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Vetos cruzados no Conselho de Segurança

11.10.2016
 
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Vetos cruzados no Conselho de Segurança

O Conselho de Segurança reuniu-se a 8 de Outubro de 2016 para debater não apenas a proposta de resolução franco-espanhola sobre a Síria, mas também uma contra-proposta russa. Sem surpresa os dois textos foram rejeitados, pelos vetos da Rússia quanto ao primeiro, pelo bloco atlantista quanto ao segundo.

Thierry Meyssan

 

É a primeira vez na história do Conselho que uma tal situação se verifica.

A proposta francesa visava impedir a Síria e a Rússia de aplicar a resolução 2249 que «exorta os Estados-Membros (...) a redobrar os seus esforços e a coordenar a sua acção tendo em vista prevenir e pôr fim aos actos de terrorismo cometidos, em particular, pelo EIIL, igualmente conhecido sob o nome de Daesh (E.I.), assim como pela Frente Al-Nusra e quaisquer outros indivíduos, grupos, empresas e entidades associadas à Al-Qaida». De forma contraditória, o texto francês fazia referência ao acordo russo-americano de cessação das hostilidades (segundo o qual os Estados Unidos devem separar os rebeldes moderados dos jiadistas extremistas), ao mesmo tempo interditando o bombardeando dos extremistas e o sobrevôo não apenas de Alepo-Leste, mas também de Alepo-Oeste.

A proposta russa fazia igualmente referência ao acordo de cessação das hostilidades, mas louvava a aplicação da resolução 2249 contra os jiadistas.

Fechando o episódio da cessação das hostilidades, a Jund al-Aqsa katiba (saída da Al-Qaida e considerada, portanto, por todos como «extremista» juntou-se oficialmente à Frente Fateh al-Sham (nova designação da frente Al-Nusra, após a sua separação "amigável" da Al-Qaida).

Pondo em causa a OTAN, o representante russo, Vitaly Churkin, arrasou os seus colegas, declarando: «o representante permanente do Reino Unido vem gritar pateticamente: -"Parai já!". Realmente, parai imediatamente de apoiar todo o tipo de escória no mundo inteiro, quer sejam extremistas, terroristas ou todos aqueles que se divertem a desestabilizar a situação em tal e tal país. De um modo geral, parai de imiscuir-vos nos assuntos dos outros Estados soberanos, deixai os vossos hábitos coloniais, deixai o mundo tranquilo. Isso permitirá sanear a situação em muitas regiões do mundo».

Por sua parte, o representante da Síria, Bashar Jafari, continuou: «os Estados Unidos, a França e o Reino Unido sequestram desde há seis anos o Conselho, sessão após sessão, patrocinam declarações de projecto, e isto para induzir em erro a opinião pública, pretendendo mostrar que procuram resolver a crise no meu país».

A China votou a favor da proposta russa, mas preferiu abster-se de opor o seu veto à proposta francesa.

Os vetos cruzados soltaram as línguas e muitos responsáveis políticos, como o ministro alemão dos Negócios Estrangeiros (relações exteriores-br), Frank-Walter Steinmeier, o qual numa entrevista com o jornal Bild advertiu os seus concidadãos para o risco de Guerra Mundial.

Entretanto na Síria, não se crê que Washington passará as suas ameaças à prática e bombardeará o país, ou, no mínimo, o seu exército. A libertação do país prossegue, nomeadamente com um recuo cada vez mais saliente dos jiadistas em Alepo.

Simultaneamente, a situação crispou-se no Iraque. Bagdade não parece estar no mesmo comprimento de onda da Coligação Internacional anti-Daesh a propósito da libertação de Mossul, ocupada pelos jiadistas. As razões ocultas foram explicitadas pelo presidente turco Recep Tayyip Erdoğan na televisão saudita RotanaTV (propriedade do Príncipe Walid Ben Talal, Embaixador oficial do Reino em Israel). Retomando as suas declarações ao quotidiano turco Sabah, ele anunciou que uma vez Mossul libertada do Daesh (EI), a sua população devia permanecer tal como o Daesh a tinha depurado, ou seja, exclusivamente sunita. Além disso, ele foi lembrando que a Turquia mantinha as suas tropas na região, apesar da oposição de Bagdade, porque ela tinha um direito histórico sobre a cidade.

Numerosos Iraquianos interpretaram estas declarações irredentistas como o anuncio de uma possível ocupação turca da cidade, após a do Daesh (EI)

Em Saná, um míssil não identificado matou 140 de Iemenitas que estavam a celebrar o luto do pai do Ministro do Interior. O General Jalal al-Rouichene havia sido nomeado para este posto pelo Presidente Abd Rabbo Mansour Had. Ele permaneceu neste posto no governo estabelecido pelos revolucionários Hutis, é pois considerado um traidor pelos Sauditas. Suspeita de estar na origem do ataque, a Arábia Saudita desmentiu a sua implicação e afirmou não ter bombardeado Sana nesse dia. Mas esta declaração de Riade não desculpa os aliados da Arábia Saudita que participam na guerra contra o Iémene.

Thierry Meyssan

Tradução 
Alva

in

 


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