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NÃO irlandês é SIM pela democracia

13.06.2008
 
NÃO irlandês é SIM pela democracia

O povo irlandês rejeitou o Tratado de Lisboa, de acordo com os primeiros relatórios dos observadores nas mesas de voto no Referendo de Quinta-feira. Apesar das declarações um pouco preocupantes do Ministro para Europa Dick Roche, que “poderá ficar certo na parte da tarde”, ao meio-dia, há um sinal cristalino que o Tratado de Lisboa está morto e prestes a ser enterrado. Descanse em Paz.

Sob as provisões do Tratado, os 27 estados membros da União terão de o ratificar antes deste entrar em vigor no dia 1 de Janeiro de 2009. Irlanda é o único estado membro com a coragem de colocar o Tratado perante um voto democrático. No resto da Europa democrática, 14 países ratificaram o Tratado em sessões parlamentares fechadas.

Os observadores nas mesas de voto, que sob o processo eleitoral na Irlanda monitorizam as secções de voto e formam uma ideia objectiva sobre a votação, indicam que o voto NÃO está a ganhar em todo o país, não só nas áreas rurais mas também nos centros urbanos.

A votação em assuntos europeus acompanha-se historicamente por uma baixa taxa de votação, neste case só 45% dos 3 milhões de eleitores registados na Irlanda, e a tomada de decisões neste processo parece não reflectir assuntos internos (o Primeiro Ministro irlandês, Brian Cowan, e todos os partidos políticos representados no Parlamento, com a excepção de Sinn Fein, estavam a favor da ratificação).

Campanhas de consciencialização pública, também, parecem não ter tido muito sucesso – numa sondagem conduzida pelo Irish Times/TNS mrbi em Junho de 2008, somente 8% dos inquiridos declararam que tinham uma “boa compreensão” das questões. Por isso pode ser concluído que em vez dos termos do Tratado (neste caso, simplificar o processo de tomada de decisões, cortando o direito a veto nacional em mais assuntos), é a ideia da União Europeia, como é apresentada, que cria, quanto melhor sentimentos de apatia e quanto pior (para os bU.E.rocratas), rejeição, entre o povo.

Pediram aos franceses em 2005. Responderam com um NÃO! Pediram aos holandeses em 2005. Responderam com um NÃO! Pediram aos irlandeses em 2008. Responderam com um NÃO! Cada vez que um estado da U.E. tem a audácia a colocar uma decisão perante um processo democrático, o resultado é igual e qualquer processo democrático é medida da vontade popular, não sobre questões específicas como os termos de Nice ou de Lisboa, mas sim sobre a noção mais lata, se querem a União. Ou não.

Ao contrário do exército cinzento de bU.E.rocratas que apareceu como cogumelos entre o Báltico e os Baleares, e cujos postos de trabalho e estilos de vida são perpetuados pela U.E., os cidadãos da Europa prefeririam um acordo comercial mais flexível e menos vinculativo, como aquele que existia sob a EFTA, como aquele que existia nos dias precoces do Mercado Comum.

Ninguém perguntou ao povo de Lisboa, ou de Portugal, se queria o EURO, ninguém disse ao povo de Lisboa ou de Portugal que os preços iriam duplicar e os salários/custo de vida, a manter-se no fundo da tabela, depois do desaparecimento do Escudo e a vinda do controlo virtual dos assuntos económicos por Bruxelas, convenientemente a exonerar o governo nacional de grande parte das suas responsabilidades (Não sou eu! É Bruxelas!”)

Por isso, por que razão deve ser imposto o Tratado de Lisboa, quando ninguém o quer? José Barroso talvez, mas também ninguém o queria … Há um milhar e meio de anos, o projecto Europa Unida da Roma Antiga caiu em escombros, apesar da sua moeda única, do seu sistema legal único, do seu sistema administrativa único e até sua língua única. E por quê? Porque ninguém o queria.

Hoje, milhões de cidadãos da Europa queriam abraçar o corajoso povo da Irlanda com uma mensagem clara, do coração;

Slainte! Go raibh mile maith agat!

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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