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Com o aumento da perseguição, bahá'í do Iêmen recebe sentença de morte

16.01.2018
 
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Com o aumento da perseguição, bahá'í do Iêmen recebe sentença de morte

Em 2 de janeiro de 2018, a Corte Criminal Especializada, em Sanaá, Iêmen, emitiu um parecer sem precedentes na perseguição dos Bahá'ís no Iêmen. Sentenciando o Sr. Hamed bin Haydara à morte, devido às suas crenças religiosas, o juiz também pediu a dissolução de todas as Assembleias Bahá'ís; assim, aprisionando outros Bahá'ís e colocando a comunidade Bahá'í, como um todo, em perigo iminente.

Após um prolongado processo judicial e um aprisionamento cruel por quatro anos, a audiência final da corte foi realizada enquanto o réu, Sr. Haydara, fora intencionalmente impedido de estar presente. Durante a audiência, o juiz local, o Sr. Abdu Ismail Hassan Rajeh, pediu a execução do Sr. Haydara e o confisco de todos os seus bens, sob o pretexto de que o Sr. Haydara estivera em comunicação com a Casa Universal de Justiça, o corpo governante supremo dos Bahá'ís, sediado em Israel. O veredito exige que a execução, em data desconhecida, seja realizada em público. O veredito também pede a dissolução das Assembleias Bahá'ís, o que se assemelha aos atos de perseguição cometidos no Irã contra os Bahá'ís, na década de 1980. Um apelo à decisão da corte foi imediatamente emitido pelo advogado de defesa.

Bani Dugal, a principal representante da Comunidade Internacional Bahá'í para as Nações Unidas, comentou: "Esta mais recente medida opressiva, contra o Sr. Haydara e os Bahá'ís do Iêmen como um todo, é sem precedentes e profundamente alarmante, especialmente quando se pode ver claramente, aqui, a marca da perseguição do governo iraniano contra os Bahá'ís. Conclamamos as autoridades Houthi a defenderem a justiça e anularem essa decisão injusta; a soltarem imediatamente o Sr. Haydara e todos os outros prisioneiros Bahá'ís. Conclamamos a comunidade internacional a pronunciar-se contra essa decisão e prevenir a ocorrência de outras atrocidades contra os prisioneiros Bahá'ís restantes e milhares de outros Bahá'ís Iemenitas".

O Sr. Haydara foi preso arbitrariamente em seu local de trabalho no dia 03 de dezembro de 2013 e mantido sob custódia em Sanaá, Iêmen, onde, durante vários meses, foi submetido a repetidas torturas, forçado a assinar papéis enquanto vendado, além de lhe terem sido negadas visitas, inclusive de sua esposa e suas filhas. Após sua prisão, sua casa também foi saqueada, e seus documentos e computador foram confiscados pelo Departamento de Segurança Nacional.

A sua primeira audiência foi realizada em 18 de janeiro de 2015, mais de um ano após de ter sido preso, e não lhe foi permitido estar presente. Além disso, até aquele momento, não havia acusações formais, mesmo infundadas e absurdas, levantadas contra ele. Desde então, mais de metade das quase quarenta audiências foram canceladas sob diferentes pretextos, inclusive por doença ou ausência inexplicada do juiz. No curso de seus quatro anos de aprisionamento, foi negado repetidamente ao Sr. Haydara o tratamento de problemas de saúde que surgiram como resultado das torturas que sofreu. Vale notar que nenhuma prova substancial foi apresentada durante quaisquer desses procedimentos jurídicos, um fato mencionado várias vezes, nas audiências finais à acusação, pelo próprio juiz. A esse reconhecimento da falta de provas, seguiu-se, de maneira estranha e inesperada, o julgamento sumário em 2 de janeiro de 2018, pela execução do Sr. Haydara.

Flagrantes violações de direitos humanos básicos contra os Bahá'ís do Iêmen foram documentadas pelo Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, o Relator Especial sobre a Liberdade de Religião ou Crença e o Conselho de Direitos Humanos, assim como por organizações tais como a Anistia Internacional (ex. em relação à onda de prisões entre abril de 2017 e pedindo a libertação do Sr. Haydara).

 


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