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A humilhação de Lula mostra que não houve "conciliação" e jamais haverá "absolvição da história"

15.04.2018
 
A humilhação de Lula mostra que não houve

A humilhação de Lula mostra que não houve "conciliação" e jamais haverá "absolvição da história"

 Por Gabriel Brito, no Correio da Cidadania

A cena é da­quelas que só se pode acre­ditar vendo: Lula está preso, sim, é ver­dade. Du­rís­simo golpe em todos que so­nharam com um país me­lhor. Mesmo aqueles que já ti­nham rom­pido há tempos com o Par­tido dos Tra­ba­lha­dores e o con­si­deram ins­tru­mento de apro­fun­da­mento da ordem ne­o­li­beral, com dis­curso de­ma­gó­gico que não re­sistiu às vi­cis­si­tudes de uma crise econô­mica muito su­pe­rior a tal "ma­rola", não podem dis­si­mular o im­pacto.

Lula preso é um golpe de morte nos úl­timos 40 anos de lutas so­ciais e tra­ba­lhistas. A tra­gédia já era anun­ciada, afinal, es­tamos fa­lando de se­tores que há tempos se des­co­laram dos seus su­postos re­pre­sen­tados, in­clu­sive sob inú­meros alertas. Talvez por isso mesmo a bur­guesia bra­si­leira tenha se sen­tido à von­tade o bas­tante para que­brar as re­gras do seu pró­prio jogo e ex­cluí-lo da cena po­lí­tico-elei­toral. Como vimos pu­bli­cando, seu pro­jeto ne­o­co­lo­nial es­po­li­ador não pode se valer por meios de­mo­crá­ticos. E de­pois da­quilo que tanto cha­mamos de falsa po­la­ri­dade, sim­bo­li­zada nas dis­putas com o PSDB, agora é hora de partir para o as­salto. 

Para não deixar dú­vidas, rei­te­ramos o pu­bli­cado quando da con­de­nação no TRF-4: "é certo que es­tamos fa­lando de um jogo rou­bado: Lula ir, em ve­lo­ci­dade má­xima, ao banco dos réus en­quanto fi­guras como Mi­chel Temer e Aécio Neves con­ti­nuam go­zando do status de inim­pu­tá­veis é de causar en­gu­lhos em qual­quer ci­dadão mu­nido de ho­nes­ti­dade in­te­lec­tual. Os dis­cursos e li­cenças poé­ticas rei­vin­di­cados pelos três re­la­tores do pro­cesso do trí­plex, em seu si­mu­lacro de jus­tiça e 'lei para todos', não são menos ri­sí­veis".

"Acho que o jul­ga­mento do Ha­beas Corpus foi uma lás­tima pela ma­nobra da Carmen Lúcia em julgar o caso par­ti­cular antes da regra, o que acabou tendo como efeito o re­sul­tado ad­verso ao Lula. Se ela ti­vesse vo­tado as tais Ações De­cla­ra­tó­rias de Cons­ti­tu­ci­o­na­li­dade (ADC) o re­sul­tado seria outro e Lula es­taria livre. Pa­rece que em breve essas ADCs serão jul­gadas", com­ple­menta o so­ció­logo Mar­celo Castañeda, também co­lu­nista deste Cor­reio. 

Mas apesar do re­co­nhe­ci­mento de ta­manha hi­po­crisia da parte da­queles que não ven­ceram uma eleição fe­deral neste sé­culo, e seus pares de classe in­crus­tados no vasto apa­rato es­tatal, também de­vemos rei­terar que "não é pos­sível fazer con­ces­sões ao lu­lo­pe­tismo e sua no­tória es­tra­tégia de se apre­sentar ao pú­blico como ví­tima de um sis­tema lar­ga­mente de­nun­ciado por aqueles que tanto des­prezou - e até cri­mi­na­lizou - ao longo dos úl­timos anos".

