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Um homicida teatro de absurdo

15.09.2008
 
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Um homicida teatro de absurdo

por John Pilger


Tente rir, por favor. Os noticiários agora são oficialmente uma paródia e um jogo para a diversão de toda a família.

Primeira pergunta: Por que estamos "nós" no Afeganistão? Resposta: "Para tentar ajudar no programa de reconstrução do país". Quem disse isso? Huw Edwards , o principal leitor de notícias da BBC. Que comediante é este galês.

Segunda pergunta: Por que estamos "nós" no Iraque? Resposta: Para "implantar uma democracia aberta de estilo ocidental". Quem disso isso? Paul Wood , o antigo correspondente de defesa da BBC, e sua patroa Helen Broaden, directora da BBC News. Para demonstrar sua afirmação, Boaden forneceu à Medialens.org 2700 palavras de citações de Tony Blair e George W. Bush. Ironia? Não, ela pretendia isso.

Tome-se Andrew Martin, conselheiro da divisão de queixas da BBC, que tem andado a procurar nos discursos de Bush "provas" das nobres razões democráticas para arrasar uma antiga civilização. Diz ele: "A palavra 'D' não está ali, mas a frase 'unido, estável e livre' [é] claramente uma alusão a isto". Afinal de contas, diz ele, a invasão do Iraque "foi lançada como 'Operação Liberdade Iraquiana'". Além disso, diz o homem da BBC, "no discurso de Bush de 1 de Maio de 2003 (aquele no porta-aviões) ele falou repetidamente acerca da liberdade e explicitamente acerca da transição iraquiana para a democracia ... Estes exemplos mostram que isto estava na mente de Bush antes, durante e após a invasão".

Tente rir, por favor.

A risada pode ser difícil, concordo, dada a carnificina de civis no Afeganistão pelos aviões da "coligação", incluindo aqueles dirigidos pelas forças britânicas empenhadas no "programa de reconstrução do país". O bombardeamento de áreas civis duplicou, juntamente com as mortes de civis, afirma o Human Rights Watch . No mês passado, "nossos" aviões massacraram aproximadamente 100 civis, dois terços deles crianças entre as idades de três meses e 16 anos, enquanto dormiam, segundo testemunhas oculares. O noticiário da televisão BBC inicialmente dedicou nove segundos ao relatório do Human Rights Watch, e nada para o facto de que "menos do que amendoins" (segundo um trabalhador da ajuda) estar a ser gasto na reconstrução de alguma coisa no Afeganistão.

Quanto à noção de um Iraque "unido, estável e livre", considere os contratos sem licitação dados às maiores companhias de petróleo ocidental para a propriedade do petróleo do país. "Roubo" é uma palavra mais verdadeira. Redigidos pelas próprias companhias e por responsáveis dos EUA, os contratos foram apresentados por Bush e Nouri al-Maliki, "primeiro-ministro" do governo "democrático" do Iraque que reside numa fortaleza americana com ar condicionado. Isto não é notícia.

Tente rir, por favor, enquanto considera a devastação da saúde do Iraque, outrora a melhor no Médio Oriente, pela poeira omnipresente deixada pelas armas de urânio empobrecido britânicas e estado-unidenses. Um estudo da Organização Mundial de Saúde relatando uma epidemia de câncer foi suprimido, afirma seu autor principal. Isto foi relatado na Grã-Bretanha apenas pelo Glascow Sunday Herald e pelo Morning Star . Segundo um estudo feito no ano passado pelo Colégio Médico da Universidade de Bassorá, quase a metade de todas as mortes nas províncias sulistas contaminadas foram causadas pelo câncer.

Tente rir, por favor, nos recentes rituais encantantórios de Nurembergs a partir dos quais sairá o próximo presidente dos Estados Unidos. Aqueles pagos para manter o registo limpo tem-se esmerado para apresentar um espectáculo selecto. Barack Obama, o homem da "mudança", quer "construir umas forças armadas do século XXI ... para permanecer na ofensiva por toda a parte". Aqui entra a nova Guerra Fria, com promessas de mais bombas, mais sociedade militarizada com suas 730 bases por todo o mundo, nas quais os americanos gastam 42 cents de cada dólar de impostos.

Internamente, Obama não propõe qualquer medida autêntica que possa mitigar a grotesca desigualdade da América, tal como os cuidados básicos de saúde. John McCain, seu opositor republicano, presta-se bem a ser uma figura para caricaturas nos media – o falso "herói de guerra" agora juntou-se a uma mulher que proscreveu Shakespeare, é amante de armas e fanática religiosa – mas o seu verdadeiro significado é que ele e Obama no essencial partilham as mesmas perigosas receitas.

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