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A U.E. e a questão do Kosovo

10.07.2007
 
A U.E. e a questão do Kosovo

A U.E. e a questão do Kosovo

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, esteve em Lisboa na segunda-feira para debater os principais assuntos internacionais, entre os quais a Palestina, África e Kosovo. Porém, relativamente a esta Província da Sérvia, não pertence nem a Ban Ki-moon, nem a Portugal, decidir qualquer coisa que fosse. Que se metam na sua vida.

A leviandade com que se refere a Kosovo e a sua possível ou eventual independência é chocante, é imoral, é intrusivo, é intrometido e além de criar um perigosíssimo precedente, vai contra tudo que a ONU tem estado a fazer há meio século, nomeadamente o reconhecimento definitivo das fronteiras estabelecidas como pré-requisito de uma comunidade internacional que convive em paz.

Sendo Kosovo parte integral na República da Sérvia, cabe a Belgrado e mais ninguém decidir se esta sua Província tem autonomia, independência ou não, pois os albaneses podem constituir a maioria no Kosovo mas na República da Sérvia são uma minoria.

Como é o habitual, e lamentavelmente, a história tem sido deturpada pelos opinion makers ocidentais e esta abordagem vai de mãos dadas com a demonologia atirada contra os Sérvios, para ajudar o lobbying de Washington, com cada estado-membro da OTAN curvando-se numa tentativa de ser ainda mais servil do que o próximo.

Pouco ou nada é referido que Kosovo é o sistema nervoso central da Sérvia, sendo o coração do psique colectivo da Nação da Sérvia e seu povo. Pouco ou nada tem sido escrito sobre as dezenas de milhares de mulheres albanesas que foram a Kosovo parir, para que os seus filhos pudessem ter uma vida melhor na então Jugoslávia do que no Inferno de onde vieram – os tribos da Albânia.

Nada foi dito sobre as suas constantes reclamações e revindicações por cada vez mais autonomia, cada vez mais direitos, nesta terra Sérvia e por isso aos albaneses, alheia. Com a Sérvia a defender seus direitos na sua própria terra, e com Eltsin a trocar favores em retorno pelo seu silêncio, abriu-se um capítulo mais perverso, a Ushtria Çlirimtare e Kosoves – Exército de Libertação de Kosovo, que nem era um exército mas sim, um bando de oportunistas e terroristas e nem tinha nada a libertar, pois Kosovo nunca pertenceu, nem pertence, nem pertencerá a eles – que têm a Albânia.

As ligações da UÇK ao Congresso norte-americano são bem conhecidas como também são as redes de tráfico de drogas, armas e seres humanos que controlam. Pouco ou nada foi referido durante o acto de terrorismo da OTAN em Kosovo e Sérvia, enquanto massacrava civis e fazia crimes de guerra, que muitas albanesas fugiam para as linhas dos Sérvios onde procuravam refugio, para não serem vendidas na Itália pela UÇK.

A única coisa que a política terrorista e assassina da OTAN conseguiu fazer, não foi justiça mas sim, criar um vácuo desde que a Província sérvia de Kosovo foi colocada sob a administração da ONU em 1999.

Junta-se à posição absurda de Martti Ahtisaari, o Enviado especial para Kosovo (independência sob supervisão internacional) as preocupantes declarações de Ban Ki-moon, que quanto mais cedo a questão se resolve, melhor. É que a União Europeia não tem qualquer papel relevante na resolução desta questão, pois não tem qualquer jurisdição de alterar a Constituição da República da Sérvia.

Qualquer forma de independência de Kosovo abriria a porta para justificar um sem-fim de “causas” e conflitos, pois definitivamente riscava da mapa da diplomacia a noção de que as fronteiras já estabelecidas são invioláveis.

Se Portugal ou a União Europeia consideram que têm o direito de deliberar sobre o futuro de Kosovo, uma analogia para colocarem os valores em perspectiva: imaginemos que cidadãos de um país vizinho, com costumes e religião diferentes, se instalassem em Guimarães, e durante séculos passassem a ter famílias de dez crianças, até que tivessem uma maioria. Depois imaginemos que reclamassem a sua independência, formassem um grupo terrorista (Exército de Libertação do Minho, contra Portugal), ficassem com o apoio de Washington, que juntamente com a OTAN, bombardeassem os portugueses que combatiam este flagelo e depois insistissem que a província ficasse independente, sendo Guimarães a sua cidade capital.

Quem não gostasse da ideia, se meta a resolver questões bem mais pertinentes e que têm a ver com Portugal e a União Europeia, como por exemplo os problemas resultantes das centenas de anos de imperialismo, colonialismo, arrogância e prepotência…exactamente o que vemos na sua abordagem a Kosovo.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

PRAVDA.Ru


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