu de 1999, "Capacidades de Intercepção 2000 " , ele disse que o sistema realmente tinha sido usado como um instrumento de políticamente motivada espionagem industrial, ou seja, como um instrumento para ajudar as empresas americanas na concorrência no mercado internacional. Os exemplos que seguem ficaram conhecidos através de fugas ou vazamentos indesejáveis de de informação, e eles são muitos. Comecemos com dois deles, citados diretamente do relatório de Campbell.

 

Primeiro Exemplo: "Em 1994  a NSA apreendeu uma conversa telefônica entre [a empresa eletrônica] Thomson- CSF e o Brasil, a qual se relatava ao chamado SIVAM, que é um sistema de vigilância para a floresta Amazônica no valor de 1.3 de bilhões de dólares [$1.300.000.0000]. A empresa foi logo depois disso acusada de subornar elementos do comité de escolha do governo [brasileiro]. Ao fim e ao cabo o contrato foi para a empresa americana Raytheon Corporation - que depois disse que o Departamento de Comércio americano tinha trabalhado arduamente para apoiar a empresa americana nesse projeto". Raytheon também fornece manutenção, assim como serviços de consulta técnica para a estação-de reconhecimento/procura-de satélites da NSA, em Sugar Grove."

 

Segundo Exemplo: "De um satélite de comunicação comercial a NSA apreendeu todas as mensagens de fax, assim como as conversas telefônicas entre o consórcio Airbus [um consórcio europeu], a companhia nacional de aviação da Saudiarábia, e o governo saudita. NSA compreendeu que o representante da Airbus tinha proposto um suborno a um funcionário saudita. Essa informação foi mandada para os funcionários americanos que avançaram as ofertas da Boeing Co. e da McDonnell Douglas Corp, as quais/ ou a qual que acabou por triumfar [1994] no negócio de 6 bilhões de dólares [$ 6.000.000.000]"

 

Fred Stock, um outro "desertor" da Echelon, comentou esse acima mencionado caso numa outra entrevista feita pelo jornal dinamarquês "Ekstra Bladet" - "A Folha Extra":-

 

"Nós sabíamos qual avião a França queria vender, e por qual preço. Em princípio nós sabíamos tudo o que tinha a ver com maiores transações, como por ex. quem tinha feito ofertas e então quais as quantias em questão, assim como quais as quantias que eram desejadas tanto para as compras, como para as vendas. Nós também vigilávamos o sector da agricultura. Grandes negócios de trigo, por ex. [...] Nós nos mantínhamos atualizados com as posições de negociações de muitas empresas. Nós sabíamos quais eram suas ofertas, assim como quando essas tinham sido apresentadas. Acima de tudo, nós nos encontrávamos muito bem informados quanto a saber quais eram seus encargos."

 

Fred Stock [que fez as declarações acima mencionadas] era operador de comunicações  no quartel-general da organização do serviço de inteligência "Canadian Security Establishment"- "Estabelecimento de Segurança Canadense" (CSE).  Ele tinha trabalhado lá 20 anos, de quando ele foi despedido, em 1993, por ter perguntado demais (depois disso ele teve muitas dificuldades em encontrar um novo emprego mesmo de quando procurando empregos sem relação a serviços de inteligência). Stock avaliou que ele próprio teria manejado mais de 3 000 peças de informações por dia. Ele trabalhava com 55 agentes que também tinham similares tarefas que as suas.

 

Fred Stock descreveu então também para o "Ekstra Bladet"- "A Folha Extra" como nos finais de 1980 ele tinha percebido como o Echelon tinha mudado o carácter dos objetivos com sua vigilância.:

 

"Uma mudança ocorreu em 1987. Foi então que eu de repente comecei a ver mais e mais mensagens que tinham a ver com a Alemanha, A França, a Holanda, a Dinamarca e outros aliados europeus. È aqui importante sublinhar que nós fazíamos um trabalho importante para todo o "Mundo Livre" no tempo da guerra fria [...] Foi portanto desagradável para mim o ter que aceitar a mensagem da NSA dizendo que agora era a União Européia, EU, centralizando-se a volta da Alemanha, [que era] o inimigo. A mensagem dizia também respeito a economia asiática, och especialmente então o Japão. Isso já  foi por volta de 1990..."

 

Stock, que na realidade trabalhava para o Canadá, descreveu também como a EUA-centralizada atividade era:- "È importante fazer uma coisa completamente clara: Todas as informações colhidas vindas do mundo inteiro eram imediatamente mandadas para a organização dos serviços de inteligência americanos, a NSA. Eles então determinavam o que deveria ser mandado a outros países."

 

As informações de Fred Stock de que Echelon em alto grado era usado para espionagem industrial confirmaram-se por um outra anteriormente funcionária da [acima mencionada] CSE- "Estabelecimento de Segurança Canadense", Edwina Slattery, que também deu entrevista ao jornal dinamarques Ekstra Bladet - A Folha Extra:-

 

"O meu trabalho se limitava a análises da vigilância dirigida contra os "bad guys" - "os rapazes ruins" [do ex-bloco do leste]. Mas haviam outras secções que tomavam conta da espionagem industrial e financeira."

