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Cimeira dos G8: Wolfowitz pede liberalização de comércio

10.07.2006
 
Cimeira dos G8: Wolfowitz pede liberalização de comércio

Duas semanas depois da Organização Mundial do Comércio não conseguir concordar em medidas para liberalizar o comércio, Paul Wolfowitz, o Presidente do Banco Mundial, pede aos EUA e à União Europeia para utilizarem a Cimeira dos G8 em São Petersburgo no próximo fim de semana para efectuar medidas para ajudar os 1,2 biliões de pessoas que vivem com menos que 1 USD por dia.

Numa carta aos líderes dos oito países membros do G8 (Alemanha, Canadá, EUA, Federação Russa, França, Itália, Japão, Reino Unido), Paul Wolfowitz declara que o tempo está a esgotar para fazer um acordo duradouro que irá criar condições de comércio livre e justo para todos os intervenientes, em vez de proteger os produtores dos países mais ricos com subsídios e manter fora dos seus mercados os produtores dos países mais pobres através de tarifas.

Para Wolfowitz, “As pessoas mais pobres no mundo, aqueles 1,2 biliões de pessoas que vivem com menos do que um dólar por dia, contam com as vossas boas intenções sendo transformados em acção decisiva”.

Wolfowitz indicou alguns caminhos para a frente, nomeadamente uma redução nos custos ao consumidor nos países em vias de desenvolvimento, um compromisso pelos EUA a reduzir subsídios aos agricultores, um compromisso pela União Europeia para melhorar o acesso aos seus mercados e dos membros dos países +5 (África do Sul, Brasil, China, Índia, México) para limitar tarifas sobre os artigos fabricados. Assim, de acordo com o Presidente do Banco Mundial, uma liberalização total do comércio poderia produzir mais 300 biliões de USSD por ano em produção económica global.

Como os defensores do modelo do mercado livre podem afirmar que funciona bem, quando pela sua composição cria falsos mecanismos para manter fluxos criados em tempos coloniais e de escravatura, desafia a lógica.

Como os países mais desenvolvidos podem reclamar que os países em vias de desenvolvimento colocam tarifas excessivamente altas nos bens de fabrico quando eles próprios controlam o comércio global através de práticas falsas e cínicas, é risível.

É a altura de uma vez para sempre resolver o desequilíbrio neste modelo, ou então admitir que não é viável e que afinal os modelos da economia controlada não eram piores, porque pelo menos foram transparentes – e funcionavam.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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