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A «grande estratégia» dos EUA

10.10.2017
 
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A «grande estratégia» dos EUA

Mikhail Leontiev consagrou a sua crónica no primeiro canal da televisão russa à teoria de Thomas Barnett. O que parecia não ser mais que uma elucubração de intelectual, em 2001, está em curso de concretização. Todos devem repensar a sua visão das guerras dos últimos dezasseis anos.

Mikhaïl Leontiev

Trump pronunciou um discurso na Assembleia Geral da ONU. Tal como Saltykov-Shchedrin afirmava: «Gente bem-intencionada esperava dele rios de sangue e massacres, em vez disso ele veio como se tivesse acabado de comer uma rosquinha».


«As nações fortes e soberanas permitem a todos e a cada um desenvolver-se e conhecer toda a riqueza da vida permitida por Deus. Na América, não buscamos impor o nosso estilo de vida seja a quem for, antes queremos deixá-lo brilhar para que todos vejam nele um exemplo», declarou o Presidente Donald Trump.

Hurra ! Sempre nos deixa um pouco. No passado, teria aspirado a impor-nos uma imagem resplandecente! Mas hoje em dia, ele abandonou esse género de ambição. Ao mesmo tempo, vejam bem, «apagar da superfície da Terra» e «derrubar regimes» está sempre na moda. Trump ameaça destruir a Coréia do Norte, o Irão e derrubar o regime venezuelano ... Mas tentar impor um modo de vida, claro que não.


«A guerra não mais deve ser conduzida contra Estados definidos em função da sua situação política, mas contra regiões do mundo, já que tais Estados foram escolhidos para ser destruídos. Claro, eles começarão com um Estado em particular, depois um outro, mas continuarão até que a infecção se espalhe e tudo se afunde, tal como podemos ver hoje no Médio-Oriente "Alargado". É uma política cujo lançamento começou em 11 de Setembro de 2001 e não soubemos captar as conseqüências do que se passou naquele dia. Nenhuma das guerras dos Estados Unidos desde aquele dia terminou», diz o politólogo francês Thierry Meyssan.

E é verdade. Desde há 16 anos nenhuma das guerras dos EUA terminou! Apresentam o erudito e especialista do Oriente, Thierry Meyssan, como um «conspiracionista». Ora, ele chama-nos simplesmente à atenção de que não captamos a mudança radical da estratégia norte-americana depois do 11-de-Setembro.


«O neo-imperialismo dos Estados Unidos não traz nada, nem aos «Estados estáveis» nem aos do «reservatório de recursos naturais». Os países estáveis terão acesso aos recursos mas passando pelo exército dos EUA, enquanto que os do reservatório de matérias-primas serão completamente destruídos, mergulhados no caos», prossegue Thierry Meyssan.

 

Eis aqui o mapa do inferno ao qual Meyssan se refere. Ele figura no livro do Professor Barnett, um estratega e divulgador que foi assistente do Almirante Cebrowski, o Director do Departamento de Transformação das Forças Armadas no Pentágono. Praticamente toda a África, a América Central e Latina, à excepção do Brasil e da Argentina, caem na zona de países «não-integráveis» condenados ao caos. Depois, naturalmente, todo o Próximo-Oriente com a Turquia, o Golfo Pérsico, o Irão e o Paquistão; toda a Ásia do Sudeste e os Balcãs, salvo a Grécia. Ao mesmo tempo, a Rússia, a Índia e a China são afastadas com cautela da «zona do pesadelo».


«O poder do Leviatã só deve ser libertado (liberado-br) de tempos a tempos. Mas eis o que podeis prometer aos Americanos, aos nossos concidadãos e ao mundo inteiro. Se libertarmos este Leviatã, nós prometemos que vos garantimos, imediatamente, imediatamente após, a instalação de governança funcional. Não se deve planificar (planejar-br) uma guerra se não esperarmos obter a paz», afirma o analista político dos EUA Thomas Barnett.

E eles herdarão o Reino! ... Para aqueles que são um pouco lentos de compreensão: a «governança funcional», é justamente a administração por forças de ocupação. Exclusivamente dos EUA. Para aqueles que sabem : qual é o tipo de administração Norte-americana que pode ser oferecida aos «territórios não-integráveis»? A solução está na expressão «não integrável». Até vos dizem ! E, por que é que a Terra desejaria um «exemplo» vindo deles? Daqueles que pensam em chafurdar na miséria dos outros.

Permitam-me citar Meyssan uma vez mais :

«Nenhuma das guerras iniciadas após o 11-de-Setembro terminou».

Sapristi, adeus!

Mikhaïl Leontiev

Tradução 
Alva

Fonte 
1tv (Rússia)

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Fonte : "A «grande estratégia» dos EUA ", Mikhaïl Leontiev, Tradução Alva, 1tv (Rússia) , Rede Voltaire, 9 de Outubro de 2017, www.voltairenet.org/article198289.html

 


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