Fatos x pro­pa­ganda 

Como es­crito pelo ci­en­tista po­lí­tico Fabio Luís Bar­bosa dos Santos, em seu livro Além do PT - A crise da es­querda bra­si­leira em pers­pec­tiva la­tino-ame­ri­cana, "ob­servou-se uma po­la­ri­zação po­lí­tica sem qual­quer cor­res­pon­dência com o que efe­ti­va­mente es­tava em dis­puta: a gestão da crise que se apro­fun­dava no país. En­quanto o tom das acu­sa­ções entre os can­di­datos se ele­vava, re­bai­xava-se o de­bate po­lí­tico. Um clima de hos­ti­li­dade vis­ceral in­to­xicou o elei­to­rado, am­pliado pela mídia cor­po­ra­tiva. Não é di­fícil per­ceber a função dessa po­la­ri­zação pos­tiça, que ocultou as ques­tões re­le­vantes para o Brasil. Junho de 2013 es­can­carou a in­sa­tis­fação com o pa­drão lu­lista de de­sen­vol­vi­mento do sub­de­sen­vol­vi­mento, que neste mo­mento teve ex­pres­sões à es­querda e à di­reita".

Pode pa­recer per­se­guição aos ator­do­ados par­ti­dá­rios dos go­vernos de Lula, mas fica no­va­mente di­fícil tecer ex­pli­ca­ções sobre sua hu­mi­lhante der­rota sem passar pelos le­vantes de 2013, até hoje dis­cri­mi­nados por uma es­querda que agora pede por uni­dade e diz con­denar o sec­ta­rismo. Faz isso da boca pra fora, mas segue a torcer o nariz para as ma­ni­fes­ta­ções po­lí­ticas mais di­versas da his­tória do Brasil. E pagou caro por pro­pa­gan­dear de forma fan­ta­siosa uma ca­mi­nhada de pro­gresso na vida do grosso da po­pu­lação, quando não passou de um voo de ga­linha, um mo­men­tâneo avanço ma­te­rial, numa vida cer­cada de pri­va­ções e vi­o­lên­cias.
    
"Vamos aos dados ofi­ciais con­tidos no Ca­dastro Único do Bolsa Fa­mília, dis­po­nível no sítio do Mi­nis­tério do De­sen­vol­vi­mento So­cial: em fe­ve­reiro de 2013, havia 71,1 mi­lhões de pes­soas que vi­viam com meio sa­lário-mí­nimo. Dá 35% da po­pu­lação bra­si­leira da época. Es­tamos fa­lando de um pe­ríodo em que se com­ple­tavam 10 anos de go­vernos pe­tistas, aqueles que su­pos­ta­mente re­du­ziram dra­ma­ti­ca­mente a po­breza. Só su­pos­ta­mente. Sal­temos para 2015, o úl­timo ano com­pleto do go­verno de Dilma Rous­seff e, como tal, o úl­timo ano do ciclo pe­tista (até agora). Havia, então, 73.327.179 pes­soas po­bres - o que dá cerca de 36% de sua po­pu­lação total. Por­tanto, au­mentou o nú­mero de po­bres (em pouco mais de dois mi­lhões de pes­soas) e au­mentou também um pouco a por­cen­tagem de po­bres no con­junto da po­pu­lação", es­creveu Clovis Rossi, na Folha de S. Paulo.

Uni­dade em torno de quê?

Por­tanto, se há se­tores e grupos que ainda se in­te­ressam por essa tal uni­dade contra o mal maior - nem sempre as­so­ciado ao ca­ráter da ex­plo­ração ca­pi­ta­lista en­rai­zada no Brasil - en­tender quem e por que se fi­zeram aqueles le­vantes con­tinua ne­ces­sário. Entre ou­tras coisas porque com a re­sis­tência poé­tica e slo­gans das redes so­ciais ou chur­rascos entre amigos no Sin­di­cato dos Me­ta­lúr­gicos é que não se sairá do canto do ringue.

