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Quem defende as mulheres do Iraque?

16.10.2006
 
Quem defende as mulheres do Iraque?

“Nossa liberdade e democracia, trazido pelos Estados Unidos da América, foi a quebra da nossa rotina diária. Nem podemos sair para a rua sem pensar duas vezes,” declarou Houzan Mahmoud no debate organizado pelo ATTAC Portugal e participado pela PRAVDA.Ru no Fórum Social Português em Almada este fim-de-semana.

Houzan Mahmoud é dirigente da Organização pela Liberdade da Mulher no Iraque, organização que mantém dois abrigos para mulheres abusadas e vítimas de violência, que arranja acções de formação para empoderar a mulher num país cuja sociedade “foi enviada três séculos para trás em três anos e meio de ocupação”, diz Houzan Mahmoud.

A condição da mulher está a piorar no Iraque, de acordo com esta activista iraquiana, co-fundadora do Iraq Freedom Congress, que apresenta uma abordagem contra a ocupação, contra a violência da assim-chamada Resistência (que ela rotula de nada mais que um bando de terroristas) e contra os políticos islamistas do Governo.

Neste debate durante o Fórum Social Português, organizado pelo ATTAC Portugal e contando com a participação da PRAVDA.Ru, Houzan Mahmoud disse que a ocupação norte-americana não fez nada para os cidadãos iraquianos, porque os tropas norte-americanos não os protegem. Simplesmente destruíram as infra-estruturas do país, violam mulheres nas prisões e ficam arrecadados em quartéis ou em enormes comboios militares, aterrorizados por causa dos ataques da Resistência, que acontecem todos os dias e várias vezes por dia. Se há um ano atrás, entre cinquenta e cem pessoas morriam por dia, a cifra agora fica nas centenas.

“Estávamos melhores com o Saddam,” diz Houzan Mahmoud, que afirma que se os norte-americanos tivessem deixado os cidadãos iraquianos resolver seus próprios problemas, Saddam Hussein já não estaria no poder de qualquer modo e o país não estaria cheio de terroristas. Num país onde a condição feminina era a melhor em todo o Médio Oriente, com acesso a formação, uma grande percentagem de mulheres tendo educação superior, hoje em dia a mulher pode ser espancada em casa, uma mulher não pode ir à rua sem usar o véu, senão pode ser decapitada em plena luz do dia, pela “Resistência”.

Para Houzan Mahmoud, há uma solução: a retirada imediata das forças da ocupação, visto que ninguém os quer no Iraque e visto que não fazem nada senão piorar a situação. Depois, a população do Iraque trata da Resistência e forma um Governo secular que zela pelos interesses de todos os cidadãos, em vez de encher os bolsos, como o clique de elitistas no Governo actual, escolhidos por Washington e Londres, que roubaram biliões de dólares.

O resultado tangível da desastrosa intervenção do regime de Bush no Iraque é o caos que se vê hoje, e as mulheres do Iraque são as vítimas. A decapitação, a morte, a violação, o espancamento de cada mulher no Iraque se deve directamente a esta política ilegal, egoísta e errada.

Para saber mais da organização quer a Houzan representa e para saber como apoiar as mulheres no Iraque, apresentamos seu sítio na Internet:

www.equalityiniraq.com

Timothy BANCROFT-HINCHEY

PRAVDA.Ru


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