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A mentira como doutrina de Estado

16.06.2009
 
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A mentira como doutrina de Estado

Carlos de Urabá

O poder político, econômico e militar da nossa “democracia” deve consolidar-se não importando os meios, pois é fundamental salvaguardar os interesses da pátria. O governo nacional dispõe do armamento de propaganda e de manipulação que a mídia lhe fornece para impor seus princípios.

Milhares dos melhores especialistas, uma máquina eficaz que trabalha dia e noite para que seja instaurado na Colômbia um sistema limpo e perfeito que justifique a mentira como doutrina de Estado.

Durante o governo uribista tem-se realizado os maiores esforços militares patrocinados pelo Plano Colômbia para deixar a cúpula das FARC sem cabeça. Nas selvas, bombardeios contínuos ocorrem nas zonas marcadas pelos aviões espiões e satélites norte-americanos onde supõem existir acampamentos guerrilheiros que, segundo a doutrina oficial são terroristas que devem ser aniquilados da face da Terra. Isto tem significado o maior investimento jamais visto na América Latina para matar e destruir com o consentimento dos EEUU e Europa. Mas a tenaz resistência guerrilheira é quase impossível de ser subjugada.

O exército colombiano continua insistindo, há anos, numa ampla campanha midiática com a finalidade de convencer os guerrilheiros para se entreguem e se submetam à lei de Justiça e Paz. Nas rodovias do país são distribuídos panfletos onde se mostra um baralho, igual ao dos norte-americanos no Iraque, em que se mostram fotos dos membros do secretariado das FARC com os respectivos valores em milhares de dólares de recompensa.

“Os guerrilheiros devem desertar e aproveitar os benefícios que a pátria lhes oferece ou caso contrário o seu destino será o cemitério” diz a propaganda oficial. “Fujam rápido, voltem para a vida civil que os espera com os braços abertos”, mas esquecem que na tal vida civil que os espera 60% da população está desempregada e a situação econômica é cada dia mais desesperante. O governo colombiano acredita que as pessoas podem ser subornadas e chantageadas e que a dignidade humana não existe. Como nos filmes de faroeste, os lideres da insurgência receberam um preço para estimular a delação. Tudo é resolvido com dinheiro, ou melhor, com falsas promessas de dinheiro porque ao final sequer fazem o pagamento e até fazem desaparecer os informantes. Sem duvida o “patriotismo” não tem muitos adeptos e ninguém atende a essas razões heróicas se não houver uma grande quantidade de dinheiro no meio. (Sabemos de fontes confiáveis, que o guerrilheiro desertor “Isaza” foi premiado com uma viagem a Paris com sua noiva e que se encontra como pajem na casa de Ingrid Betancourt).

Os filhos de camponeses e operários são obrigados, por lei, a prestar o serviço militar. E devem arriscar o pescoço de graça enquanto os filhinhos das classes privilegiadas livram-se do mesmo destino comprando a dispensa do serviço militar nos escritórios de recrutamento. Nenhum filhinho da alta sociedade caiu em combate defendendo o que a burguesia chama de “nossa pátria”. Além disso, os soldadinhos são maltratados e devem cumprir 12 penosos meses “seqüestrados”, acatando com disciplina e honra as ordens de seus superiores. Essa gleba é simplesmente bucha de canhão no tenebroso jogo da guerra. A maioria dos oficiais da cúpula militar colombiana foi educada na Escola das Américas ou em West Point onde foram aprovados, com elevadas notas, no curso intensivo de tortura e terrorismo de estado. Métodos de extermínio copiados fielmente dos manuais da Gestapo.

Na Colômbia, a partir de 1930, a ideologia fascista teve grande aceitação no seio da classe política, militar e eclesiástica acreditando ver na disciplina castrense o método perfeito para guiar os cidadãos pelo caminho da civilização e do progresso. O führer, Franco e Mussolini foram elevados em altares como exemplo de sacrifício e entrega. Por isso, ninguém deve estranhar que, neste país, tenha germinado a semente diabólica do paramilitarismo.

Por obra e graça do espírito santo, Uribe Vélez converteu-se no redentor da pátria, no messias crioulo, o novo nazareno, um grande timoneiro dotado de inteligência superior própria de um ser de outra galáxia. Daí que seus devotos, valendo-se de chantagens e subornos, reformaram a constituição colombiana com a finalidade de eternizá-lo no poder. Como bom antioquenho, cercou-se de hermético grupo de amigões, uma espécie de “cosa nostra” onde se destacam o ideólogo José Obdulio Gaviria, primo de Pablo Escobar e principal conselheiro presidencial; o Radovan Karadzic colombiano, psiquiatra e ex-comissionado para a Paz, Luis Carlos Restrepo; o padrinho Fabio Echeverry; o cachorrinho Andrés Felipe Arias; a família Santos, com o pedófilo-mor Juan Manuel à cabeça e seu priminho Francisco de Vice-presidente; os Valencia Cóssio, afamados paramilitares e mafiosos; o membro numerário da Opus Dei, Sabas Pretelt e um sem número de rufiões e espertalhões de reconhecido prestigio.

Dentre os planos do uribismo há o de instaurar um “estado comunitário” para que a participação cidadã democratize as instituições. “O estado burocrático e politiqueiro tem que acabar de uma vez por todas”, que segundo suas palavras existiam até que ele foi eleito presidente. Mas os fatos demonstram que a corrupção ao invés de diminuir, pelo contrário, aumentou até níveis escandalosos. O clientelismo é um mal endêmico que assola as instituições,pois como é de costume, as alianças políticas são pagas com quotas burocráticas aonde diferentes grupos, que vão da ultradireita conservadora até o partido liberal passando por grupos guerrilheiros do M-19 como o comandante 1, Rosemberg Pabón ou Evert Bustamante, brigam entre si para ocupar os postos de maior relevância.

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