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RD Congo: Kabila prestes a ganhar

16.08.2006
 
RD Congo: Kabila prestes a ganhar

As primeiras eleições democráticas na história da República Democrática do Congo desde a sua independência em 1960, parecem prestes a providenciar a vitória de Joseph Kabila, filho do antigo Presidente Laurent-Desiré Kabila, assassinado em 2001, que por sua vez derrubou o antigo ditador Mobotu Sese Seko em 1996.

Em 30 de Julho, os eleitores na RD Congo afluíram em grande número às estações de voto para escolherem entre os 33 candidatos presidenciais e os 9.700 candidatos para 500 lugares no Parlamento Nacional. Se houver vencedor claro na eleição presidencial (50 por cento do voto mais um voto) a tomada de posse será em 10 de Setembro. Se não, haverá uma segunda volta entre os dois candidatos com mais votos em 29 de Outubro, em que caso os resultados serão publicados em Novembro e a cerimónia será em 10 de Dezembro.

Os dois candidatos principais para a Presidência são o Presidente interino Joseph Kabila e Jean-Pierre Bemba Gombo. Resultados provisionais divulgados na terça-feira pela AFP apontam para uma vitória de Joseph Kabila com 55 por cento do voto depois de contados 20 por cento dos boletins, contra os 17,8 por cento de Bemba Gombo.

Quem são os candidatos?

Joseph Kabila foi educado na Tanzânia, Ruanda e Uganda, pelo qual fala o inglês e o swahili muito melhor do que francês e lingala, as línguas faladas em Kinshasa. Sua influência nas forças AFDL do seu pai contra Mobutu foi decisivo, sendo a placa giratória entre várias facções tribais e étnicas, forjando-os num movimento comum. Depois de receber formação militar na RP China em 1998, voltou para tornar-se Chefe das Forças Armadas e coordenou as forças da RD Congo, Angola, Namíbia e Zimbabwe contra o movimento Banyamulengue na parte oriental do país. Assumindo a Presidência depois do assassínio do pai, e apoiado pelos homens fortes deste, Joseph Kabila levou seu país na senda de paz e reconciliação, permitindo a comunidade regional e internacional intervir com importantes níveis de apoio, e aceitando a entrada dos ex-líderes rebeldes na política como Vice-Presidentes

Jean-Pierre Bemba Gombo foi um destes líderes que fez a transição para a política. Depois de liderar o Movimento pela Libertação do Congo (MLC) em 1998-2002 no norte do país, juntou-se ao governo interino de Kabila em 2003. Bemba Gombo é filho de um empresário rico, amigo de Mobutu e controla um império dos média.

Com a ajuda dos meus amigos

O apoio prestado pelas comunidades regional e internacional é um caso de estudo de aquilo que pode ser conseguido quando as pessoas e as nações se juntam e caminham na mesma direcção. Depois de décadas de governo colonial, e mais décadas de má gestão por Mobutu (cuja desculpa para não construir estradas foi porque os rebeldes poderiam utilizá-las para chegarem mais depressa a Kinshasa) e duas guerras civis, a RD Congo (antigo Zaire), estava de rastos.

A ONU supervisionou a maior operação aérea na história do continente, estabelecendo 50.000 estações de voto para os 25 milhões de eleitores, fornecendo 17.500 tropas e distribuindo os 400 milhões de USD dos países dadores. África do Sul providenciou 300 técnicos das TIC e membros da SADC (defesa) e SAPS (polícia) patrulharam as regiões designadas pela ONU.

Desafios futuros

Como em todas as crises, é preciso boa vontade de todas as partes para que os conflitos não rebentem outra vez e para que este enorme país com seus vastos recursos não impluda numa miríada de micro-pseudo-estados, facilmente controláveis por potências estrangeiras que desejam retirar seus recursos da África e dos africanos.

Internamente, deve lembrar-se que o político veterano Etienne Tshisekedi boicotou o voto (e por quê?) e que os antigos líderes rebeldes Bemba Gombo e Azarias Ruberwa (outro candidato presidencial que poucos votos ganhou até agora) já estão a falar de fraude eleitoral, enquanto o General de exército Laurent Nkunda prometeu tomar medidas se o novo governo não for ao seu agrado.

Externamente, a ONU deu claras provas de aquilo que pode lograr quando os membros da comunidade internacional a apoiarem em vez de a desprezarem, ao mesmo tempo que quebram a sua Carta.

O povo da RD Congo merece ter a sua chance de construir a sua nação, desenvolvê-la e viver lado a lado em prosperidade e eles podem conseguir isso se a comunidade internacional se juntar, respeitando os devidos canais – a ONU.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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