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A contínua mutação do AfD

14.01.2017
 
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Fundado em Abril de 2013 por um amplo número de intelectuais e académicos conservadores e liberais-conservadores próximos da Nova Direita do jornal "Junge Freiheit", o partido Alternativa Para a Alemanha (AfD) foi saudado como uma lufada de ar fresco pela direita europeia, com honras de entrevistas no "Observador" e conferências do seu líder Bernd Lucke na Universidade Católica, em Lisboa, nesse mesmo ano. Infelizmente para alguns dos seus primeiros dirigentes as bases do partido queriam mais do que o mero eurocepticismo e soberanismo fiscalista fundacional e, em Julho de 2015 os fundadores dividem-se em duas facções, uma populista e uma liberal-conservadora, em congresso os primeiros triunfam elegendo Frauke Petry como nova líder.

Com este desvio para a direita populista, contra todas as espectativas o partido cresce e fortalece-se eleitoralmente, tentando estabelecer laços com outras forças emergentes à sua direita no Parlamento Europeu, o grupo parlamentar a que pertenciam desde o início, Reformistas e Conservadores Europeus, expulsa o partido em Abril de 2016 por não lhe agradar a aproximação ideológica e teórica deste à Frente Nacional de Marine Le Pen e ao Partido da Liberdade da Áustria. Uma vez mais, longe de afectar negativamente o sucesso eleitoral do AfD, este que começara como um pequeno partido centralizado em Berlim dá um grande salto e em Setembro de 2016 elege deputados em 10 dos 16 parlamentos regionais que constituem a actual Alemanha, roubando votos ao centro, aos comunistas e até, pasme-se, aos neo-nazis do NPD - que não conseguindo renovar-se geracional e ideologicamente tem perdido eleitores e militantes para o novo AfD.

Como já tinha a fama e muito pouco do proveito, após este último sucesso eleitoral e após o isolamento a que foi forçado no Parlamento Europeu, o AfD decidiu em Outubro de 2016 aproximar-se efectivamente da FN de Marine Le Pen e restantes forças emergentes da nova direita populista europeia, oficializando laços que desde Julho eram oficiosos e pessoais, em comentários à imprensa alemã Frauke Petry assumiu que o AfD está em negociações para se aliar formalmente à FN, ao FPÖ e à Liga Norte italiana causando furor na corrente minoritária conservadora e atlantista do AfD, ainda extremamente influente nas estruturas de Berlim, onde nasceu o AfD, e de Brandeburgo. 

Liderada por Georg Pazderski, coronel aposentado próximo da NATO, e por Alexander Gauland, esta facção mais tradicionalista filha da Guerra Fria tem criticado duramente a aproximação do AfD à Rússia de Vladimir Putin, votando contra as sanções europeias a Moscovo, e, pasme-se, acusam a FN de Le Pen de ser um "partido socialista", urgindo a que o AfD se aproxime dos conservadores do Partido Republicano francês e apoie oficialmente o candidato destes, François Fillon, contra Marine Le Pen nas Presidenciais francesas, algo que a corrente maioritária nem considera. A verdade é que a cada nova depuração, o AfD soberanista e populista cresce e fortalece, não se espera que a eventual saída dos atlantistas o afecte negativamente a longo prazo, embora uma sangria de quadros no seu principal bastião eleitoral os possa afectar momentaneamente.

Nuno Afonso

 


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