"La­men­ta­vel­mente, o PT e sua mi­li­tância estão ob­so­letos, afo­garam-se num mar de pre­po­tência e in­to­le­rância di­ante da al­te­ri­dade. Toda crí­tica vem sendo tra­tada como dis­curso de ódio e, a se­guir, acha­tada num bloco uni­tário e amorfo de 'an­ti­pe­tismo'. O ex­tre­mismo pe­tista parte, então, para a so­lução mais sim­ples: de­nun­ciar como fas­cista tudo o que lhe de­sa­grada, en­fa­ti­zando o dis­curso de po­la­ri­zação par­ti­dária, que é forma não só de des­truir o ini­migo, como também de do­brar as crí­ticas vindas à es­querda, se­gundo a ten­ta­tiva de cons­truir um dis­curso uni­fi­cado he­gemô­nico das 'es­querdas', quer dizer, a uni­fi­cação que atende à von­tade do go­ver­nismo", es­cre­vera neste Cor­reio, em 2014, a ad­vo­gada e mi­li­tante de di­reitos hu­manos Pris­cila Prisco, ao co­mentar a con­tra­tação da em­presa de mar­ke­ting Ma­rissol, in­cum­bida de es­ta­be­lecer "perfis sobre o an­ti­pe­tismo".

Sim, quem um dia teve Flo­restan Fer­nandes para com­pre­ender a me­câ­nica da luta de classes bra­si­leira atacou com uma obs­cura em­presa de mar­ke­ting e suas pes­quisas de campo que veem ma­ni­fes­tantes como cli­entes de uma de­mo­cracia que só po­deria se re­a­lizar pelo mer­cado e pelo con­sumo.

Ficou pa­tente, desde então e com re­no­vados exem­plos, o fe­ne­ci­mento do par­tido como ins­tru­mento da trans­for­mação so­cial. A aco­mo­dação e bu­ro­cra­ti­zação da sigla chegou a tal ponto que, além de in­capaz de com­pre­ender a re­a­li­dade, ou se re­cusar a fazê-lo, sempre res­pondeu com mais e mais aus­te­ri­dade. Não só em 2015-16, no man­dato na­ti­morto de Dilma, mas já na­quele fer­vi­lhante 2013 e também em 2014.

"Con­fron­tado com a im­po­tência de mudar a ordem, o povo bra­si­leiro as­sistiu uma ra­di­ca­li­zação re­a­ci­o­nária du­rante o pro­cesso elei­toral. Neste con­texto, muitos qua­dros acu­diram a uma de­fesa apai­xo­nada do pe­tismo, es­va­ziada de qual­quer po­ten­cial de mu­dança. No outro lado, uma classe do­mi­nante sempre avessa ao pro­ta­go­nismo po­pular sentiu que o mo­mentum lu­lista pas­sava e re­tomou a ofen­siva. Sem al­ter­na­tivas pro­gra­má­ticas a apre­sentar, seu dis­curso des­lizou ra­pi­da­mente a pre­con­ceitos e ran­cores que re­ve­lavam a in­to­le­rância com a exis­tência de um par­tido de tra­ba­lha­dores, em­bora des­pro­vido de au­to­nomia de classe", ob­serva Fabio Luís em sua obra.

A falsa po­la­ri­dade e sua des­truição final

De im­po­tência em im­po­tência, e pro­pa­ganda chapa-branca ir­res­pon­sável, ali­e­nada do chão so­cial, fomos sendo tra­gados pelos se­tores re­a­ci­o­ná­rios da so­ci­e­dade, estes que er­gueram um mo­nu­mental apartheid so­cial e apenas to­le­raram a ha­bi­li­dosa ar­bi­tragem po­lí­tica de Lula. Pois se do lado de cá nos aco­mo­damos, por lá ja­mais des­can­saram em sua luta de classes. Quando as con­di­ções de "ganha-ganha" se es­bo­ro­aram, sua ofen­siva ca­nhestra já es­tava ar­mada. Porque sempre es­teve, basta re­vi­sitar os acervos da mídia he­gemô­nica e suas man­chetes entre 2003 e 2012.

