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A grande dádiva de terras: Neocolonialismo por convite

12.12.2008
 
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Após a liquidação da terras segue-se um ou dois caminhos, ou umacombinação de ambos: Os países imperiais emergentes tomam a condução ou são solicitados pelo regime neocolonial a investirem no "desenvolvimento agrícola". Seguem-se "negociações" unilaterais nas quais quantias substanciais de dinheiro do tesouro imperial são despejadas em contas bancárias dos "parceiros" neocoloniais. Os acordos e os termos dos contratos são desiguais. As commodities alimentares e agrícolas são quase totalmente exportadas para os mercados internos do país agro-imperial, mesmo quando a população do "país hospedeiro" passa fome e está dependente de embarques alimentares de emergência das agências imperiais "humanitárias".

O "desenvolvimento", incluindo promessas de investimento em grande escala, é em grande medida dirigido para a construção de estradas, transportes, portos e instalações de armazenagem a serem utilizadas exclusivamente para facilitar a transferência da produção agrícola para além mar por firmas agro-imperiais de grande escala. A maior parte da terra é tomada sem arrendamento ou sujeita a taxas "nominais", as quais vão para os bolsos da elite política ou são reciclados no mercado imobiliário urbano e importações de luxo para a rica elite local. Excepto para os parentes dos colaboracionistas ou os compadres dos dirigentes neocoloniais, quase todos os directores bem pagos, executivos superiores e equipe técnica vem dos países imperiais na tradição do passado colonial.

 Um exército de "nacionais de terceiros países" com baixos salários e educados entra geralmente como técnicos de nível médio e empregados administrativos – subvertendo completamente qualquer possibilidade de transferência de tecnologia vital ou qualificações para a população local. O principal e muito louvado "benefício" para o país neocolonial é o emprego de trabalhadores agrícolas manuais locais, que raramente são pagos acima de $1 a $2 dólares por dia, são duramente reprimidos e negados ao direito de qualquer representação sindical independente.


Em contrapartida, as companhias e regimes agro-industriais recolhem lucros enormes, asseguram abastecimentos de alimentos a preços subsidiados, exercem influência política ou controle hegemónico sobre elites colaboradoras e estabelecem "cabeças de ponte" económicas para expandir os seus investimentos e facilitar a tomada estrangeira dos sectores financeiros, comerciais e de processamento locais.


Países alvo
Apesar de haver uma grande competição e sobreposição entre os países agro-imperiais na pilhagem dos países alvo, a tendência é para os regime petrolíferos imperiais árabe concentrarem-se em penetrar neocolonias no Sul e no Sudeste Asiático. Os países asiáticos chamados "Tigres económicos" concentram-se na África e América Latina. Ao passo que as multinacionais da Europa e dos EUA exploram os antigos países comunistas da Europa do Leste e antiga União Soviética bem como a América Latina e a África.


O Bahrain capturou terra no Paquistão, na Filipinas e no Sudão para abastecer-se de arroz. A China, provavelmente o mais dinâmico país agro-imperial de hoje, investiu na África, América Latina e Sudeste da Ásia para assegurar abastecimentos de soja a baixo custo (especialmente do Brasil), produção de ar roz em Cuba (5000 hectares), Birmânia, Camarões (10 mil hectares), Laos (100 mil hectares), Moçambique (com 10 mil chineses assentados como trabalhadores agrícolas), Filipinas (1,24 milhão de hectares) e Uganda.


Os Estados do Golfo estão a prever um fundo de mil milhões de dólares para financiar terras capturadas na África do Norte e ao sul do Saara. O Japão comprou 100 mil hectares de fazendas brasileiras para a soja e o milho. Suas corporações possuem 12 milhões de hectares no Sudeste da Ásia e na América do Sul. O Kuwait capturou terra na Birmânia, Cambodja, Marrocos, Yemen, Egipto, Laos, Sudão e Uganda. O Qatar tomou campos de arroz no Cambodja e no Paquistão e de trigo, milho e sementes oleaginosas no Sudão, bem como terra no Vietname para cereais, fruta, vegetais e criação de gado. À Arábia Saudita foram "oferecidos" 500 mil hectares de campos de arroz na Indonésia e centenas de milhares de hectares de terra fértil na Etiópia e no Sudão.


O Banco Mundial (BM) tem desempenhado um papel importante na promoção da captura agro-imperial de terras, destinando US$1,4 mil milhões para financiar tomadas de "terras sub-utilizadas" por parte dos agro-negócios. O BM condiciona seus empréstimos a neocolonias, como a Ucrânia, à abertura de terras à exploração pelos investidores estrangeiros.

 [5] Aproveitando os regimes neoliberais de "centro-esquerda" na Argentina e no Brasil, investidores agro-imperiais dos EUA e da Europa compraram milhões de hectares de terras férteis e pastos para abastecer seus centros imperiais, enquanto milhões de camponeses sem terra e trabalhadores desempregados são deixados a ver os comboios carregados de carne, trigo e soja dirigirem-se para instalações portuárias controladas por multinacionais estrangeiras e para os mercados internos imperiais na Europa, Ásia e EUA.

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