 

No relatório da União Européia "Capabilidades de Intercepção 2000"  do [acima mencionado jornalista contratado pelo Parlamento Europeu]] Duncan Campbell, dá-se mais exemplos de que Echelon é usado para espionagem econômica.

 

Por ex., as negociações da participação da França na organização mundial de comércio GATT, 1993,  teria sido escutada/vigiada/espionada.

 

Um outro exemplo é o de que em setembro 1993, o então presidente americano Bill Clinton teria ordenado a CIA de espionar os construtores japoneses de automóveis trabalhando para desenvolver automóveis com zero-emissões [nocivas de escapamento]. A informação apreendida então teria sido dirigida para os três maiores produtores de automóveis Ford, General Motors e Chrysler.

 

A revista "Insight Magazine" deu reportagens com uma série de artigos, em 1997,  a respeito de que o presidente Clinton tinha dado ordens a NSA e ao FBI de começar uma massiva operação de escuta junto a cimeira APEC - Conferência Econômica Ásia/Pacífico, em Seatle, 1993.

 

A ex-linguista da canadense [acima mencionada] CSE, Jane Shorten, disse também que ela tinha visto relatórios med comunicações dos delegados mexicanos quando das negociações do acordo de comércio livre Nafta, de 1992-1993.

 

O diário japonês Mainichi Shimbun afirma que a NSA durante vinte anos teria espionado as comunicações diplomáticas do Japão. Isso teria sido então com o objetivo de conseguir informação econômica. O jornal apresentou num artigo em 2001 que dizia:-

 

"Durante os anos de 1980  a rede [Echelon] apreendeu informações das negociações do governo japonês quanto ao preço do carbono, o que levou que a Nova Zelândia tivesse um acordo vantajoso quando da sua exportação de carbono. Supõe-se que Echelon é usado para apreender informações do Japão as quais poderiam mostrar-se como vantajosas para empresas da Nova Zelândia."

 

Por muitas partes da Europa a espionagem industrial foi discutida por mais altos níveis políticos. Por ex. na França, a ex-Ministra da Justiça Elisabeth Guigou, em uma declaração ao Parlamento [francês] em 2000, disse que a rede de vigilância Echelon "evidentemente tinha sido redirigido para a espionagem econômica e vigilância dos concorrentes".

 

 

"Sim, nós espionávamos vocês"

 

Uma confissão a respeito dos acontecimentos veio realmente da parte dos americanos.

 

O ex-chefe da CIA James Woolsey, do serviço secreto americano, escreveu no jornal americano da bolsa de valores o "Wall Street Journal", em março de 2000, o seguinte:

 

 "[...] Sim, meus amigos da europa continental, nós estivemos espionando vocês. É também verdade que usamos computadores para uma compilação de dados através do uso de palavras-chaves". Mas...vocês alguma vez já pararam para se perguntar o que é que estamos procurando?

 

O Parlamento Europeu tinha apresentado, como acima mencionado, um relatório [sobre o programa de espionagem Echelon,] o qual tinha sido escrito pelo jornalista Duncan Campbell. Esse relatório então acabou por resultar em acusações exacerbadas por parte da europa continental de que os serviços secretos [americanos] tinham roubado tecnologia avançada das empresas européias para dá-las - note isso bem -  a empresas americanas e ajudá-las na concorrência.

 

Meus amigos europeus, sejam realistas. É verdade que em algumas áreas a tecnologia européia é superior a americana, mas para dizer isso de maneira tão delicada quanto possível, a quantidade dessas áreas são muito, muito, muito poucas. A maior parte da tecnologia européia não vale simplesmente a pena de ser roubada [...].

 

É certo meus amigos europeus, nós estivemos espionando vocês porque você subornam. Os produtos de suas empresas são geralmente mais caros, menos desenvolvidos técnicamente, ou as duas coisas ao mesmo tempo, do que os dos concorrentes americanos. Por isso vocês subornam tanto. Os seus governo são tão cooperativos no caso, que em muitos países europeus o suborno ainda dá desconto de impostos. Quanto nós os pegamos em fragrante delito, talvez vocês possam gostar de o saber, nós não dizemos nem uma palavra as concorrentes empresas americanas. Em  vez disso vamos aos governos que vocês subornam e dizemos aos seus representantes que não vemos com bons olhos essa corrupção. Geralmente eles respondem através de dar a melhor proposta - toda, ou em partes (as vezes aos americanos, as vezes não)[...]"

 

Note-se então aqui que o dito é uma parcial admissão que diz respeito a espionagem industrial de maneira geral, mas não a existência do Echelon. Nenhum dos países que estão atrás do Echelon fizeram até agora quaisquer admissões a respeito da existência do sistema. Duncan Campbell descreve o assunto de maneira que muitos poderiam provavelmente tomar suas palavras como correspondendo aos pensamentos que muitos europeus tem a respeito desse assunto. Ele disse:-

 

"As sifras - quanto as empresas americanas terem ganho negócios de bilhões de dólares - surprenderá e levantará raiva, não porque os políticos europeus iriam negar que umas tantas empresas foram além dos limites, mas porque os EUA não tem nenhum direito de ser tanto juíz, como jurí, e bodel nesse assunto."

