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Cúpula dos Não-Alinhados é uma espécie de ante-sala

11.09.2006
 
Cúpula dos Não-Alinhados é uma espécie de ante-sala

 Nesta segunda-feira, em Havana, Cuba,  tem o início a XIV Cúpula  do Movimento dos Não- Alinhados (NOAL) que durará  até o dia 16  com um olho na situação internacional e outro em sua própria estrutura interna, consciente da necessidade de conseguir seu fortalecimento institucional e político.

Na Cúpula  participam mais de 50 governantes e 3.000 delegados de cerca de 140 países .

 Segundo o programa oficial divulgado neste domingo, o presidente Fidel Castro vai encabeçar formalmente a delegação de Cuba, apesar de se desconhecer, por enquanto, se ele participará nos principais atos do encontro, uma vez que ainda está convalescente de uma cirurgia no intestino que o fez entregar temporariamente o poder a seu irmão Raúl no final de julho passado.


"Fidel Castro se recupera satisfatoriamente como ele mesmo expressou a nosso povo e o pior ficou para trás. Posso afirmar que ele receberá alguns dignitários estrangeiros que estarão presentes na Cúpula e quase que com certeza receberá o senhor Kofi Annan, secretário-geral da Nações Unidas", afirmou o chanceler cubano Felipe Pérez Roque.

"Nas atividades em que não puder ser o chefe da delegação, ele será representado. Mas posso confirmar que ele acompanhou cada detalhe dos preparativos da cúpula", enfatizou.
Segundo o programa distribuído, o presidente cubano também oferecerá um jantar aos mais de 50 governantes participantes do evento.

A cúpula reunirá líderes da Ásia, América Latina e África, alguns deles opositores radicais de Washington. A América Latina estará representada a nível presidencial por Hugo Chávez (Venezuela) e Evo Morales (Bolívia), aliados de Fidel, assim como por Alfredo Palacio (Equador) e Leonel Fernández (República Dominicana). Também estarão presentes os vice-presidentes Francisco Santos (Colômbia) e Eduardo Stein (Guatemala).

Da Ásia comparecerão os presidentes Mahmud Ahmadinejad (Irã), Bachar Al Assad (Síria), Pervez Musharraf (Paquistão) e o primeiro-ministro Manmohan Singh (Índia). Entre os africanos, comparecerá o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki.


Cuba deverá assumir a presidência do NOAL pela segunda vez - a primeira ocorreu há 27 anos - nos 45 anos de existência da entidade. O movimento nasceu como uma alternativa à bipolaridade militar dos Estados Unidos e da União Soviética.

"Esperamos que o NOAL saia de Havana fortalecido e revitalizado, que seja capaz de enfrentar o unilateralismo" liderado por Washington, disse o vice-chanceler Abelardo Moreno.
A presença de Annan junto a governantes do Irã e de países do Oriente Médio leva para Havana as mais importantes tensões políticas vividas pelo mundo. A questão nuclear iraniana deverá ser um dos temas quentes do encontro.

"No futuro, o NOAL pode ter um papel de estímulo à paz, estabilidade e segurança no Oriente Médio e à democratização na América Latina. Também seria um fator de estabilidade dentro da ONU, para esfriar as cabeças quentes em Washington", disse em Cuba o ministro sírio da Informação, Mohsed Bilal.

Aos representantes dos 116 membros do Movimento - que aumentarão para 118 na Cúpula - se somarão cerca de 30 convidados, como Estados Unidos, União Européia e Rússia.
A maioria dos dignitários seguirá para Nova York para assistir à Assembléia Geral da ONU, cuja sessão plenária começa no dia 19 de setembro.

"A Cúpula é uma espécie de ante-sala. As posições adotadas pelo Movimento terão influência na Assembléia, sobretudo no que se refere à democratização da ONU e do seu Conselho de Segurança", comentou Moreno.

Ahmadinejad tentará incluir na declaração final do encontro uma mensagem de solidariedade com o programa nuclear iraniano. O documento deverá ter uma condenação à base naval de Guantánamo e ao embargo dos Estados Unidos contra Cuba.

 Neste domingo o ministro do Exterior cubano, Felipe Pérez Roque informou que “ as nações em desenvolvimento vão apoiar o programa nuclear do Irã durante a cúpula do Movimento dos Países Não-Alinhados (MPNA) em Havana.

As 116 nações que fazem parte do MPNA, que agrupa quase dois terços dos países-membros das Nações Unidas, vão defender o direito do Irã de usar a energia nuclear para fins pacíficos, incluindo o direito de enriquecimento de urânio para produzir eletricidade, disse Roque.

O ministro cubano criticou o "padrão ambíguo hipócrita" dos Estados Unidos e de outras nações ocidentais que têm tentado barrar o programa nuclear iraniano.

Por sua vez, Venezuela e Guatemala aproveitarão a cúpula para buscar apoio para sua aspiração a um assento não permanente no Conselho de Segurança da ONU.


Paralelamente ao encontro do NOAL, será celebrada a I Cúpula dos Países em Desenvolvimento sem Litoral e uma reunião do Grupo dos 15 - que já tem 19 membros - para analisar a luta por um sistema de comércio mundial mais justo.


 AFP


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