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Como os Chicago Boys arruinaram a economia

11.09.2008
 
Pages: 12345
Como os Chicago Boys arruinaram a economia

por Michael Hudson [*]
entrevistado por Mike Whitney [**]

"Mas o modelo financeiro tem sido um grande êxito do ponto de vista vantajoso dos que estão no topo da pirâmide económica. A economia polarizou-se ao ponto de os 10% mais ricos agora possuírem 85% da riqueza do país. Nunca antes os 90% da base estiveram tão altamente endividados aos ricos".

Mike Whitney: O défice de transacções correntes dos Estados Unidos é de aproximadamente US$700 mil milhões. Isto é capital "emprestado" suficiente para pagar o custo anual da guerra no Iraque de US$120 mil milhões, a totalidade do US$450 mil milhões do orçamento do Pentágono, e as isenções fiscais de Bush para os ricos. Por que é que o resto do mundo continua a financiar o militarismo da América através do défice de transacções correntes? Ou será apenas a consequência inevitável da desregulação da divisa, da "hegemonia do dólar" e da globalização?

Michael Hudson: Como expliquei em Super Imperialism , os bancos centrais em outros países compram dólares não por pensarem que activos em dólares sejam uma "boa compra", e sim porque se eles não reciclarem os seus excedentes comerciais e os gastos de consumo e militares dos EUA com a compra de títulos emitidos pelo Tesouro estado-unidense, pela Farrnie Mae e outros, suas divisas valorizariam em relação ao dólar. Isto colocaria o preço das suas exportações fora dos mercados mundiais dolarizados. Assim os EUA podem gastar dinheiro e conseguir almoços gratuitos.

A solução é (1) controles de capital a fim de bloquear novas entradas de dólares; (2) tarifas flutuantes contra importações provenientes de economias dolarizadas; (3) compras de investimentos estado-unidenses em países receptores de dólares (de modo que a Europa e a Ásia utilizariam seus dólares no banco central para comprar investimentos privados dos EUA ao valor contabilístico); (4) exportações subsidiadas para economias dolarizadas com divisa em depreciação, e respostas semelhantes àquelas que os EUA adoptariam se estivessem na posição um país com excedente de pagamentos. Por outras palavras, a Europa e a Ásia tratariam os EUA como os seus rapazes do Consenso de Washington tratam os devedores do Terceiro Mundo: comprando as suas matérias-primas e outras indústrias, suas plantações para exportação, e os seus governos.


MW: O economista Henry Liu disse num artigo seu que "A hegemonia do dólar permite aos EUA possuir indirectamente mas essencialmente toda a economia global através da exigência de que a sua riqueza seja denominada em dólares fiduciários (fiat dollars) de valor de troca incerto e de valor intrínseco zero, e o resto do mundo produz bens e serviços que dólares fiduciários podem comprar a 'preços de mercado' cotados em dólares". Será que Liu está a exagerar o caso ou a Reserva Federal e as elites da banca ocidental realmente compreenderam como manter o controle imperial sobre a economia global simplesmente assegurando que a maior parte da energia, commodities e bens manufacturados são denominados em dólares? Se isto for o caso, então pareceria que o "valor facial" real do dólar não importa muito desde que ele continue a ser utilizado na compra de commodities. Será que isto está certo?

Michael Hudson: Henry Liu e eu temos discutido isto desde há muitos anos. Nós estamos de pleno acordo. O parágrafo que citou está perfeitamente certo. Os seus artigos no Asia Times apresentam uma análise contínua da hegemonia do dólar.

MW: Como é o relacionamento entre salários estagnados para os trabalhadores e a actual crise do crédito? Se os salários dos trabalhadores se tivessem mantido com a taxa de produção, não é menos provável que estaríamos na enrascada em que estamos hoje? E, se isto for verdade, não deveríamos nós estarmos mais concentrados em re-sindicalizar a força de trabalho ao invés de procurar soluções junto ao patético Partido Democrata?

Michael Hudson: A crise do crédito deriva da "mágica do juro composto", isto é, da tendência das dívidas a manterem-se a duplicar e a reduplicar. Toda taxa de juro implica uma duplicação. Nenhuma produção e excedente económico da economia "real" pode manter o passo com esta tendência de a dívida crescer mais depressa. Assim, a crise financeira teria ocorrido mesmo sem levar em conta os níveis salariais.
Muito simplesmente, o preço da propriedade habitacional tende a absorver todo o rendimento pessoal disponível do comprador. Assim, se os salários tivessem ascendido mais rapidamente, o preço da habitação simplesmente teria subido mais depressa pois os empregados comprometeriam mais salário líquido para suportar maiores hipotecas. Salários estagnados ajudam a manter baixos o preço de casas em níveis meramente estratosféricos e não ionosféricos.

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