 

Além do mais, parece que nem todas as fontes americanas concordam com a declaração do ex-chefe da CIA de que o material espionado quanto a informação econômica não seriam ou teriam sido transmitidos as empresas americanas. Assim escreveu o telecanal ABC em seu serviço de notícias na Internet, ABC News, em fevereiro de 2000:-

 

"Representantes das autoridades americanas negaram que a organização responsável pela escutas/vigilância/espionagem da comunicação relatada ao estrangeiro, ou seja a NSA, dá, teria dado, ou iria dar essa informação para as empresas americanas [...] Mas, as autoridades americanas admitem, em conversas particulares, que a NSA realmente dá essas informações para umas tantas outras autoridades, inclusive [ao equivalente a um] Ministério do Comércio, que muitas vezes tem como seu trabalho o ajudar os projetos de negócios americanos no estrangeiro.

 

Um representante das autoridades, que pediu para ficar anônimo, disse que as autoridades do Ministério [do Comércio] poderiam ter compartilhado tais informações com empresas americanas concurrendo no mercado internacional [...]

 

Um representante das autoridades no Ministério das Relações Exteriores  disse mais uma vez hoje, que a garantia de Rubin [o porta-voz do Ministério do Comércio]  de que a NSA não dá esse tipo de informações para empresas americanas é válida. Entretanto, ele não quiz fazer comentários a respeito [do Ministério] do Comércio ter feito isso ou não [...]

 

Documentos na web site do Ministério do Comércio confirmaram que o ministério recebe informação dos serviços secretos. Essa informação é tratada pelo "Office of Executive Support" , do ministério, que até 1996 chamava-se "Office of Intelligence Liaison".  Mas, a web site não diz nada a respeito de como a informação vindo dos serviços secretos são usadas pelo Comércio." 

 

Uma outra parcial confissão veio, de acordo com "Le Monde Diplomatique" de Zbigniew Brzezinzki, que foi conselheiro de segurança para o presidente Jimmy Carter. De acordo com o jornal então, Brezezinski teria dito que quando uma pessoa tem acesso a uma informação é difícil de pôr um limite ao quanto deve ser compreendido. Depois ele virou a acusação perguntando se não seria imoral da parte dos governos franceses e alemães de discutirem coisas que não quisessem que os Estados Unidos ficassem  sabendo.

 

Espionagem contra Greenpeace, Amnestia Internaciolnal e políticos 

 

Existem indicações de que Echelon é usado para escuta/vigilância/espionagem de organizações, em suéco denominadas como ideais, ou seja, não comerciais trabalhando para um ideal. Fred Stock, o ex-empregado da CSE, a mencionada agência de serviços de inteligência/ informação do Canadá, disse por ex. ao jornal dinamarquês Ekstra Bladet - A Folha Extra, entre outras coisas, que a organização "Greenpeace"[uma organização protetora do meio-ambiente] estava abaixo de constante vigilância:

 

"Baseando-me nas mensagens que eu vi. estva muito claro que nós podíamos acompanhar os navios da "Greenpeace" para onde quer que eles fossem. Nós sempre tínhamos completo conhecimento das suas exatas posições. Sempre haviam mensagens a respeito do "Greenpeace", mensagens essas sendo a respeito de seus navios, de onde eles atracavam, as suas supostas destinações, e as suas planejadas atividades [...] Nós éramos zelosos e informávamos exata e minunciosamente a respeito dos seus planos - e isso antecipadamente, já antes que tivessem feito qualquer coisa. "Greenpeace" era um objeto muito importante para nossas observações."    

 

No mesmo jornal Mads Christensen da "Greenpeace" - Dinamarca, disse que ele tinha  presenciado um acontecimento que apoiava a suspeita de que estiveram sujeitos a espionagem. Ele descreve como tinham planejado quatro ações. Tres dessas ações tinham malogrado, o que como ele disse seria pouco comum. "O interessante aqui é que essas três ações malogradas eram dirigidas contra navios americanos cargueiros carregando produtos da Monsanto. Numa dessas ações o nosso ativista foi preso, na Inglaterra, mesmo antes de que o grupo tivesse começado qualquer ação. Nas outras duas vezes os navios foram desviados da rota [...] A única ação que resultou foi a que se dirigia a a um navio cargueiro argentino. É então necessário ressaltar bem aqui que a única ação que resultou foi a que não estava sendo dirigida a um navio dos Estados Unidos. Essa declaração não prova nada naturalmente, mas dá um indício relevante.

 

De acordo com Fred Stock um outro importante objeto para a vigilância feita pelo Echelon seria a Amnestia Internacional. Ele disse também para o jornal "Ekstra Bladet - A Folha Extra:

 

"Quando eu trabalhava para a CSE [Canadá] eu vi inúmeros relatórios quanto a Amnestia Internacional. A maioria eram resultados preparados pela NSA [ EUA] que colhia e compilava dados vindos de todo o mundo, e os apresentava então nos relatórios que vinham parar as minhas mãos. [...] Alguns desses relatórios diziam respeito a testemunhas ou presos-de-consciência [políticos] ao redor do mundo. Mas também havia relatórios a respeito de planejadas ações. As vezes também recebíamos relatórios com outras informações a respeito da organização.

