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O movimento de paz de Israel necessita do apoio global

12.02.2009
 
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O movimento de paz de Israel necessita do apoio global

Larry Hufford *

[Tradução: Eva P. Bueno]

Devido aos recentes e correntes eventos em Gaza, há uma necessidade crítica de que ativistas pela paz em todo o mundo estejam solidários com seus irmãos e irmãs israelenses. Não é fácil ser um ativista pela paz em um país cuja história com os palestinos envolve várias batalhas em uma guerra que continua.

No dia 3 de janeiro de 2009, vinte e uma organizações de paz israelenses tiveram uma demonstração e uma marcha em oposição à ação israelense em Gaza. Liderados por Gush Shalom e a Women’s Coalition for Peace (União de Mulheres pela Paz), mais de dez mil pessoas marcharam carregando faixas com mensagens como “Não se faz campanha política sobre o corpo de crianças mortas!”; “Os órfãos e as viúvas não são propaganda eleitoral!”; “Todos os ministros são criminosos de guerra!” e “ Basta! Basta! Vamos negociar com Hamas!”

O governo israelense fez uma intensa campanha de propaganda dizendo que a luta contra Hamas preenche os critérios de uma guerra, que Hamas deve ser destruído para a proteção da segurança do Estado de Israel. As tomadas de opinião pública israelense mostram que a entrada militar em Gaza tem grande apoio popular. O governo convenceu quase todos os israelenses e a imprensa ocidental, especialmente a imprensa americana, que Israel está fazendo todo o possível para evitar ferir civis. Yariv Oppenheimer, secretário geral de Peace Now (Paz Agora) disse que há um consenso no movimento pacifista a favor de cessar fogo e negociar maneiras de manter a paz.

Ele diz, “esta guerra está ferindo e matando tantos civis inocentes e causando tanta miséria e sofrimento do lado palestino, que ninguém pode simplesmente ignorar o que está acontecendo e continuar sua vida normalmente.” Gideon Levy, um colunista liberal para o jornal Ha’aretz, escreveu que os israelenses se tornaram brutalizados por este conflito, e que estão insensíveis à enorme perda de vida entre os civis. “Tudo é permitido, legítimo e justo,” Levy escreveu. “Israel matou o líder da Hamas, Nizar Rayan. Ninguém conta as vinte mulheres e crianças que perderam suas vidas no mesmo ataque. Os palestinos estão morrendo nos hospitais por falta de equipamento médico... Nossos corações estão endurecidos e os nossos olhos estão embaçados.”

O professor Oren Yiftachel, que ensina geografia política e planejamento urbano na Universidade Ben-Gurion, escreveu extensamente sobre a geografia política de conflitos étnicos. Ele é membro ativo de várias organizações de paz e da sociedade civil e membro fundador do grupo Professores pela Paz entre Israel e Palestina (FFIPP). Yiftachel recentemente escreveu o seguinte:

Podemos ver a invasão de Gaza não somente como uma ’operação’ para parar os foguetes de Hamas; um esforço eleitoreiro para aumentar a popularidade dos cínicos líderes israelenses; ou como uma tentativa de restabelecer a capacidade de Israel deter os palestinos depois da falha da segunda guerra do Líbano em 2006. Esta invasão e a destruição de Gaza não é nem uma tentativa colonial de ‘criar uma nova ordem política’ entre as nações vizinhas, ou um esforço imperial (americano-israelense) de controlar as sociedades árabes insurgentes. O ataque atual a Gaza é naturalmente todas estas coisas mas também—e de uma forma muito importante, um outro passo no projeto de longo tempo de silenciar, fragmentar, quebrar e aniquilar a história palestina e a sua existência coletiva. Este projeto de apagar a Palestina é conduzido por quase todo mundo em Israel—políticos, artistas, a imprensa, os pesquisadores das universidades e os intelectuais. [1]

Outro ativista, Uri Avneri, foi um antigo soldado sionista na guerra árabe-israelense de 1948, e que mais tarde fundou a organização de paz Gush Shalom. Avneri escreveu que:

O bloqueio de Gaza foi um experimento científico designado a descobrir o quanto se pode aniquilar pela fome uma população e transformar sua vida em um inferno antes que as pessoas percam o controle. Este experimento foi conduzido com a generosa ajuda da Europa e dos Estados Unidos. Até agora, ainda não teve sucesso. Hamas acabou ficando mais forte, e o alcance dos Qassams maior. A guerra atual é a continuação do experimento por outros meios. [2]

O consenso fundacional entre os movimentos israelenses-palestinos de paz consiste dos seguintes pontos:

As vidas israelenses e palestinas têm o mesmo valor. Ambas são preciosas.

Os povos israelense e palestino têm direitos iguais à autodeterminação e a viver em paz e segurança.

Os povos israelense e palestino têm direitos iguais a uma medida justa da terra e dos recursos da Palestina histórica.

Dois estados nacionais, Israel e Palestina, com igual soberania, direitos iguais e responsabilidades iguais.

A divisão ao longo da fronteira anterior a 1967 (deve ser) modificada somente com troca de territórios em comum acordo.

A evacuação de todos os israelenses de áreas tomadas, exceto aquelas dentro das áreas em que as duas partes estejam de acordo com a troca.

O reconhecimento de Israel por parte dos palestinos e dos árabes, e a renúncia da tentativa de obter-se outros territórios.

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