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O papel do dragão asiático na atual política internacional

11.04.2015
 
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Atualmente, os ventos da política internacional vêm soprando para o Oriente. Ao olharmos para as últimas manobras de Pequim, vemos o objetivo do governo chinês em expandir seu poder sobre diversas áreas do mundo.

Recentemente, Xi Jiping, Presidente chinês, anunciou seus planos para promover o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB, em inglês), aglomerando, por exemplo, países como Brasil e Rússia, além de alguns europeus e asiáticos, obviamente.

Discurso oficial de Pequim

De acordo com o discurso oficial de Pequim, o objetivo deste banco é promover os investimentos chineses ao redor do mundo, principalmente na Ásia, América do Sul e outras regiões prioritárias para o grande dragão asiático. Não obstante, extraoficialmente, esta manobra chinesa explicita o aumento do poder econômico-financeiro chinês nos últimos tempos, pois, por um lado, os investimentos deste banco serão alocados em países, prioritariamente, aliados de Pequim; por outro lado, a consequência desta ação será o aumento da influência chinesa sobre a economia e a política interna destes países.

Emergência económica chinesa

Do ponto de vista político, a emergência econômica chinesa no mundo e a transfiguração deste poder econômico em poder político é importante para colocar o governo de Pequim no "clube", não oficial, das grandes potências, onde se encontram apenas quatro membros, a saber: Estados Unidos, Rússia, França e Reino Unido. Nesse sentido, indagamos: Quais seriam as principais características das grandes potências na atual política internacional?

Sumariamente, grandes potências na são aquelas nações que tem grande poder econômico, militar e enorme poder de influenciar a cultura, a economia e a política interna de grande parte dos países ao redor do mundo.

Neste contexto, o Banco Asiático de Investimentos em Infraestrutura é um meio para o governo chinês elevar seu poder sobre muitos países, pois, atualmente, o mundo está ainda atravessando os efeitos da crise econômico-financeira de 2008, e os governos destes mesmos países ao redor do mundo estão famintos por mais investimentos, mais empregos, mais popularidade e mais lucros políticos para se sustentarem no poder.

O resultado para a Pequim parece óbvio: a política internacional é uma estrada de mão dupla. Para se receber, deve-se dar algo.

Luiz Fernando Mocelin Sperancete

Diretor do Instituto de Estudos Geopolíticos do Oriente Médio e Assessor Especial de Relações Internacionais da Presidência da Federação das Entidades Árabes de São Paulo (FEARAB-SP).

 


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