 

Margaret Newsham, já mencionada acima, uma dos "desertores" que trabalhavam para o Echelon, apoia os dados de Stock:

 

"Nós mantínhamos  abaixo de vigilância entre outras coisas pessoas comuns, assim  também como diversos tipos de empresas.  Para apontar para uma certa pessoa nós só precisávamos de codificá-la num computador e escrever "Amnestia Internacional" ou "Margaret Newsham", por exemplo. Depois podíamos vigiar a pessoa em questão - de quando essa se comunicava com alguém [..]"

 

Newham descreve o dia que, em seu trabalho na estação britânica do Echelon em Menwith Hill, ela tinha compreendido que a atividade da estação era moralmente reprovável.

 

Eu estava sentada com um dos muitos dos nossos "tradutores" Ele era conhecedor de linguas como o russo, o chinês e o japonês. De repente ele me perguntou se eu queria ouvir uma conversação que tinha sido feita num escritório do prédio do senado [americano].

 

Então eu pude ouvir um claro sotaque de um dialeto de um dos estados do sul, que eu achei que já tinha ouvido anteriormente. Quem é esse, eu perguntei ao tradutor. Ele disse que era o senador republicano Strom Thurmond. 'Oi! Caramba´, pensei eu. Nós espionamos não só pessoas em outros países, como também nossos próprios cidadãos.

 

Foi aí então que eu na verdade compreendi que o que estávamos fazendo não tinha nada a ver com interesses quanto a segurança nacional dos EUA."

 

Newsham informou um membro do congresso americano a respeito do que ela entendia como uma anomalia, ou seja uma coisa anormal, dentro da atividade de escuta/vigilância/espionagem da qual ela era uma parte. Mais tarde ela testemunhou numa investigação do congresso, a qual foi carimbada como secreta. De acordo com o jornal "New Statesman"  a revelação teria levado a um medo de que a vigilância/ a espreita/ o espionar dos cidadãos americanos que tinham sido revelados durante o chamado "Escândalo Watergate" e que tinha sido postos fora de ação depois da saída de Nixon do poder, teriam sido novamente postas em ação [nos Estados Unidos].

 

Fred Stock confirmou que os políticos eram mantidos abaixo de lentes de aumento. "Nós sabíamos onde os políticos se encontravam e o que tinham intenção de fazer. Nós tínhamos nada menos que acesso aos planos pessoais e privados dos mesmos." Quando perguntado se os políticos europeus eram vigilados, Stock respondeu:

 

"Absolutamente,  mesmo os chefes de estado. Com base nas informações que eu tinha visto nós sabíamos quais as pessoas que eles intencionavam encontrar, e depois também ficávamos sabendo mais tarde então do que eles tinham falado. Era um trabalho fascinante. Nós tinhamos constantemente conhecimento a respeito de acontecimentos através do mundo todo."

 

Um outro exemplo foi revelado por Mike Frost, vindo do seu tempo de trabalho nos serviços secretos canadenses, de 1972-92. Num programa americano de notícias, o denominado "60 minutos", no ano 2000, ele [Mike Frost]  disse que a então ministra britânica Margaret Thatcher tinha pedido aos serviços secretos canadenses, CSE, para usar o Echelon para aprreender comunicações de um de seus ministros no governo, do qual ela desconfiava falta de lealdade. O chefe mais próximo de Frost,  Frank Bowman, foi a Londres para durante três semanas ajudar na espionagem. Depois Bowman recebeu ordens de entregar as gravações para os serviços secretos ingleses, o GCHQ.  Frost acha que o objetivo com o trazer alguém do Canadá era o de que o governo britânico, sem mentir, poderia depois afirmar que não estava envolvido no caso.

 

Um outro caso envolvendo Margaret Thatcher foi publicado pelo jornal britânico "London Observer". Lá conta um ex-empregado da secção da organização de serviços secretos bitânicos "British Joint Intelligence Committe", Robin Robison, que Mrs. Tatcher pessoalmente tinha ordenado a intercepção das comunicações da organização-mãe do jornal Observer. A história anterior a isso era que durante 1989 tinha sido publicado que um suborno tinha sido pago ao filho de Tatcher, Mark, quando de um  grande negócio de armas entre a Grã-Bretanha e a Arábia Saudita. Robison disse que ele pessoalmente tinha entregue o material interceptado no escritório de Margaret Tatcher.

 

Internauta suéco enrascado nas redes do Echelon?

 

Voltemos ao "desertor" Mike Frost. Uma outra sua revelação mostra quão larga e abrangente a escuta/vigilância)espionagem parece ser. A pessoa mais comum corre o risco de sofrer consequências muito negativas. Frost contou para o jornal Ekstra-Bladet, a Folha Extra, que uma mulher tinha sido posta na lista dos suspeitos terroristas porque ela ao telefone tinha contado para alguém conhecido que o filho dela tinha "estourado" numa peça de teatro escolar [o temo em inglês se dizia como "bombed" que em inglês, e no jargom teatral, significa "fracassar, malograr"].

