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À Comunidade Internacional: O Brasil pede ajuda

14.05.2017
 
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Desde abril de 2016, nossa jovem democracia tem estado sob ameaça no Brasil. O PT, o partido trabalhista de esquerda, venceu consecutivamente todas as quatro eleições presidenciais de 2002 a 2014. Na última eleição, Dilma Rousseff, a primeira mulher eleita presidente do Brasil, foi reeleita com 54 milhões de votos. O sucesso das eleições do PT deixou a direita, partidos de centro e o establishment cada vez mais infelizes e preocupados.

Aproveitando a oportunidade de uma recessão mundial em 2013, a população foi chamada às ruas para expressar sua insatisfação com o então atual governo. Esses protestos de 2013 marcam o início de uma orquestrada oposição ao governo Dilma.

Tão logo a reeleição de Dilma Rousseff foi confirmada em 2014, o PSDB, partido derrotado, contratou um time de três juristas para solicitar uma investigação para o impeachment da presidente. Com o forte apoio de uma imprensa partidária, o PSDB não encontrou dificuldades para mobilizar as altas classes da sociedade, indústria e bancos, assim como políticos da direita e centro e, surpreendentemente, o próprio vice-presidente de Dilma Rousseff.

 

Um juiz de primeira instância em conjunto com políticos da direita e centro-direita e o vice-presidente do Brasil decidiram depor a presidente eleita, culpando seu governo trabalhista pela crise econômica brasileira e inflando uma campanha midiática contra ela, traçada por interesses mercantilistas neoliberais.

 

O processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff iniciou em dezembro de 2015 e foi finalizado em agosto de 2016. Assim, o vice-presidente Michel Temer assumiu seu papel como o novo presidente do Brasil, resultando na deposição de Dilma Rousseff baseado em crime de responsabilidade. Entretanto, isso está sendo fortemente contestado, pois ela foi incriminada por um procedimento previamente autorizado por instituições do ministério da fazenda. Os 54 milhões de eleitores que elegeram a presidente Dilma Rousseff in 2014 ficaram atônitos da forma como foi conduzido o processo de impeachment, e pela ausência de qualquer prova criminal contra ela que poderia justificar seu afastamento. Curioso notar que muitos políticos que votaram para depô-la também estão sendo investigados pela operação Lava-Jato, uma investigação modelada na operação "Manipulite" da Itália, e que está sendo levada a cabo em um tribunal de primeira instância de Curitiba por um juiz que adora holofotes e que até agora tem mostrado fortes intenções partidárias.

 

Entretanto, conforme se passam os meses, está se tornando claro aos apoiadores da direita e esquerda que a principal razão para o impeachment da presidenta Dilma é o desmonte das políticas sociais e trabalhistas pelos quais os três governos petistas lutaram tão fortemente para criar e manter. Graças aos ferozes debates e campanhas geradas pelos senadores da esquerda no parlamento em Brasília e a disseminação de informações pela mídia alternativa, está agora se tornando óbvio à maioria dos brasileiros que o impeachment covardemente tramado, e sem qualquer prova criminal ou de má condução da presidente legítima, é de fato um golpe de estado.

 

O povo brasileiro está acordando agora para as decisões do atual governo que ameaça políticas sociais e trabalhistas, forçando decisões contra a maioria da população brasileira. O cenário atual remonta à temida ditadura militar dos anos 60 quando direitos civis foram extintos e políticas impopulares foram empurradas e forçadas sobre o povo brasileiro sem apoio deste. As conquistas socioeconômicas feitas pelos governos Dilma e Lula e algumas políticas constituintes chaves estão à beira de serem desmontadas por sombrios interesses internos e externos, conduzidos por um governo ilegítimo com a complacência de uma imprensa partidária e do sistema jurídico. Tudo com o apoio de numerosos políticos denunciados por corrupção na operação Lava-Jato.

 

Infelizmente, a Lava-Jato, que deveria investigar corrupção, tem sido usada para caçar e perseguir políticos da esquerda. Sua venenosa perseguição ao ex-presidente Lula é a busca pelo santo graal. As políticas do presidente Lula ajudaram a tirar milhões de brasileiros da pobreza, um esforço reconhecido pelas Nações Unidas. A forma como as investigações da Lava-Jato vazou informações particulares do presidente Lula e sua família (provavelmente levadas pelo estresse e recente morte da esposa de Lula em fevereiro 2017) somente reforça as tendências partidárias e más intenções desta operação.

 

Mesmo após três anos consecutivos de investigações, nada foi legalmente provado contra o ex-presidente Lula. Entretanto, baseado em diversas aparições e declarações na mídia, parece que a estratégia final é condenar Lula, humilhando-o publicamente e tornando-o inabilitado para participar como candidato nas próximas eleições em 2018. Desta forma, os juízes irão pavimentar o caminho para a ascensão dos que tramaram o golpe, e, aqueles que estão envolvidos na Lava-Jato e que não são do partido dos trabalhadores PT poderão, então, ficar livres das investigações, tornando possível consolidarem-se dentro das esferas do governo. Uma forte estaca que os derrotados da direita cravaram e que permitirá que estes fiquem aptos a andarem livres de qualquer perturbação, dando continuidade à corrupção secular. A sistêmica corrupção no Brasil tem que ser combatida com dureza, mas a luta contra ela não pode ser usada como um disfarce para depor um partido democraticamente eleito. Não pode ser partidária e acima de tudo não pode ser usada para implementar um sistema ainda mais corrupto.

 

É importante salientar que as últimas pesquisas de opinião revelam que, mesmo com a constante perseguição da mídia e dos golpistas, Lula aumentou sua intenção de voto para mais de 40%, se ele for autorizado a disputar as eleições presidenciais de 2018.

 

A jovem democracia brasileira está gentilmente pedindo por ajuda. O futuro da democracia em nosso país está sob ameaça e forças corruptas poderosas estão agindo contra ela em nossa sociedade. O Brasil precisa retornar ao caminho da democracia, justiça e bem-estar social.

 

A intenção dessas palavras é alertar a comunidade internacional sobre as atuais injustiças em andamento no Brasil, um país que a alguns meses atrás era reconhecido e premiado por seus programas socioeconômicos.

 

Nós apreciaríamos muito se esse texto puder ser divulgado entre seus leitores. O mundo precisa saber a verdade. Obrigado.

 

São Paulo, 05 de maio de 2017

 

"Todos por LULA"

 


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