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EUA: Reflexões do Presidente Fidel Castro

12.02.2008
 
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EUA: Reflexões do Presidente Fidel Castro

O candidato republicano


(Primeira Parte)

• ESTAS reflexões se explicam por si próprias.

Na já famosa superterça, um dia da semana em que numerosos Estados da União elegiam o candidato da sua preferência para a Presidência dos Estados Unidos, entre um grupo de candidatos. Um dos possíveis candidatos para substituir George W. Bush podia ser John McCain, por sua imagem projetada de herói e sua aliança com fortes adversários, como o ex-governador de Nova Iorque, Rudy Giuliani, outros aspirantes já lhe deram com prazer seu apoio. A intensa propaganda de fatores sociais, econômicos e políticos de grande peso em seu país, e seu estilo de atuação o tornavam o candidato com mais possibilidades. Apenas a extrema direita republicana, representada por Mitt Romney e Mike Huckabee, inconformada com algumas concessões intranscendentais de McCain, ainda ofereciam-lhe resistência em 5 de fevereiro. Depois Romney também depôs a aspiração em favor de McCain. Huckabee a mantém.

A luta pelo candidato é, no entanto, muito intensa no Partido Democrata. Ainda que, como é habitual, uma parte ativa da população dos Estados Unidos com direito de votar seja minoritária, escutam-se já todo tipo de opiniões e conjeturas sobre as consequências que terá para o país e para o mundo o resultado final da contenda eleitoral, se a humanidade escapa das aventuras bélicas de Bush.

Não me cabe falar da história de um candidato à Presidência dos Estados Unidos. Jamais fiz. Talvez, não o teria feito nunca. Por que desta vez?

McCain afirmou que alguns colegas dele foram torturados por agentes cubanos em Vietnã. Seus apologistas e especialistas em publicidade geralmente sublinham que o próprio McCain sofreu tais torturas por parte dos cubanos.

Espero que os cidadãos dos Estados Unidos compreendam que sou obrigado à análise pormenorizada deste candidato republicano e lhe replique. Vou fazê-lo a partir de considerações éticas.

No histórico de McCain aparece que foi prisioneiro de guerra no Vietnã desde 26 de outubro de 1967.

Como ele próprio conta, tinha naquela data 31 anos e levava a cabo a missão de ataque número 23. Seu avião, um A4 Skyhawk, foi interceptado sobre Hanói por um míssil antiaéreo. Devido ao impacto, perdeu o controle e se catapultou, caindo sobre o lago Truc Bach, no meio da cidade, com fracturas em ambos os braços e num joelho. Uma multidão patriótica, ao ver cair um agressor, recebeu-o com hostilidade. O próprio McCain exprime seu alívio naquele momento ao ver chegar um pelotão do exército.

O bombardeio sobre o Vietnã iniciado em 1965, era um fato comovente para a opinião internacional, muito sensibilizada com os ataques aéreos da superpotência contra um pequeno país do Terceiro Mundo, que foi tornado colônia da França a milhares de milhas da distante Europa. O povo de Vietnã lutou contra os ocupantes japoneses durante a Segunda Guerra Mundial e, já no fim, a França retomou o controle. Ho Chi Minh, o líder modesto e querido por todos, e Nguyen Giap, seu chefe militar, eram personagens admirados internacionalmente. A famosa Legião Francesa foi derrotada. Para tentar evitá-lo, as potências agressoras por um triz usa a arma nuclear em Diem Bien Phu.

Perante a opinião pública norte-americana, os nobres anamitas, como carinhosamente os chamou José Martí, de cultura e valores milenares, deviam ser apresentados como um povo bárbaro e indigno de existir. Em matéria de suspense e publicidade comercial, ninguém pode ganhar dos especialistas dos Estados Unidos. A especialidade foi utilizada sem limite algum para exaltar o caso dos prisioneiros de guerra, nomeadamente o de McCain.

Seguindo essa corrente, McCain afirmou depois que, o fato de que seu pai fosse almirante e comandante-em-chefe das forças estadunidenses no Pacífico, fez com que a resistência vietnamita lhe oferecesse uma libertação antecipada se reconhecia ter cometido crimes de guerra, o qual tinha rejeitado alegando que o Código Militar estabelece que os prisioneiros são libertados na ordem em que são capturados, e que isso significou cinco anos de prisão, golpes e torturas numa área do cárcere identificada pelos norte-americanos como "Hanoi Hilton".

A retirada final do Vietnã foi desastrosa. Um exército de meio milhão de homens treinados e armados até os dentes não pôde resistir o avanço dos patriotas vietnamitas. Saigão, a capital colonial, atual Ho Chi Minh, foi abandonada de forma vergonhosa pelos ocupantes e seus cúmplices, alguns deles, pendurados dos helicópteros. Os Estados Unidos perderam mais de 50 mil filhos valiosos, sem contar os aleijados. Gastaram US$500 bilhões naquela guerra sem impostos, sempre, de por si, desagradáveis. Nixon renunciou unilateralmente aos compromissos de Bretton Woods e criou as bases da atual crise financeira. Tudo que conseguiram foi um candidato para o Partido Republicano, 41 anos depois.

McCain, um dos numerosos pilotos norte-americanos abatidos e feridos nas guerras declaradas ou não de seu país, foi condecorado com a Estrela de Prata, a Legião de Emérito, a Cruz de Aviação por serviço destacado, a Estrela de Bronze e o Coração Púrpura.

Um filme para a televisão, baseado em suas memórias sobre as experiências como prisioneiro de guerra, foi exibido no Memorial Day de 2005 e se tornou famoso por seus vídeos e discursos em torno ao tema.

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