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Ucrânia: EUA toma a rampa de saída e aceita as exigências russas

17.03.2014
 
Ucrânia: EUA toma a rampa de saída e aceita as exigências russas. 19993.jpeg
Fraud in Ukraine "Parliament"

Houve hoje outro telefonema entre o secretário de estado Kerry e o ministro Lavrov de Relações Exteriores da Rússia. O telefonema aconteceu depois de uma reunião estratégica sobre a Ucrânia na Casa Branca. Nesse telefonema, Kerry aceitou as demandas russas de que a Ucrânia seja convertida numa federação, na qual os estados federados tenham forte autonomia em relação ao governo central, numa Ucrânia finlandizada. Putin ofereceu essa rampa de saída da escalada, e Obama enveredou por ali.

O anúncio dos russos:


"Lavrov e Kerry concordam em trabalhar para uma reforma constitucional na Ucrânia: ministério da Rússia"[1]

(Reuters) - O ministro de Relações Exteriores da Rússia Sergei Lavrov e o secretário de Estado dos EUA John Kerry acertaram, nesse domingo, que buscarão juntos uma solução para a Ucrânia, promovendo ali reformas constitucionais, disse o ministério russo.

Não há ainda detalhes sobre o tipo de reformas necessária, exceto que devem ser feitas "de forma aceitável para todos e levando em conta os interesses de todas as regiões da Ucrânia". 

...

"Sergei Viktorovich Lavrov e John Kerry concordaram que continuarão a trabalhar para encontrar uma resolução final sobre a Ucrânia mediante o rápido lançamento de reformas constitucionais com o apoio da comunidade internacional" disse o Ministério, em declaração.


A ideia de "reforma constitucional" e "os interesses de todas as regiões" é dos russos, como documentada nesse 'não-jornal russo' (http://newsru.com/pict/big/1638517.html) (ing.).

O não-jornal descreve o processo de como chegar a uma nova Constituição ucraniana e demarca alguns parâmetros. O russo voltará a ser língua co-oficial da Ucrânia; as regiões terão grande autonomia; não haverá interferência em assuntos religiosos; e a Ucrânia permanecerá politicamente e militarmente neutra. Será aceita qualquer decisão sobre autonomia que se decida na Crimeia. O acordo será garantido por um "Grupo de Apoio à Ucrânia", constituído de EUA, União Europeia e Rússia, e será cimentado por uma Resolução do Conselho de Segurança da ONU.

Parece que Kerry e Obama aceitaram todos esses parâmetros. Agora, se tratará de vender essa solução como se fosse ideia deles, o que - como o não-jornal o comprova suficientemente - é inconsistente com a realidade.

Aqui[2] aparece Kerry repentinamente "exigindo da Rússia" que aceite as condições que a Rússia propôs e que Kerry jamais antes havia mencionado:


O secretário de Estado John Kerry exigiu de Moscou que recolha às bases suas tropas na Crimeia, retire os soldados da fronteira da Ucrânia, pare de incitar o leste da Ucrânia e apoie as reformas políticas na Ucrânia que protegerão os russos étnicos, os falantes de russo e outros na ex-República Soviética com a qual a Rússia se diz preocupada.

Em telefonema ao ministro de Relações Exteriores da Rússia Lavrov, o segundo entre ambos depois do fracasso do encontro que tiveram na 6ª-feira em Londres,[3] Kerry exigiu que a Rússia "apoie os esforços dos ucranianos de todo o espectro para resolver a partilha de poder e a decentralização, mediante um processo de reformas constitucionais amplo e inclusivo, que proteja os direitos das minorias" - disse o Departamento de Estado.


Obama cedeu. Suas ameças ocas não funcionaram e, agora, Obama está, em vasta medida, aceitando as condições que os russos propuseram para sair da crise.

O golpe que os EUA armaram para roubar a Ucrânia da Rússia e para integrá-la à OTAN e à União Europeia parece ter fracassado. A Rússia ficará com a Crimeia, agora com apoio de 93% da população ucraniana - o que torna impossível realizar o projeto dos EUA de espantar os russos para longe de Sevastopol e, portanto, também para longe do Oriente Médio.

A ameaça dos russos (que não veio a público) de imediatamente invadir e anexar as províncias leste e sul da Ucrânia, empurrou os EUA a aceitar as condições russas mencionadas acima. A única alternativa, naquele caso, seria confronto militar que nem EUA nem os europeus querem arriscar. Apesar da campanha anti-russos na imprensa-empresa nos EUA, a maioria dos norte-americanos e dos europeus estão contra qualquer confrontação desse tipo. Como se vê agora, os EUA jamais tiveram as cartas que precisariam ter para vencer esse jogo.

Se tudo correr bem e uma nova Constituição ucraniana satisfizer as condições que os russos impuseram e obtiveram, o 'ocidente' no futuro poderá ser autorizado a pagar mensalmente, à Gazprom, as contas que a empresa continuará a enviar para o endereço de Kiev.

Demorará algum tempo para implementar tudo isso. Que truques sujos os neoconservadores de Washington tentarão agora, para impedir esse desfecho pacífico? *****


16/3/2014, Moon of Alabama
http://www.moonofalabama.org/2014/03/ukraine-us-pulls-back-agrees-to-russian-demands.html#more


[1] http://www.reuters.com/article/2014/03/16/us-ukraine-crisis-lavrov-kerry-idUSBREA2F05Y20140316

[2] http://bigstory.ap.org/article/white-house-urges-putin-back-down-crimea

[3] Como se lê em "EUA e Rússia concordam em deixar rolar a bola na Ucrânia
16/3/2014, MK Bhadrakumar, Indian Punchline", em http://blogs.rediff.com/mkbhadrakumar/2014/03/16/us-russia-kick-ukraine-can-down-the-road/, essa reunião não fracassou. Foi, de fato, muito bem sucedida e levou ao bom resultado que hoje se anuncia. Quem precisa do jornalismo que há?! [NTs].

 

 


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