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Basta de palavras

15.03.2010
 
Basta de palavras

Defendam os direitos humanos no Sahara Ocidental ocupado e impeçam a brutal violência exercida pelo ocupante marroquino contra as populações saharauis indefesas!

Uma forte vaga de repressão se tem abatido neste últimos dias — nomeadamente em El Aiun, a capital ocupada, e na cidade piscatória de Dajla, antiga Villa Cisneros — sobre as populações saharauis que querem saudar o regresso da delegação de 11 saharauis, militantes dos Direitos Humanos, dirigida pelo ex-preso político e “desaparecido” Brahim Sabbar. A delegação visitou os acampamentos de refugiados no sul da Argélia, onde pode conhecer in loco as durações condições em que vivem os seus familiares e compatriotas do outro lado do muro que divide o território daquela que foi a última colónia do Magreb.

Antes, foi a expulsão da activista Aminetou Haidar, a 12 de Novembro passado, a sua corajosa greve de fome que levou as autoridades marroquinas a darem o dito por não dito e a permitirem o seu regresso à sua cidade natal, bem com a repressão às manifestações de regozijo que se lhe sucederam.

Um mês antes, a prisão, no início de Outubro passado, dos sete activistas de direitos humanos saharauis detidos pela polícia marroquina em Casablanca, quando regressavam também de uma visita aos acampamentos de refugiados saharauis em Tinduf (Argélia). Detenção que foi ordenada sob a acusação de “traição à pátria e de atentado contra a soberania e integridade territorial de Marrocos, ao serviço de outro país” e que levam a que esta seja a primeira vez nos últimos 20 anos que activistas Saharauis enfrentam um Julgamento em Tribunal Militar que poderá aplicar a pena capital.

A mais recente notícia neste rol de crueldades: a divulgação, ontem, da descoberta de mais uma fossa comum na região das minas de fosfatos de Bucraa, depois de outras terem sido também reveladas – nomeadamente junto à prisão de El Ayun e em Smara — sem que as autoridades marroquinas tivessem tomado qualquer procedimento para o seu esclarecimento, põem a claro aquilo que foram os actos de genocídio por parte das forças marroquinas na sequência da invasão em 1975.

São muitos os episódios de barbaridade, de violação dos Direitos Humanos sofrida diariamente por uma pequena população subjugada por um impressionante dispositivo militar e policial de ocupação e também por uma vaga de muitas dezenas de milhar de colonos oriundos de Marrocos que nada têm a ver com o território, com os seus costumes e que nem sequer falam a mesma língua.

Face aos continuados atentados aos Direitos do Humanos e à sistemática violência exercida pelas forças de ocupação marroquinas contra as populações saharauis civis e indefesas, a Associação de Amizade Portugal – Sahara Ocidental, ciente de interpretar o espírito de humanidade e solidariedade do Povo Português face a todos aqueles que sofrem a injustiça e a ignomínia, apela às Nações Unidas, à União Europeia, a Espanha — na qualidade de país que preside actualmente à EU —, e ao Governo Português que interfiram no sentido de pôr termo a esta situação que se mantém há mais de 34 anos e que ultraja a Humanidade.

Apelamos a que a força da MINURSO — Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental, presente desde 1991 no território para zelar pelo cessar-fogo entre as partes Marrocos e a Frente POLISARIO, passe finalmente a zelar pela vida e pelos direitos de uma população que se vê privada da livre expressão, da livre reunião, da livre manifestação por parte das forças militares e policiais de um país vizinho que invadiu o seu território, procedeu a actos de genocídio, dividiu as familiares e vai explorando, sem que a isso tenha direito e com o fechar de olhos ou a evidente cumplicidade das autoridades da União Europeia, os seus recursos naturais.

Associação de Amizade Portugal – Sahara Ocidental


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