 

Tem-se aí que o analítico da Echelon não sabendo muito bem do que é que a conversa se tratava por via das dúvidas pôs a mulher na lista [de suspeitos terroristas], disse Frost.

 

Um outro exemplo de como uma pessoa completamente normal e comum ficou presa nas redes do Echelon vem de um artigo de um periódico suéco social-crítico chamado "Contra" - julho de 2001 - (abaixo segue um extrato do artigo):-

 

"Um dos nossos leitores contou que ele através de um motor-de-procura submeteu a sigla RAF, Rote Armee Fraktion,  o movimento marxista-terrorista alemão, ativo nos anos de 1970, movimento esse que é conhecido como "Liga-Baader-Meinhof" dado os mais conhecidos patifes [obs. quanto a escolha dos adjectivos que aqui trata-se de uma citação - entre aspas - do artigo publicado] da liga, Andreas Baader e Ulrike Meinhof.

 

O nosso leitor tinha colocado o seu computador atrás de uma "fire wall" - "parede de fogo" e tinha instalado um programa que prevenia contra todo e qualquer ataque contra o computador. Ataques [a computadores na época] eram comparativamente pouco comuns, mas conjuntamente com a procura "RAF", mostrou-se de repente que o mundo estava muito interessado pelo computador do nosso leitor. Nada menos que sete ataques se fizeram contra o sistema de defesa do computator, a mencionada "parede de fogo" - "fire wall". E esses ataques não estavam vindo "de quanquer um"

 

O nosso leitor acompanhou as pegadas de onde vinham os ataques contra a parede de segurança [fire wall]através de um programa denominado "Neotrace" podendo assim acompanhar as pegadas as quais levavam até uma ilha dinamarquesa chamada Anholt, a qual se localiza no meio das águas conhecida como Kattegatt, mar esse localizado  entre a Suécia e a Dinamarca. Anholt então é uma pequena ilha com cerca de 150 [cento e cinquenta] habitantes.

 

A maioria dos habitantes vivem de agricultura e turismo, mas lá há também uma estação meteorológica, cortada do resto do conjunto, por assim dizer. Como isso se relata a tudo o mais, nós não sabemos, mas as pistas do nosso leitor na ocasião terminaram lá, em Anholt [Anr-rolt], de onde se mostrava impossível retrocer mais quanto a seguir as pegadas deixadas pelos ataques contra a parede de segurança do computador do nosso leitor. 

 

Entretanto, um método mais tradicional para seguir pistas deu o resultado de que as tentativas de invasão do computador do nosso leitor vinham de uma empresa denominada "Space and Naval Warfare Systems" (Spawar) em Washington DC e San Diego (o quartel-general da marinha americana encontra-se em San Diego). Spawar é realmente categorizada abaixo da marinha  americana. Quando o nosso leitor acabou de fazer suas pesquisas quanto a de onde o seu computador tinha sido agredido, ele próprio ficou sendo controlado por uma secção da Telecom suéca "Telia Abuso" - (A secção de controle da telecom suéca quanto a uso inapropriado de atividades na rede!)"

 

Como nenhum nome foi apresentado no artigo do periódico é difícil de avaliar quão dígna de fé a história é, mas se pode constatar que o descrito encaixa-se bem na visão panorâmica da maneira de operar do Echelon, dada pelas outras fontes.

 

Que Recursos Tem Realmente Echelon?

 

Foi discutido o quão abrangente seria realmente a escuta/vigilância/espionagem do Echelon. Por causa do extremo carácter secreto da atividade é naturalmente impossível de se conseguir uma resposta exata para a questão. Parece no entanto que na mídia apareceram alguns dados exagerados. Por exemplo, hoje em dia já não se acredita no que foi dito a uns anos atrás de que todo o trânsito telefnico, e-mails, fax-es e telex na Europa filtravam-se através do Echelon.

 

Muitas fontes relataram a respeito da preocupação que os serviços secretos apresentaram quanto das sucessivas mudanças a meios de comunicação mais difíceis de serem escutados/vigiados/espionados.

 

Trata-se então entre outras coisas de cabos de fibras ópticas (que não dá fugas ou  vertentes de informação como os cabos elétricos dão); celulares digitais (que mandam informação em bocados separados em data-pacotes [eletrônicos] em vez de maneira analógica como um facilmente escutável rosto humano);  e internet-trânsito ou e-mail (que também divide a informação em quantidades de data-pacotes eletrônicos que além do mais ainda vai por diversos e diferentes caminhos).