"O xis da questão é que o PT se tornou pres­cin­dível para re­a­lizar as re­formas an­ti­po­pu­lares exi­gidas no mo­mento. Em 2015, a mi­li­tância es­tava apas­si­vada entre a dis­persão e a re­sig­nação. Aco­mo­dados ao ne­o­li­be­ra­lismo, os de­fen­sores do go­verno re­cor­riam a ar­gu­mentos cada vez mais aca­nhados ou de­li­rantes, sem res­so­nância po­pular", re­força Fabio Luis.

Traída a ci­da­dania em todos os mo­mentos de­ci­sivos, também po­demos com­pre­ender a au­sência de re­beldia di­ante de ta­manha ofen­siva con­ser­va­dora. A aco­mo­dação, bu­ro­cra­ti­zação e des­mo­bi­li­zação foi tanta que na hora em que as coisas fu­giram do con­trole não houve forças para o com­bate. E quando houve se deu o "inex­pli­cável" passo atrás.

Isso se viu em todos os mo­mentos pos­sí­veis: na ten­ta­tiva frus­trada de no­mear Lula para a Casa Civil, nas duas vo­ta­ções do im­pe­a­ch­ment de Dilma, nos fortes pro­testos contra Temer em 2016, nas mi­lhares de ali­anças com o PMDB nas elei­ções mu­ni­ci­pais e nas duas greves en­tre­gues a este go­verno em 2017, em es­tra­tégia mes­quinha das cen­trais sin­di­cais que vis­lum­braram uma vi­tória elei­toral a partir de um país em fran­ga­lhos neste 2018.  

Só restou, como dito, a re­sis­tência poé­tica. "Quanto à ati­tude de Lula acho que, dentro da es­colha dele em per­ma­necer no país, era o que lhe res­tava ao invés de se en­tregar re­sig­na­da­mente em Cu­ri­tiba. Era como se ele dis­sesse para Moro: vai ser do meu jeito. Sobre a mi­li­tância que o cercou, era toda ela de es­querda, em uma es­pécie de mis­ti­fi­cação de Lula como de­cor­rência de sua de­cisão de não se en­tregar em Cu­ri­tiba e fazer um jogo de força com Moro, jogo esse que Lula ga­nhou, a meu ver, no campo po­lí­tico. No en­tanto, me pa­rece que essa mo­bi­li­zação está res­trita ao campo da es­querda e não con­ta­mina a so­ci­e­dade", com­ple­menta Castañeda.

Sobre os me­ta­lúr­gicos do ABC, aliás, cabe lem­brar que se tratou de uma or­ga­ni­zação pi­o­neira em propor a tese do ne­go­ciado sobre o le­gis­lado, lá em 2007, agora tor­nada re­a­li­dade na Re­forma Tra­ba­lhista de Temer. Afinal, fa­lamos da­quela classe tra­ba­lha­dora que "foi ao pa­raíso", con­se­guiu suas vi­tó­rias, terá apo­sen­ta­doria. Por isso, mais uma vez, não se com­pre­ende o que foi 2013, le­vante da ge­ração nas­cida e cres­cida sob a égide da mer­can­ti­li­zação total da vida. Também por isso ja­mais po­deria partir dali uma re­sis­tência real à des­truição da fi­gura de Lula e do PT.  

"Em 2012, eu es­tava lu­tando pelo Pi­nhei­rinho, quando Dilma não as­sinou a de­sa­pro­pri­ação e eu vi mais de 600 fa­mí­lias serem mas­sa­cradas. Em 2013, eu es­tava lu­tando pelo as­sen­ta­mento Milton Santos, quando também Dilma não as­sinou o de­creto que man­teria os as­sen­tados em suas terras, nas quais já es­tavam há muitos anos. Em 2013, eu es­tava nas ruas lu­tando pelo trans­porte pú­blico de qua­li­dade, en­quanto o PT con­de­nava os que lu­tavam de serem braço da di­reita. Eu 2014, eu es­tava nas ruas lu­tando contra o grande desvio de di­nheiro que foi a Copa do Mundo do go­verno do PT, en­quanto Dilma as­si­nava a Lei An­ti­ter­ro­rismo, que an­te­cede o que pior há de vir aí aos mo­vi­mentos so­ciais. De 2016 até hoje estou nas ruas, nas ocu­pa­ções, nas pe­ri­fe­rias, nos sin­di­catos, fa­zendo luta, for­mação e re­sis­tência, en­quanto boa parte dos mo­vi­mentos que blindam Lula em São Ber­nardo se re­cu­sava a se mo­bi­lizar porque achava que quanto pior me­lhor, pois as chances do PT au­men­ta­riam nas pró­ximas elei­ções. Agora, não vou sair nas ruas por Lula e pelo PT. Não me con­denem por isso", es­creveu uma lei­tora à Re­dação deste Cor­reio, que pede ano­ni­mato pois lida em seu co­ti­diano com o pro­xe­ne­tismo da di­reita rai­vosa e seu pro­jeto-cas­cata Es­cola Sem Par­tido. 

