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Contas politicas levou novamente os chilenos às ruas

12.09.2006
 
Contas politicas levou novamente os chilenos às ruas

Na segunda-feira faz 33 anos que o ex-ditador do Chile Augusto Pinochet derrubou o presidente Salvador Allende.

Há três dias Pinochet perdeu a imunidade juridica no caso sobre a violação dos direitos humanos. Esse foi um novo golpe no prestígio do general, sendo que sua farda também foi manchada com as acusações de corrupção, comércio ilegal de armas e drogas.

Atualmente o nome de Augusto Pinochet está diretamente relacionado com o mais lamentável período penitenciário “Villa Grimaldi” (centro de detenção), onde os adversários politicos do ditador eram interrogados com o uso das torturas, e muitas das vezes desapareciam sem deixar vestigios.

E a atual Presidente do país, Michelle Bachelet também passou pelas masmorras dessa prisão. Nestes dias os velhos acertos de contas politicas levou novamente os chilenos às ruas: as pessoas divididas pelo golpe militar não chegaram à compreensão mutua e concórdia.

 
Graves incidentes esta noite perturbam a capital chilena, após os distúrbios que deixaram 98 detidos .

Os incidentes acontecem em Villa Francia, no oeste da capital, um dos setores mais combativos durante a ditadura militar (1973-1990), e no município de Peñalolén, no leste, segundo emissoras de rádio e TV.

Os manifestantes acenderam fogueiras e montaram barricadas que impedem a passagem dos veículos. Também lançaram correntes nos cabos elétricos para provocar blecautes.

Antes, nas imediações da Universidade de Santiago, no centro da capital, houve confrontos de estudantes e encapuzados com a Polícia, que deteve 98 pessoas.

Os manifestantes levantaram barricadas e enfrentaram com pedras as forças especiais de Carabineiros, que reprimiram o protesto com jatos de água e gases lacrimogêneos.

Também hoje, as forças de Carabineiros dissolveram no centro de Santiago uma manifestação não autorizada convocada pelo esquerdista Movimento Patriótico Manuel Rodríguez (MPMR). Os manifestantes haviam ocupado a Alameda Bernardo O'Higgins, a principal avenida de Santiago, interrompendo o tráfego de veículos.

Segundo a posição do Governo de esquerda cada pessoa deve comemorar o 11 de setembro a seu modo, como ela vê essa data do passado.

Nesta segunda-feira, no palácio presidencial de La Moneda, uma cerimônia religiosa lembrou os mortos de 11 de setembro de 1973. O Partido Socialista e outros grupos políticos homenagearam Salvador Allende diante do monumento em sua memória, em frente à sede do Governo chileno.
Após a cerimônia, a presidente Michelle Bachelet afirmou que "este novo 11 de setembro leva à lembrança e a uma reflexão sobre o que aconteceu há 33 anos".

A governante também condenou o atentado de domingo contra o palácio de Governo. "Os símbolos pátrios, como a bandeira e La Moneda, são símbolos também da democracia, e pertencem a todos os cidadãos", disse.

"La Moneda é o símbolo da luta de muitos de nós para recuperar a democracia", enfatizou, acrescentando que "ver La Moneda em chamas como há 33 anos" é algo que não deve acontecer de novo. "Não foi para isso que nossa gente deu a sua vida".

As manifestações de hoje foram precedidas, no domingo, por um grande manifestação organizada pela Assembléia Nacional de Direitos Humanos.


A manifestação terminou em distúrbios isolados, que se prolongaram pela madrugada em diferentes bairros de Santiago. Ao longo do dia 72 pessoas foram detidas, cinco carabineiros foram feridos e 25 lojas sofreram danos.


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