 

De acordo com o livro "Body of Secrets" "Conjunto de Segredos", onde James Bamford tentou cartografar a história assim como a atividade atual da NSA, essa depois de um certo esforço teria conseguido maneiras de resolver esses problemas. De acordo com o livro, assim expressou-se o [então] vice-diretor de trabalho da NSA, Terry Thompson, numa estritamente secreta discussão 1999 - a qual óbviamente então vazou dando fuga de informação -  com partes do grupo técnico da NSA. Lá então foi dito que:-

 

"Os prognósticos que fizemos a uns cinco, seis, oito anos atrás quanto a um aumento da quantidade de comunicação, e do que isso representaria para os nossos analíticos se materializaram, sendo isso então em grande parte graças aos serviços que vocês mesmo fizeram. Nós agora já chegamos muito mais longe quanto a nossa capacidade de conseguir e compilar network-data, mesmo quando de fibras ópticas e informação vindas de celulares, assim também como com todos os diferentes tipos de comunicação as quais nos interessam, o que resulta em muito material para os nossos analíticos. Nossos instrumentos estão trabalhando bem. [...]"

 

Terry Thompson conta ainda, de acordo com o "Body of Secrets" - Conjunto de Segredos", como a NSA adquire informação que flui através da internet. Isso seria então através da recruta de técnicos das empresas (americanas) que constroem instrumentos de data-transmissão e similares equipamentos. O fornecedor Cisco é especialmente nomeado, o qual com grande margem é dirigente mundial quanto a instrumentos de data-transmissäo.  

 

Com a ajuda dos recrutados especialistas  a NSA faz a chamada "engenharia-reversa" (análise de como um produto é construido), o que muitas vezes faz com que se descubra os pontos fracos do produto e daí dando dicas de como uma escuta/invasão/ espionagem poderia ser executada de maneira optimal.

 

Os cabos elétricos tradicionais vazam radiação eletromagnética que é relativamente fácil de ser interceptada (através de "indução") enquanto os cabos de fibras ópticas não permitem isso. Portanto a rápida entrada das fibras ópticas no jogo deu o que pensar aos interessados nos serviços secretos. As fibras ópticas podem no entanto ser escutadas, se uma bóia "cortante" for criada na fibra óptica de maneira que uma migalha de luz  se vaze.  Isso na prática é difícil de ser feito, especialmente se o cabo estiver no fundo do mar, a 11.000m de profundidade [1.100 km de profundidade].

 

De acordo com o periódico Spectrum da organização de standardização, IEEE, na sigla inglesa [standard=regras e normas diretivas], os Estados Unidos equiparam o submarino Jimmy Carter exatamente para essa função. Esse submarino, de quando 2005,  estava sendo extra-equipado num valor de 887 milhões de dólares. Semelhantes dados a respeito do submariono Jimmy Carter também foram publicados no jornal "Los Angeles Times". Pode tratar-se aqui do mais avançadamente equipado espião-submarino. 

 

Também foi dito que Echelon tem funções para um reconhecimento automático de voz, de maneira que uma conversa telefônica pode ser vigiada por um computador procurando palavras-chave. Nos últimos tempos, no entanto, muitos começaram a

duvidar se a NSA, apesar de todas as tentativas realmente teria conseguido uma tal função que pudesse funcionar de maneira satisfatória. Mas, acredita-se que já agora o sistema possa procurar efetivamente um "impressão oral", correspondendo por ex. a uma impressão digital, de maneira que uma pessoa possa ser identificada imediatamente pela sua voz telefônica.

 

Ao mesmo tempo apresentaram-se fontes que dizem que a procura de um funcional reconhecimento de palavras já alcançou sucesso. Um grupo de pesquisadores da University of  Southern California, que em grande parte é financiado pelo quartel-general da Defesa norteamericana, o Pentágono, disse que já tinham construido o primeiro sistema para uma maquina que reconhece a palavra falada melhor do que qualquer pessoa. O sistema que é chamado de "Speaker Independent Speech Recognition System"  [literalmente "Autofalante - Sistema de Reconhecimento de Fala" ] usa a chamada "neural network" a qual imitaria a maneira de funcionar do cérebro humano. Os pesquisadores dizem também que o sistema pode apreende [limpar] e interpretar conversação que se desenrole nos fundos, por exemplo como os ruídos numa festa.

 

Uma noção de que funcionalidade o Echelon tem foi revelada - talvez inadvertidamente - por um certo Bruce McIndoe de quando entrevistado pelo jornal dinamarquês Ekstra Bladet. McIndoe fazia parte do time que construiu Echelon, o que ele também contou na entrevista. Depois de ter terminado a primeira versão do Echelon ele tinha entõa trabalhado com uma versão-prolongada, o Echelon II.

 

Em 1998 ele deixou esse trabalho para ir em serviço particular. Quando o entrevistador perguntou como a NSA via a questão de que ele agora aplicava a mesma tecnologia no setor particular de como antes quando trabalhando para as autoridades ele disse assim: "Muito da tecnologia que é desenvolvida pela NSA chegará antes ou depois a vida civíl. Trata-se de coisas como reconhecimento de palavra, tradução automática, reconhecimento de linguas etc."

