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Admissão de Geórgia e Ucrânia á OTAN gera tensões globais

11.04.2007
 
Admissão de Geórgia e Ucrânia á OTAN gera tensões globais

O presidente americano George W. Bush promulgou um texto que autoriza a assistência à Geórgia e Ucrânia e que, além disso, facilita a admissão destes paises à Otan, informou a Casa Branca.
A lei assinada na segunda-feira (09) por Bush "reafirma o apoio à expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte", explicou a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, em um comunicado.

O texto promulgado autoriza para o ano 2008 (que começa em outubro de 2007) a adoção de créditos para algunns programas de assistência militar para esses países.

A aproximação de Geórgia e Ucrânia da OTAN preocupa o Kremlin. Pela primeira vez a OTAN admitirá países que faziam parte da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) fator que vem aumentando as tensões entre Moscou e paises ocidentais. A atual postura expansionista da OTAN
se trata de um recuo em promessas não muito antigas, irritando ainda mais  Moscou.

 Logo após a derrocada comunista, a organização se comprometeu a não admitir países exmembros do Pacto de Varsóvia. Porém, em março de 1999, em plena crise dos Bálcãs, passaram a fazer parte da OTAN a República Tcheca, Hungria e Polônia. Já em 2004, foram admitidos mais 7 membros saídos do Leste Europeu: Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e Eslovênia. Atualmente, além de Ucrânia e Geórgia, mais oito estados estão dando os passos iniciais para uma possível participação na organização.

 A reação russa acerca da nota veio nas palavras do presidente Vladimir Putin, ao afirmar que gostaria de saber contra quem tal expansão seria dirigida. A resporta é evidente. Contra Rússua. Uma das motivações para a expansão da OTAN é a vontade estadunidense de manter sua influência em assuntos militares e políticos europeus.  A OTAN é uma boa forma de intervir de maneira não tão direta em questões delicadas como a do Kosovo, nas quais não se envolveria sem a influência
dos EUA. 

 A partir da assinatura da Carta de Parceria Distinta em 1997, a Ucrânia intensificou seu processo de cooperação junto à organização, aproximando-se das questões de segurança euro-atlânticas. A partir de então, as duas partes têm avançado constantemente no diálogo acerca de questões de segurança regional, e realizando treinamentos conjuntos. A afirmação do presidente ucraniano pro- ocidental Viktor Yushchenko de que a entrada de seu país na organização seria uma das principais metas do governo demonstra o nível de interesse da Ucrânia em sair da esfera de influência russa.

A situação da Geórgia é ainda mais complicada, considerando-se a questão da Ossétia do Sul, (cujas forças separatistas recebem apoio da Rússia). A Geórgia já prevê sua entrada na organização para
2009, e a presença da OTAN já pode ser sentida nas mudanças que ocorrem nas forças armadas do país. No caso da Geórgia, fazer parte da organização se torna uma questão de segurança em
relação à Rússia, e uma garantia de não separação da Ossétia do Sul.

Internamente, a Ucrânia sofre pressões acerca de suas negociações com a organização. Em junho de 2006, o parlamento regional da Criméia declarou que esta seria uma zona livre da OTAN, fato que foi definido como sem qualquer significado pelo presidente ucraniano. Os partidos pró-rússia também apoiaram protestos contra a aproximação ucraniana da organização.

A preocupação de Moscou quanto às mudanças geopolíticas causadas pela adesão da Ucrânia e Geórgia na OTAN é grande e com razão. Contando com os dois novos membros, a OTAN passaria a
ter ainda mais controle sobre o Mar Negro. A base naval russa no Mar Negro está localizada em Sevastopol, na Ucrânia, ficando comprometida após a entrada desta na OTAN. 

 O ministro de relações exteriores russo Sergei Lavrov, afirmou: “nós dissemos mais de uma vez que todos os países têm direito a decisões soberanas em relação a quem serão seus parceiros na arena
internacional”. Mesmo muito preocupados com as mudanças geopolíticas que serão causadas pela
entrada de Ucrânia e Geórgia na organização, a Rússia pouco poderá fazer diretamente contra a questão.

 Caberá a Moscou então fazer uso de suas outras várias cartas de barganha, como por exemplo a questão energética do Irã, de forma a garantir que seus interesses sejam preservados.

 Com Conjuntura internacional



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