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Lançada Frente Parlamentar de Apoio a Países Africanos

15.07.2008
 
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Lançada Frente Parlamentar de Apoio a Países Africanos

Foi lançada, nesta segunda-feira, a Frente Parlamentar de Apoio aos Países Africanos. O objetivo é estreitar as relações do Brasil com todos os países africanos, começando por aqueles com os quais já existam relações diplomáticas, segundo explicou o coordenador da frente, deputado Regis de Oliveira (PSC-SP). "Marcadas no passado pela vergonhosa rota da escravidão, nossas relações agora precisam ser uma rota firme de intercâmbio e solidariedade", disse o deputado.

Oliveira destacou que o Brasil não pode deixar de se aproximar da África, porque tem a segunda maior população negra do mundo - 76 milhões os brasileiros afro-descendentes -, contingente maior que o de qualquer país africano, sendo a Nigéria a única exceção, e que o dos Estados Unidos.

A frente foi lançada durante seminário no qual foram discutidas as relações do Brasil com a África e a situação dos povos daquele continente, do ponto de vista da evolução da democracia, da diversidade cultural, da educação, da tolerância religiosa e do desenvolvimento econômico e social sustentável.

Em sintonia - O ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, lembrou que o Brasil foi o último país das Américas a dar fim à escravidão; e que, além disso, quando o fez, não houve qualquer preocupação com a qualidade de vida dos negros libertos. Eles ficaram sem acesso ao trabalho, sem educação e sem terras, jogados à própria sorte. O resultado, ressaltou, foi uma desigualdade racial intensa, que continua até os dias de hoje.

Entretanto, segundo o ministro, esse quadro está mudando, em razão do trabalho dos movimentos anti-racistas e de o Estado estar assumindo seu papel na promoção da igualdade. "O governo está sintonizado com esta iniciativa dos deputados, que vem ao encontro da política do presidente Lula de reconhecer o valor estratégico da relação Brasil-África", disse o ministro.

Para Edson Santos, os países ricos deveriam ajudar o desenvolvimento sustentável dos países africanos acabando com os seus subsídios e as suas barreiras comerciais, que impedem a entrada de produtos agrícolas. "Os países ricos acenam com migalhas para justificar sua política de dominação comercial", criticou Santos, destacando que o Brasil pode ser um importante parceiro para a África, em especial na área agrícola, via transferência de tecnologia.

Prioridade Sul-Sul - Em nome dos países africanos, o embaixador da República dos Camarões, Martin Mbarga Nguele, deixou clara a disposição de colaborar. Ele recordou que, em 1999, foi tentada uma outra frente parlamentar semelhante, que, no entanto, acabou não frutificando como se esperava. O camaronês manifestou confiança na nova iniciativa, e fez uma exposição sobre diversidade cultural e tolerância religiosa.

Representando o Itamaraty, o chefe da Divisão da África, embaixador Luciano Macieira, enfatizou que a aproximação com a África está entre as prioridades da política externa brasileira, como parte importante da aproximação Sul-Sul.

Evolução da democracia - O cientista político José Flavio Sombra Saraiva, da Universidade de Brasília (UnB), fez uma análise da evolução da democracia nos países africanos. Ele disse que a África, apesar de seus graves problemas, como a pobreza e os conflitos étnicos e políticos, está obtendo avanços relevantes na redução das guerras, no desenvolvimento econômico (média anual superior a 5% nesta década) e também na construção da democracia. "Nem todos se dão conta, mas a África aos poucos vai melhorando", disse o professor.

A coordenadora do Núcleo da Igualdade Racial da UnB, Deborah Silva Santos, chamou a atenção para a aplicação da Lei 10.639/03, que tornou obrigatório o curso de História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas públicas e privadas do ensino básico. Deborah ressaltou também a importância das relações culturais e políticas entre o Brasil e o continente negro

Ministro comemora avanços no Dia Nacional da Ciência

No Dia Nacional da Ciência, comemorado ontem (8), o ministro da Ciência e Tecnologia (MCT), Sergio Rezende, disse que um dos maiores desafios do País é incorporar a inovação tecnológica nas empresas. "Temos que criar condições para que os empresários absorvam os cientistas em seu quadro de produção", afirmou em entrevista ao programa de rádio Revista Brasil, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Segundo o ministro, as empresas multinacionais, que cresceram nos últimos anos, investiram em ciência, o que possibilitou o desenvolvimento de novos produtos. "E, assim, ganharam mercado", completou.


Rezende destacou que o País tem muito o que comemorar nesta data. "Estamos progredindo nas áreas científicas. Ocupamos, hoje, o 15º lugar nas publicações científicas no mundo. Temos mais publicações do que países tradicionais em ciência", exemplificou. De acordo com o ministro, um dos fatores que possibilitou esse sucesso foi o aumento dos recursos governamentais para o setor. O Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) passou de R$ 350 milhões, há cinco anos, para R$ 2 bilhões. "Com esse dinheiro é que financiamos as pesquisas nas universidades e nas empresas", afirmou.

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