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Países ricos mantêm guerra permanente na República Democrática do Congo

12.11.2007
 
Pages: 123
Países ricos mantêm guerra permanente na República Democrática do Congo

Na imprensa internacional, a República Democrática do Congo, em raras aparições televisivas, é retratada como um país de bárbaros e de mulheres atordoadas, enquanto a China é rotineiramente retratada como um país do futuro, com uma economia mista e cada vez mais integrada ao “mercado”. Nada sobre as armas que patrocinam o genocídio na África Central. Estados Unidos, Rússia e outros país fazem aliança tática pelo livre comércio de armas, motor do moderno genocídio globalizado.

Por Gustavo Barreto - gustavo@fazendomedia.com

Em um país da África Central, há pelo menos 10 anos há relatos de mulheres que são forçadas, debaixo da ameaça de armas, a ingerir excrementos, beber urina ou a comer bebês mortos. São testemunhas da mutilação genital dos seus maridos ou violadas durante semanas por grupos de homens. Relatos mostram imagens como “florestas que cheiravam a morte” e cenários em que “não se podia dar nem cinco passos sem tropeçar em um corpo”. Em alguns casos, meninos eram forçados a fazer sexo com suas próprias mães e irmãs.

No entanto, o crime mais terrível é a passividade da comunidade internacional, das instituições governamentais e dos meios de comunicação com este país. Nas palavras de uma ativista que recentemente o visitou: a indiferença total do mundo perante tal extermínio. “E enquanto nós estamos aqui a escrever o nosso relatório, há mulheres que estão a ser violadas, meninas que estão a ser destroçadas para sempre, mulheres que estão a ser testemunhas do assassinato (a golpe de catana) das suas famílias e outras que estão a ser infectadas pelo o vírus da AIDS. Onde está a nossa indignação? Onde está a consciência das pessoas?”

Este é o relato de Eve Ensler ao Conselho de Segurança da ONU (leia ao final), publicado em junho de 2007. Eve afirmou durante reunião na ONU: “As mulheres são o centro de qualquer cultura e sociedade. Embora possam não ter poder ou direitos, como são tratadas, como são, ou não são, valorizadas, indica o que a sociedade sente em relação à própria vida. Estou aqui para vos implorar, àqueles que têm poder, para declarar estado de emergência no Leste do Congo, para dar um nome ao que está a ser feito às mulheres: feminicídio”.

A crise na República Democrática do Congo, país com população estimada em 54 milhões de pessoas localizado no coração da África, é apontada por alguns meios de comunicação no exterior, a partir de abordagens diferenciadas, mas sem qualquer reação suficientemente considerável a fim de levar à Justiça a notáveis criminosos. Algo próximo de 5 milhões de pessoas morreram desde o início oficial dos conflitos, em 1998, não só por causa da violência, mas também por doenças negligenciadas no país, como a malária e o sarampo. Também oficialmente, a guerra “acabou” em 2004.

A ativista Eve Ensler, autora da peça “Monólogos da Vagina” – traduzida para mais de 45 línguas e está em exibição em teatros em todo o mundo, incluindo no Off-Broadway’s Westside Theater e no West End de Londres – tem dedicado a sua vida à luta contra violência e fundou o V-Day , um movimento global que apóia organizações anti-violência em todo o mundo, ajudando-as a continuar e expandir o seu trabalho principal em campo e, ao mesmo tempo, chamando à atenção do público para a luta contra a violência mundial contra as mulheres – incluindo violação, espancamento, incesto, mutilação genital feminina e escravidão sexual.

“Passei duas semanas em Bukavu e Goma entrevistando as sobreviventes. Algumas eram de Bunia. Efetuei pelo menos oito horas de entrevistas por dia. Almocei e fui a sessões de terapia com estas mulheres. Chorei com elas. O nível de atrocidades supera a imaginação. Não tinha visto em nenhuma parte este tipo de violência, de tortura sexual, de crueldade e de barbárie. No leste do Congo existe um clima de violência. Nesta zona as violações tornaram-se, tal como me disse uma sobrevivente, um esporte nacional”, relatou Eve na ocasião (relato completo ao final do texto).

A ativista Christine Schuler-Deschryver completou, em entrevista ao site Democracy Now! em outubro de 2007, que 60% da violência sexual que vem ocorrendo no leste do Congo é cometida pelos mesmos grupos que cometeram o genocídio em Ruanda, em 1994 – “Hutus que cometeram o genocídio em seu país”.

Contexto internacional


Um articulista da respeitada revista alternativa Z Magazine, Keith Harmon Snow, levantou suspeitas sobre Schuler-Deschryver, explicitando sua ligação com a elite branca do país e alertando que há atualmente uma estratégia internacional para, assim como em Ruanda, culpar os grupos locais por todo o caos no país – o que permite esquecer países e empresas que financiam os armamentos e se beneficiam do caos, como detalha em seu artigo sobre o tema .

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