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O G-20 Juntos no Combate à Crise Econômica Global

10.10.2009
 
Pages: 12
O G-20 Juntos no Combate à Crise Econômica Global

Paulo Galvão Júnior*

O Grupo dos Vinte (G-20) é um grupo formado inicialmente pelos Ministros das Finanças e Presidentes dos Bancos Centrais das 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia (UE), representada no grupo pelo Presidente do Banco Central Europeu.

O G-20 foi estabelecido em 15 de dezembro de 1999, em Berlim, Alemanha. O G-20 reúne os principais países ricos e os principais países emergentes do planeta para discutir assuntos da economia global. Após as sucessivas crises financeiras nos países emergentes (Crise do México em dezembro de 1994, Crise Asiática em julho de 1997, Crise da Rússia em agosto de 1998 e a Crise do Brasil em janeiro de 1999), ocorreu em 2000 a Cúpula do G-20, em Montreal, Canadá. Já em 2001, ocorreu a Crise da Turquia em janeiro e a Crise da Argentina em setembro. A Cúpula do G-20 em Ottawa, Canadá, foi em 2001.

Os 19 países (África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, EUA, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia e Turquia) juntos compreendem 75,3% do Produto Interno Bruto (PIB) global, 60,7% da população mundial e 51,8% da área de terras emersas da Terra.

Já os 19 países mais a UE (atualmente com 27 países membros) produziram um PIB de US$ 54,790 trilhões PPC (paridade do poder de compra) em 2007, ou seja, detém 84,4% do PIB global; reúnem 4,447 bilhões de habitantes, ou seja, 64% da população mundial; e somam 80,6 milhões de km2, isto é, 53,8% da área territorial do mundo.

Em 14/11/2008, em Washington, EUA, pela primeira vez, os Chefes de Estado e de Governo dos países ricos e emergentes e da UE se reuniram e não somente os Ministros das Finanças e Presidentes dos Bancos Centrais. Esta inédita cúpula do G-20 foi o início da reforma do mercado financeiro internacional e da economia mundial. As principais metas foram: melhora da regulação e fortalecimento da transparência do mercado financeiro e reforço na cooperação internacional.

Em Pittsburgh, no Estado da Pennsylvania, nos EUA, ocorreu entre 24 e 25 de setembro de 2009 a Cúpula do G-20. Os líderes de 19 países e o líder da UE (presidente do Conselho Europeu) revisaram o progresso feito em relação às últimas Cúpulas de Washington em novembro de 2008 e de Londres em abril de 2009 e juntos discutiram ações adicionais para assegurar uma recuperação sã e sustentável diante da crise financeira e econômica global, iniciada em 15 de setembro de 2008, com a falência do banco de investimentos Lehman Brothers nos EUA.

Os líderes do G-20 chegaram a um acordo histórico, o centro dos esforços é para juntos trabalhar e construir uma recuperação econômica durável, evitando as fragilidades financeiras que conduziram à crise econômica global. Os países do G-20 precisam construir uma economia mundial mais forte, mais equilibrada (leia-se um aumento da poupança americana e do consumo chinês), reformar o sistema financeiro internacional, melhorar a qualidade de vida do cidadão mais pobre, diminuir a emissão de gases de efeito estufa e criar um fundo de combate à mitigação dos efeitos do aquecimento global (secas, enchentes, furacões, tufões, tempestades, elevação dos mares etc.).

Nove países ricos, 10 países emergentes e a UE chegaram a um consenso em Pittsburgh sobre os princípios para reequilibrar o crescimento da economia mundial. O G-20 será o principal fórum de debate da economia global; dará mais influência e poderes aos países emergentes como China, Índia e Brasil no FMI e no Banco Mundial; adotará regras mais rígidas de regulamentação sobre bancos e outras empresas financeiras e uma supervisão maior sobre os mercados de futuros e derivativos – que deram origem a maior crise econômica global, desde a Crise de 1929, que gerou a Grande Depressão dos anos 30 – para que não se repita crises semelhantes no futuro.

Uma das principais características da economia capitalista mundial é o surgimento de crise. As crises econômicas mundiais são cíclicas e obstáculos ao crescimento econômico acelerado dos países e a maximização de lucros das empresas, provocando a falência ou a inadimplência de inúmeras empresas e aumentando o desemprego, a pobreza e a violência. O G-20 se reunirá duas vezes por ano e debaterá os rumos do capitalismo globalizado tardio. Parafraseando outra obra do economista Ernest Mandel: Fim da Crise Econômica Global ou Crise Econômica Global Sem Fim?

A crise econômica global foi superada apenas pelo programa nuclear do Irã nas entrevistas de líderes do G-20 em Pittsburgh. É muito alta a proporção dos gastos militares sobre o PIB em vários países do G-20. Desde 20/03/2003, a Guerra do Iraque provocou mais de quatro mil militares americanos mortos e mais de 30 mil feridos. Estima-se em mais de 654 mil mortos entre os iraquianos nos últimos seis anos. Hoje, o Presidente dos EUA, Barack Hussein Obama, ganhou o Prêmio Nobel da Paz 2009, porque decretou o fim da Guerra do Iraque e estabeleceu uma agenda não apenas de retirada das tropas americanas, mas de construção dos alicerces necessários para uma democracia sustentável no país árabe. Barack Obama discutiu os rumos da Guerra do Afeganistão (chamo atenção que a República Islâmica do Afeganistão está em penúltimo lugar no ranking mundial do IDH, com apenas IDH de 0,352 em 2007) que já dura oito

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