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Alemanha prepara-se para receber o chefe do governo golpista do Paraguai

13.03.2013
 
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A Alemanha é um dos países que tenciona receber o chefe do governo do Paraguai, nascido de um golpe parlamentar e que não é reconhecido pelas uniões de países latino-americanos. Se a Alemanha e a Comissão Europeia receberem José Feliz Fernández, "danificarão seriamente a democracia", uma vez que se trata de um "representante ilegítimo" do país, adverte a Esquerda Unitária no Parlamento Europeu (GUE/NGL).


O governo dirigido por Feliz Fernández, sob a presidência de Frederico Franco, resultou do golpe parlamentar de meados de 2012 que destituiu o presidente eleito, Fernando Lugo. O golpe não foi reconhecido pela esmagadora maioria dos países da América Latina, atitude que adotaram também as estruturas reginais como o Mercosul, a Unasul e a Celac.


Em nome do GUE/NGL, a presidente do grupo, Gabi Zimmer, advertiu que será um dano para a democracia, em nome da qual a União Europeia toma tantas posições, se a Alemanha e a Comissão Europeia receberem "um representante ilegítimo do Paraguai". A eurodeputada alemã sublinhou que "serão os primeiros europeus a acolher um governo de facto fruto de um golpe parlamentar contra o presidente constitucional do Paraguai, Fernando Lugo".

Jurgen Klute, eurodeputado alemão do GUE/NGL e membro da Delegação Parlamentar com os países do Mercosul, declarou que "será uma vergonha que o governo alemão se preste novamente a tentar legitimar golpes de Estado para assegurar os seus interesses económicos, prosseguindo a história de saque que tanto tem prejudicado a América Latina".

Klute integrou a delegação do Parlamento Europeu que se deslocou ao Paraguai para averiguar as circunstâncias da deposição de Fernando Lugo, presidente eleito livre e democraticamente. "A União Europeia e os Estados membros devem abster-se de intervir nas decisões tomadas pelos seus homólogos regionais, como o Mercosul, a Unasul e a Celac, que foram unânimes na condenação da rutura da ordem institucional do Paraguai e que suspenderam o país dessas instituições", afirmou Jurgen Klute.

Investigações realizadas no Paraguai apuraram que o presidente Federico Franco, vice-presidente até ao derrube do presidente, conseguiu em quatro anos ampliar em 700 por cento a sua fortuna pessoal, além de ser conhecido pela prática de nepotismo ao distribuir altor cargos públicos pela família. O primeiro ministro, Feliz Fernandez, é acusado de apropriação indevida de terras para a própria família.
O Paraguai é um dos 10 países mais desiguais do mundo, situação para a qual contribui, sobretudo, o enorme peso dos latifundiários, acusados d terem estado por detrás do golpe contra Lugo.

Antes de a Alemanha e a Comissão Europeia se prepararem para receber um chefe de governo resultante de golpe de Estado já o presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, "legitimara" o regime ao encontrar-se com Federico Franco em Nova Iorque, durante a última Assembleia Geral das Nações Unidas.
A primeira posição alemã sobre a situação no Paraguai, assumida logo em Junho do ano passado, fez prever o que agora poderá acontecer. Para Berlim, o golpe de Estado que depôs Fernando Lugo foi "normal".

Fonte: BE Internacional


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