 

Apresenta-se como óbvio que em princípio toda a comunicação que passa através de satélites é vigiada pelo Echelon, e como mostrado acima há indicações de que mesmo cabos submarionos e outros tipos de cabos de fibras ópticas são abrangidos. A questão é quanto os serviços secretos, por detrás do acordo UKUSA, conseguem abranger quanto a outros canais de comunicação.

 

Uma maneira comum de re-emitir comunicação eletrônica dentro de um país é através dos chamados elos-micro-ondas [mini-ondas], o que significa que a onda de rádio de tipo micro-onda é transmitida numa linha reta, de uma antena-parabólicaa para outra, algumas milhas de distância, e depois para a próxima e etc. Esses elos-micro-ondas podem parecer difíceis de se escutar do ponto de vista de um poder estrangeiro, porque os sinais são muito bem dirigidos e por questões físicas só continuam para a frente em linha reta, sem seguir o arredondamento da terra.. Mas as aparências enganam nesse caso.

 

É conhecido o fato de que a NSA já nos anos de 1960 tinha desenvolvido uma tecnologia que realmente utilisava as linhas retilíneas das micro-ondas, usando então as micro-ondas que passam ao largo das antenas de recepção e que continuam para o espaço, onde satélites espiões as podem apreender.

 

Um problema central para uma atividade de espionagem como a do Echelon é naturalmente a gigântica quantidade de data gerada. Isso exige uma muito abrangente e severa filtração de material numa etapa inicial, por ex. um sistema de filtro através de palavras-chave, pessoa ou organização.

 

A solução ideal a longo-prazo (do ponto de vista de um serviço secreto) seria se o filtro näo tivesse que ser feito nos super-computadores dos serviços secretos,  mas que pudessem ser feitos decentralizadamente, já perto da pessoa sendo escutada/vigiada/espionada, usando os equipamentos e instrumentos da própria pessoa sendo espionada. Isso faria com que de repente a quantidade de data poderia parecer pequena em relação a capacidade de cálculo dos super-computadores. Esse sonho de um vigilante poderia se tornar elegantemente em realidade através de um programa-espião ou de um sistema de porta-dos-fundos em todos os computadores do mundo - por exemplo escondidos no sistema operativo. [..mas a isso voltaremos dentro de umas duas semanas de quando apresentando a tradução dos sistemas de portas-dos-fundos encomendadas pelos serviços secretos (?) em sistemas operativos muito conhecidos, como apresentado acima na introdução.]

 

Agora aqui sublinha-se  que o acima desenvolvido raciocínio a respeito do que o Echelon pode, ou não, fazer é por motivos compreensíveis caracterizado por incertezas.

 

Dá para se Proteger do Echelon?

 

Como é que a pessoa pode guardar sua informação das orelhas do Echelon? É difícil e depende do tipo de comunicação que a pessoa use.

 

Se trata-se de telefone não se sabe em primeira mão se a rede que se usa é abrangida pelo Echelon ou não. Quanto mais internacional a comunicação se torna, mais aumenta a possibilidade de que possa ser escutada, apreendida. Um primeiro passo fundamental de cautela para uma empresa, ou outros com informações sensíveis, é a de pelo menos nunca discutir assuntos altamente sensíveis numa linha internacional.

 

Uma alternativa seria o de se utilisar equipamento para deformação de sons ("scrambler"), mas isso tem que ser instalado dos dois lados, de antemão, e é então melhor para comunicações recorrentes e com o mesmo parceiro. Um serviço secreto que realmente queira compreender o que é dito pode decodificar um scramble, mas como isso exige muito mais recursos do que simplesmente escutar uma conversa telefônica, a possibilidade de que isso realmente aconteça diminui (se você não for um objetivo altamente em prioridade junto a algum serviço secreto, naturalmente.) 

 

Se se tratar de comunicação não-falada como por ex. e-mail, fax ou telex a situação é outra. Aqui há a possibilidade de se codificar e deve-se fazer. Se nehum avanço secreto na área da ciência da codificação foi feito nos últimos tempos, a codificação ainda é um bom método de parar com as espionagens. As empresas, as autoridades e mesmo as pessoas particulares deveriam codificar suas comunicações de modo muito mais abrangente do que é feito hoje em dia. Depois tem que se observar se não é nenhuma codificação furada a que está sendo usada. Uma alternativa para os que são realmente conscientes da sua segurança pessoal é o de codificar duas vezes, com códigos de preferênicia de dois países diversos. O chato é que existe um relação direta entre o grau de segurança e a complexidade.

