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Problemática da SIDA discute-se em Canadá

15.08.2006
 
Problemática da SIDA discute-se em Canadá

 Em Toronto , Canadá,  se realiza a 16ª Conferência Internacional sobre a AIDS( SIDA). Está discutida a  epidemia da SIDA na África. O enviado especial da ONU para a África Stephen Lewis criticou nesta segunda-feira a estratégia dos Estados Unidos para combater a SIDA, acusando Washington de "neocolonialismo" e de "ditar" aos países africanos uma conduta a seguir.

Para travar a epidemia, a palavra de ordem continua a ser prevenção. Primeiro passo impedir que os infectados transmitam o vírus. Um objectivo que esbarra na ignorância: 90% dos portadores VIH não sabem que são seropositivos.

 O alerta é de Kevin De Cock, responsável da sida na Organização Mundial de Saúde, que apelou a médicos e enfermeiros para que divulguem as vantagens da despistagem. Esta questão não é, contudo, pacífica, já que os doentes de SIDA são ainda estigmatizados em muitos países do Mundo. O próprio conceito de prevenção não é consensual. 

 Não só Stephen Lewis , mas quase todos os  oradores criticam a estratégia dos EUA  da luta contra a SIDA. George W. Bush lançou, em 2003, um plano de urgência, conhecido como "A-B-C", que preconiza a abstinência sexual antes do casamento, a fidelidade ao parceiro e, caso estas condições não sejam respeitadas, a utilização do preservativo. O Congresso norte-americano, maioritariamente republicano conservador, estipulou que um terço da verba destinada à prevenção (20% de 15 biliões de dólares) deve ser despendida nas campanhas que encorajam a castidade e à fidelidade conjugal.

Representantes de várias organizações não governamentais criticaram a valorização excessiva dada à abstinência em detrimento da divulgação de práticas sexuais segura. Jodi Jacobson, director do Centro para a Saúde e Igualdade dos Sexos, disse mesmo que a adjudicação de fundos significativos "nem sempre é uma coisa boa, quando é acompanhada de uma má política".

Nova terapêutica

A esperança de que a utilização combinada de quatro medicamentos fosse mais eficaz no tratamento da SIDA foi, ontem, abalada com a apresentação de um estudo, comunica Jornal de Notícias. Nos últimos 15 anos, a abordagem terapêutica passou de um só fármaco para dois e, actualmente, três medicamentos anti-retrovirais. As terapias combinadas inibem a proliferação viral e incrementam o desempenho do sistema imunitário, melhorando, dessa forma, o estado geral do paciente.

 Um estudo da Universidade Cornell de Nova Iorque afasta a possibilidade de os efeitos serem potenciados pelo uso simultâneo de quatro substâncias, já que os resultados não demonstram diferenças significativas na aplicação de três ou quatro medicamentos. Sem perspectivas de descoberta, a curto prazo, de uma vacina, sem tratamentos que curem a doença e com um cenário de 2,8 milhões de mortes, no ano passado, como pano de fundo, Bill Clinton e Bill Gates - duas figuras de proa na luta anti-SIDA - advertem para o longo caminho que é preciso percorrer.

No entanto, mesmo que um medicamento milagroso seja desenvolvido rapidamente, a epidemia da SIDA estaria longe de ser sanada. Na Sida, para milhões de pobres em todo o Mundo, o tratamento ainda é uma miragem. Porque a doença está longe de ser apenas um problema de saúde, Helene Gayle, presidente da conferência, falou em "pobreza, desigualdade no sexo e homofobia" como factores que impedem o acesso a formas de prevenção e tratamento.

Ontem (14) os investigadores da SECURE THE FUTURE(R), uma iniciativa da Bristol-Myers Squibb e da Bristol-Myers Squibb Foundation, para responder ao HIV em África, incluindo o aumento de cuidados e apoio a doentes de HIV/SIDA em ambientes de recursos limitados, apresentaram  os seus dados na  Conferência Internacional da SIDA.

” Estes dados mostram não só que os anti-retrovirais (ARVs) podem funcionar até em zonas remotas, atingidas pela pobreza, onde os cuidados de saúde e outros recursos são limitados, mas que também os apoios sociais integrados, tais como a alimentação, os cuidados psicológicos, a geração de rendimentos e os cuidados domiciliários desempenham um papel essencial na obtenção de bons resultados clínicos sustentados”, disse o Dr Sebastian Wanless, director clínico sénior de SECURE THE FUTURE. O texto completo pode ser lido no  site: http://www.bms.com.


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