Sem dú­vidas, são tempos de trevas que po­derão se acen­tuar. Só por estes dias, li­damos com no­tí­cias de mas­sa­cres e re­be­liões em pre­sídio no Pará, cha­cinas em For­ta­leza, em nova de­mons­tração da fa­lência do Es­tado bra­si­leiro e as­censão de seu braço pa­ra­lelo, e a in­for­mação de que na Bahia, go­ver­nada pelos pe­tistas Jac­ques Wagner e Rui Costa, o as­sas­si­nato de ne­gros cresceu 118% nos úl­timos dez anos.

Um país des­tro­çado, sem dú­vidas, e com ins­ti­tui­ções que não estão à al­tura de nada, ainda que o des­truído PT delas de­penda para se re­fazer po­li­ti­ca­mente, pois pelas ruas sabe que pas­sará ver­gonha e fa­lará so­zinho. 

"A de­cisão do STF sa­cra­lizou o es­fa­ce­la­mento final das ins­ti­tui­ções pú­blicas bra­si­leiras. Com cla­reza me­ri­diana os juízes de­ci­diram com a pressão ime­diata dos que operam com a força fí­sica do Es­tado, as Forças Ar­madas, que se pro­nun­ci­aram com ame­aças à forma cons­ti­tu­ci­onal. Juízes su­premos que de­cidem sob o di­tado da força mos­tram que não têm poder de fato e de di­reito. Aliás, a his­tória da nossa Su­prema Corte é farta de epi­só­dios em que ma­gis­trados, em co­légio ou in­di­vi­du­al­mente, se cur­varam di­ante dos ca­nhões. Per­de­remos até mesmo a ficção do pacto cons­ti­tu­ci­onal que ainda ofe­rece al­guma ga­rantia de so­bre­vida à so­ci­e­dade civil. Se não houver diá­logo e bom senso de todos, os pró­ximos anos serão de pro­fundas trevas. E tal si­tu­ação apenas pro­longa o que vi­vemos desde o golpe de Es­tado que ins­taurou a su­posta Re­pú­blica bra­si­leira", con­tex­tu­a­lizou o fi­ló­sofo Ro­berto Ro­mano.

Mas, no­va­mente re­cor­rendo à ex­ce­lente obra de Fabio Luís e lem­brando das crí­ticas do so­ció­logo Ri­cardo An­tunes, para quem o lu­lismo "não tocou nas es­tru­turas da tra­gédia bra­si­leira", não ha­verá a pro­pa­lada ab­sol­vição da his­tória. "A trans­for­mação do PT em braço es­querdo do par­tido da ordem será in­te­grada como mais um ca­pí­tulo da con­trar­re­vo­lução per­ma­nente, que ca­rac­te­riza a his­tória bra­si­leira con­tem­po­rânea. A com­pre­ensão dos anos som­brios que virão não de­verá ser feita por con­traste, mas como des­do­bra­mento dos go­vernos que o pre­ce­deram. Não houve in­flexão his­tó­rica: o sen­tido da atu­ação é o mesmo, ainda que o ritmo, o tempo e os meios di­firam. Ao con­trário de ser uma no­vi­dade, é quase uma lei da his­tória que a frus­tração de go­vernos iden­ti­fi­cados com a es­querda pre­para o ter­reno para a as­censão da di­reita ra­dical"

 


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