 

Uma outra providência que fácilmente pode ser tomada é a de não usar palavras críticas, usando outras mais neutras ou deformadas, por ex. sendo o caso de ter que escrever aviões de caça, escreve-se então "a vio es  de ca ça". Isso não garantiria que a mensagem não fosse apreendida pelos filtros do Echelon, mas deveria aumentar as chances [de um pouco de anonimidade e da integridade pessoal], porque os recursos do Echelon não são suficientes para computar todos as mensagens [do mundo] através de avançados programas de análise.  [..com o Prism talvez? .. nesse caso restaria o prazer de ter colocado pedrinhas nos forros dos sapatos dos malfeitores, ou cascas de banana no caminho dos mesmos]

 

Agora, nas situações realmente importantes como quando da compra de telekom-equipamento ou de aviões [de caça] altamente sofisticados [no valor de várias toneladas de ouro ou outro metal ou mineral precioso] o melhor mesmo é deitar a eletrônica por terra e se manter totalmente por fora do mundo eletrônico. Uma folha de papel num envelope carregado por uma pessoa de alta confiança com todas as possíveis precauções tendo sido tomadas, seria a melhor alternativa. Essa mensagem será pelo menos não vasculhada ou escutada. [se bem que na hora de abrir o envelope e ler a mensagem o mais certo seria o fazer abaixo de cobertores, tendo em vista que tanto os computadores como os celulares de hoje podem ter capacidade para sistema de vídeo ativado a distância]

 

Mesmo pessoas particulares podem usar códigos, codificação, para toda e qualquer comunicação eletrônica. O chato é que os programas de codificação ainda não são de manejo fácil como deveriam ser, o que faz com que muitas pessoas nem tentem. Mas, no capítulo 23 desse livro do qual aqui apresentamos o capítulo sobre o Echelon, entra-se mais a fundo nessa questão. [infelizmente por enquanto só em suéco, mas pelo menos aqui vai a informação de que existem algumas possibilidades de defesa contra intrusão ilegal no âmbito sagrado do lar, por assim dizer, então]

 

"Polícia secreta sem direito para o indivíduo de se defender"

 

[Gracinhas a parte] Echelon [assim naturalmente também como o Prism] não é uma ameaça só contra governos, empresas ou organizações, mas também contra o indivíduo. As pessoas podem cair nas "listas de suspeitos" , ficando depois sem possibilidades de limpar seu nome, e isso por bases em indícios muito incertos.

 

..[como foi o caso da mulher contando no telefone que o filho dela tinha estourado, quer dizer, enfrentado fiasco na peça teatral do colégio. Como o analista da Echelon não tinha entendido bem do que a conversa se tratava colocou, por via das dúvidas, o nome da mulher na lista dos suspeitos terroristas, e assim vai... tente-se depois tirar esse nome da lista...]

 

Assim escreve James Bamford em "Body of Secrets". Observe-se que isso foi escrito antes de 11 de setembro [quando dos ataques de 2001, nos Estados Unidos]

 

"Há uma questão muito importante: Essa é de se, e como, Echelon na prática elimina a possibilidade de proteção da integridade pessoal, a qual é um direito humano fundamental. Algumas informações tiradas de uma conversa que são apreendidas do ar, talvez tiradas do seu conjunto natural, podem ser mal interpretadas por um analítico que depois em segredo as manda para uma autoridade policial e dessa maneira para os serviços secretos do mundo inteiro. Essas informações que mostram uma coisa que não corresponde a realidade do realmente dito ou feito, serão então guardadas no imensamente gigantesco arquivo da NSA, nos Estados Unidos [...]

 

Ao contrário do que acontece com as informações relatadas aos cidadãos americanos, que não se guardam mais do que um ano,  as informações relatadas a um cidadão estrangeiro poderá lá ficar por muitos e muitos anos. Sendo indestruível a informação pode ficar "colada" ao indíviduo pelo resto de sua vida. Ele nunca ficará sabendo como é que foi que ele caiu na lista negra das alfândegas do mundo inteiro, quem foi que o colocou lá,  porque é que ele não teria recebido esse ou aquele contracto - ou coisa ainda muito pior. 

 

[observe-se que a distinção acima feita entre cidadãos americanos e outros, pelo tudo que compreendi hoje a coisa já mudou. Na prática os americanos já devem estar tendo menos direitos do que a maioria dos outros cidadãos através do mundo, uma vez que podem ser indefinidamente detidos e confinados, ou mesmo mortos pela simples suspeita, e isso sem direito de nem ao menos ficar sabendo o porque.]

 

[Segue um outro exemplo, mas aqui dá-se a conclusão tirada]

 

Sem controle político ou jurídico [Echelon] torna-se numa polícia cibernética secreta, sem tribunais, jurí, ou qualquer outro direito para que permita ao indivíduo de se defender."

 

Anna Malm* http://artigospoliticos.wordpress.com

 

Referências e Notas:

 

Pär Ström é engenheiro-civil tendo física técnica como especialidade. Ele trabalha como Procurador- Representante (ombudsman) na área "Integridade Pessoal" na Suécia, assim como, 2007-2010, em questões de IT (information technology) para o governo suéco e hoje em dia  com atividades de consultas.

 

Pär Ström, "Övervakad" -  Liber 2003. Edição Suéca.  Em português aqui traduzido como "Abaixo de Vigilância"  - http://www.atomerochbitar.se/avlyssning.pdf

 

* OBS. No Brasil usa-se a qualificação "Ministérios". O correspondente nos EUA seria então "Departamentos".

 

Tradução Anna Malm - Ph.Lic. - http://artigospoliticos.wordpress.com

 

Esse documento poderá ser distribuido e citado livremente com a condição de que seu conteúdo não seja modificado e que as fontes sejam claramente dadas - 

 

 

 


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